dezembros festivos

Amigdalite aguda.
E qual é a causa doutor?

Dezembros festivos. Felicidade pós-novembros. Coração que voa.

(Não. Ele não disse isso. Mas deveria.)

Foi chuva, com sol, frio e corres. E vírus. E bactérias. E a falta de guarda-chuva no último domingo.
Cefadrolixa. Tome um comprimido a cada 12 horas.

Eu acordei ruim. Mas acordar ruim em dezembro ainda te faz acreditar em própolis, mel, reza, cachaça e antiflamatórios. Dormi ruim. E acordei com um fecho no pescoço. Eram duas facas na garganta cortando cada saliva, água e vento que cruzava. Eu precisava de uma receita. Eu precisava de um antibiótico. E este é o momento em que você reprime quem inventou o antibiótico com receita. E reprime ainda mais quem inventou o antibiótico com receita em são paulo. E se desfaz de quem inventou o antibiótico com receita em são paulo em dezembro. E não acredita que alguém possa ter inventado o antibiótico com receita em são paulo em dezembro, quando os médicos não tem mais horários, e quando o que você mais quer – é tomar depressa o antibiótico e voltar a festejar.

Quando se tem dor de garganta os espaços se fecham.
Some mais do que a voz. Desaparece o ritmo. Os olhos choram. É dor que chega arrastando sofás, horas e ânimos.
Consegui marcar com um Dr. Mitri. Para chegar até à sala do seu consultório era preciso pegar um elevador com ar condicionado. Por que colocam ar condicionado em um elevador que te leva ao otorrinolaringologista? Ninguém com nariz, ouvido ou garganta em chamas vai gostar de um ar condicionado nesse momento. Me deixe no calor, Dr. Mitri. Desative essa caixa gelada.

Já tem cadastro?
Não – balancei a cabeça. (E também não quero fazer)

(Eu não disse isso. Mas queria.)
Porque soletrar seu nome, CEP e endereço quando se está rasgando por dentro, é de arrebentar, bicho.

Me deixe apenas sentadinha aqui. E avise ao Dr. Mitre que eu só preciso de uma receita.
– 300 reais.

Tem certeza?
Ele nem precisa me olhar. São os dezembros festivos. Diga a ele.

Esperei na típica sala de consultório.
Revistas velhas, plantas de plásticos e vale a pena ver de novo na tv.

E ele veio.
Dr. Mitri é um gordinho simpático. E cobra caro pelos seus 15 minutos.
– O que está acontecendo?

Preciso de um antibiótico, Doutor. Estou morrendo.
– Deixa eu ver isso.

Amidaglite Aguda.
Cefadrolixa vai te ajudar. E nimesulida pra dor.

Ótimo. te amo.
pra sempre.

Mas eu nunca tive isso.
– É o estresse pós-trabalho e esse tempo seco. É São Paulo que não ajuda.
Ajuda sim, doutor. Estou festejando por dentro. Só preciso de uma receita.

Tchau.
Tchau.

Descobri que quando se está com amigdalite aguda, sente-se fome quando não se consegue comer.
Na frente do consultório tinha uma padaria – repleta daqueles mini panetones de fabricação própria, com a uva passa caseira e a massa grossa que rui a garganta mas abraça o estômago. E este, aprendi, é o verdadeiro espírito gordo. É aquele que vai à padaria antes da farmácia.

Segurei a receita de um lado e o panetone de outro. Andei mais um bocado, entrei na farmácia e flutuei. Entrar numa farmácia com uma receita de antibiótico quando se está a ferver a faringe, é como encontrar um mc donald’s no meio da estrada – voltando da praia.

Já tem cadastro?
Sim. Sou cadastrada no mundo. E tenho receita.

(não disse isso. mas.
enfim. não quero o cartão da loja)

Consegui os remédios. E me vi voltando pra casa tentando comer o panetone de um jeito que ele não precisasse passar pela garganta. Arrumei uma forma que foi mastigá-lo 52 vezes e engolir a pasta de olhos fechados para que a dor sofresse sozinha. É péssimo comer quando não se pode comer. Como é bom aproveitar uma massa e um vinho quando se tem garganta. Neste momento, eu só tinha um panetone seco e um estômago faminto.
Pelo menos agora já estava alimentada e só precisava chegar em casa para mergulhar num copo d’água.

No caminho, um homem estranho ficou olhando minha sacola da farmácia. Ele andava e virava pra trás. Andava mais um bocado, e tornava a olhar.
– Quer panetone, amigo? Que hoje tu não leva essa sacola.

Cheguei no meu prédio e o porteiro pediu para eu esperar.
– tem uma encomenda pra você.
eu não posso, amigo. eu não posso mais não.

corri.
abri a caixa do remédio. comprimidos laranjas.
o primeiro antibiótico da minha vida. o melhor presente de natal naquele momento.

tomei uma cápsula e vi estrelas.
porque quando se toma um antibiótico com amigdalite aguda, meus amigos, a vida é maravilhosa.

dezembros festivos.
me esperem.

são paulo

antes de são paulo eu não tomava cachacinha.
eu não gostava tanto de vinho.
e não bebia cerveja.

não é tão difícil assim gostar de são paulo. cheguei aqui chorando. e hoje choro de tanta coisa boa que ela me trouxe. de tanta gente que conheci. de tantas garrafas de vinho que já dividi.
ontem um amigo me disse que quem vem de fora ganha mais em são paulo do que quem já está dentro. ganhar – no sentido de absorver mais emoções, de sentir a cidade mais profundamente.

se assim for, i am lucky.
porque tô sempre indo e voltando pra são paulo. mesmo quando estou por aqui.

outro dia, eu disse a uma amiga que são paulo é o sofrimento que faz bem. é a chuva quem vem quando você tá de chinelo na rua. o barulho que insiste quando você quer sossegar. a saudade que arde mais que cachaça velha.
são paulo contrai os vasos. um labirinto de gente que se conhece e desconhece. um poço infinito de maravilhas e dores. um sossego que só vem com escritas noturnas.

são paulo me abraçou. me pegou com 17 e deixou com 27. me mostrou o café do cinema ali da reserva cultural. a coxinha do veloso. o pastel de palmito da mercearia são pedro. as tardes de hambúrguer no z deli. o cinema do conjunto nacional. o rocambole da casa das rosas. o sorvete da dri dri. as andanças por pinheiros. os violões na casa do franca. os bons dias com minha irmã. os vídeos. o café da livraria cultura. os amores tortos. as gargalhadas profundas. os acasos na avenida paulista. os pés pra cima no meu sofá.
é melhor estar em são paulo com 27 do que 17. é uma bagunça mais arrumada. é a casa em ordem. os pensamentos mais livres. virei adolescente. estou benjamin button. quando mais envelheço, menos preocupada me sinto com as coisas. menos ansiedade. bem menos. vou voltando a ser criança. que às vezes, bebe cerveja.

e já pensei tanto na vida em são paulo, que estou quase com 47.
aqui tem dessas. a gente que é de fora. que é caipira. fica mais à flor da pele com as coisas. com os piscas na rua. com tanta cidade grande a cada dia que passa. com tanto dia que acontece. a gente fica meio bobo, ainda deslumbrado depois de 10 anos – com esse monte de sonhos que ela ajudou a realizar.

são paulo leva. a idade. as pessoas. o tempo.
mas deixa, ô.
deixa tudo aqui. eu vou me lembrar sempre.

angústia ortográfica

Eu me transformei naquela pessoa adulta que quando me via, dizia – como ela cresceu. como o tempo passa.
Eu tô achando tudo grande. Tudo breve.
Com o Natal já aqui, eu só desejo – fique. espere um pouquinho. eu ainda tô correndo. eu ainda tô fazendo as coisas. fica.
que eu quero curtir direitinho. quero sentar na praça e ficar olhando as luzes. e esse tanto de decoração que deixa os dias mais bonitos.

Sofro de ansiedade crônica. De inconformismo saudosista. De saudade absurda.
Natal me deixa feliz. E triste. Quero estar em mais lugares. Quero pular os dias e ao mesmo tempo deixá-los aqui. Viver mais a noite como se não precisasse dormir.
Quero voltar a ser criança para abraçar minha vó em Catanduva – e pedir para que ela não morra. Quero um teletransporte para ajudar minha irmã a enfeitar a árvore em Araçatuba. E um avião para Londres, para saber como é o Natal de lá.

Sinto angústia ortográfica. É uma angústia que só diminui quando escrevo. E que acabei de inventar.
Sinto muito pelo tempo passar. Pelas pessoas passarem. Por eu quase não vê-lo.
Sinto por eu andar tão rápido por aqui.

Preciso abrir mais vinhos, juntar mais gente. Ficar ao redor de barulhos bons. Não terei outra vida, nem outra reencarnação, então eu vou atrás de mais.
Quero fazer dos dias mais longos. Olhar no relógio e ainda ser 9h da manhã. Deitar sem lembrar que o tempo vai passar – e que um dia vou me olhar e dizer – mas como você cresceu. como o tempo passou.

Já são 23h e amanhã será 6h. Vou dormir porque devo e não porque quero.
Por mim, escreveria mais um pouco. Angústia ortográfica não some. Ela só dorme um pouquinho.

e depois acorda.

Se gostou desse texto, pode gostar de:
- Sobre morte, trabalho e amor
- O que acontece quando nos apaixonamos 

o que não me contaram.

Das coisas amargas.
Ninguém nos avisou que após os 17 anos não voltaríamos mais para casa.
E que entre fazer uma coisa e outra, estaríamos em frente ao computador.

Que mais cabelos brancos vão aparecendo com o tempo.
E que muitos cafés são marcados apenas na imaginação.

Que após os 26 anos o amor da sua vida já encontrou o amor da vida dele.
E que quanto mais idade adquirirmos, mais impostos teremos que pagar.

Que a saudade da minha avó não iria passar.

Das coisas doces.
Ninguém nunca nos contou que vinho tinto gelado é mais gostoso.
E que substituir o óregano por manjericão no tunapasta, deixa a massa mais saborosa.

Que viajar nos reconecta com o nosso lugar de origem.
E que viajar com pessoas amadas nos torna humanos melhores.

Que amigos nos fazem esquecer da dureza das rotinas.
E que o trabalho tem que ser parte de um círculo de boas energias que nos trazem o bem.

Que relacionamento não é para todos, mas o amor sim.
E que nada é tão importante quanto parece.

Que quem lembra da morte, vive melhor.
Quem vive melhor, não se importa tanto em morrer.

(e para vocês? o que não contaram?)

Vai devagar que o ano acabou.


Eu não tenho fôlego para festas que começam à meia-noite. Mas me esforço. Coloco uma roupa de festa e me convenço que, pela fluidez da vida, pode ser interessante se abrir para alegrias que só acontecem de madrugada.
Pegamos o táxi à 1h da manhã e emendamos conversas de amigas que não se vêem há 3 meses – e o escritório? e o joão? e o mestrado?

Na Estados Unidos, quase com a Rebouças, já há uma casa coberta por pisca-piscas. Me perdi no raciocínio da conversa do carro pensando – por que é que essa casa tem se adiantado tanto na decoração? Entre colombas pascais e panetones vivemos quantos meses? Vai devagar seu taxista, o ano acabou.

Os amigos já fecharam a viagem de Reveillon, o Fantástico está fazendo concurso de marchinhas e entre rápidos romances, cafés pretos, dores de estômago, troca de cor de cabelo e eleições, já teve até copa.
Foi de tudo tanto que eu não consigo me lembrar. E não quero aqui fazer retrospectiva antecipada, já basta aquela casinha precipitada do Jardins, mas é que acho muito estranho essa sensação voadora de vida. E eu fico com medo de ter perdido alguma coisa,  de ter me envolvido nos dias e me dado conta de repente de que é Natal. Não se pode ter tudo – diria minha irmã. É assim com todo mundo. O tempo passa e as coisas em todos os lugares do mundo vão acontecendo. Se eu envelheço, envelhece todo mundo comigo.

Semana passada passei uns dias no interior e em uma das tardes fiquei observando minha mãe molhando as plantas enquanto o gato se esparramava na terra e comia trevos que nascem desordenadamente pelo chão. Fique ali à toa com a única preocupação de manter meus pés úmidos na poça d’água que refrescava o quintal. E mesmo assim, sem um computador na frente, os dias no interior também passam rápido demais. Moro longe há 10 anos e ainda tenho saudades de dias como esse, mas como é que pode. E eu que achava que depois de 5 anos a saudade zerava.  A verdade é que quanto mais perto dos 30 eu chego, mas amolecida se faz a saudade dentro de mim. E estava um vento bom, diferente, os coqueiros faziam aqueles barulhinhos de folhas que não se ouve por aqui. Minha mãe me abraçou e eu pensei – eu não quero morrer.

Eu não quero perder.

Espera aí, seu moço. Calma.
Desacelera esse táxi que a gente ainda tem a noite toda.
E foi uma noite feliz. De cerveja, risadas, música e sentimentos genuínos.
Aproveitamos tanto que não vi passar.

Como o ano todo.

Se você gostou desse texto, pode gostar de:
Já é Natal? Cacete.

Das coisas que eu gosto

clara vanali

Das coisas que eu mais gosto de fazer na vida, uma delas é ir tomar café no fim da tarde ali no cinema Reserva Cultural, da avenida Paulista, aos domingos. E isso quando está frio. Aquele frio de outono e inverno que pede um cachecol, um sapato quentinho e uma companhia essencial.
Para mim aquele é um dos melhores lugares de São Paulo porque tem cinema e café no mesmo local. E porque há pessoas que não conseguem imaginar encerrar o domingo em outro lugar que não seja ali. O pensamento se esvazia. É apenas uma tarde fria com um pouco de garoa que espera a sua presença na próxima sessão de um filme choroso e ensolarado. Gosto do espaço pequeno que reúne velhos e casais em uma atmosfera genuína que faz a gente se esquecer de que logo a segunda-feira vem.

Trouxe sementes da Itália, há quase dois anos já. E uma das coisas de que mais gostava em Roma era dos cachos imensos que caiam sobre as janelas revelando flores roxas, rosas e brancas. No começo deste ano resolvi plantá-las em um vasinho aqui da varanda, e elas demoraram exatos 3 meses para florescerem. A primeira apareceu bonita de miolo branco no dia do meu aniversário. Eu festejei, tirei foto e publiquei. Mas no final da tarde, ela murchou, fechou e não apareceu mais. Achei que o problema pudesse ser apenas com essa, ou que por conta da grande ventania do dia não tivesse aguentado. Mas nos dias seguintes novas nasceram e novamente morreram ao final do dia – e isso tem se repetido até hoje. Na janela do meu quarto ao amanhecer, de três a quatro flores crescem bonitas para se despedirem em menos de 24 horas. Sim, elas morrem rápido. Tão rápido que durante o tempo em que estão vivas se dedicam apenas a serem o melhor que puderem. Gentis. Bonitas.

Às vezes me pego no meio do trabalho pensando em como isso tudo tem sido especial. Essa oportunidade de conhecer pessoas novas todos os dias, de provar sabores inéditos, de ver a chuva da janela, de pentear o cabelo molhado, de chorar de rir e de saber que às vezes é só chorar. De um beijo novo, quente e doce. De um almoço de mãe, de amigos que não mudam com o tempo. De se emocionar com o pouco. De saber ficar sozinha quando cabe. De abrir um garrafa de vinho quando preciso.

Das coisas que eu gosto:  de gente que sabe que um dia a morte chega e que por isso a vida tem que ser repleta todos os dias.
Uma coisa que é eu gosto é de gente grata.
Grata pelo pequeno detalhe de suspirar e vivenciar tanta coisa boa – que a gente nem percebe. É tudo tão bobo que passa. Tão simples que desaparece. Tão bonito que confunde. Que a gente tenha coerência para perceber que isso tudo é suficiente.

obs: foto da flor da minha janela – aquela que vive rápido e bem. 

a vida que vai.

nova york

Hoje li uma notícia em que dizia que um piloto de avião, que há um mês acabara de pedir a namorada em casamento, morreu com a queda do veículo durante um voo a trabalho. O pedido à namorada foi gravado. Ele planejou um passeio com ela dentro desse mesmo avião, e então fez a surpresa  – postada no youtube por ele dois dias atrás.

A cada dia que passa eu me convenço ainda mais de que isso é tudo o que nós temos. E não me julgue pessimista, por favor. Falar da imperfeição se tornou pecado – como me disse um amigo esses dias. E eu prefiro falar do desconforto do que pensar que depois desta vida haverá outras e mais outras…e que todos nos encontraremos em um caminho espiritual que nos fará entender tudo o que vivemos aqui.

Eu me contenho. Eu me calo em discussões religiosas. Mas sinto profundamente pelo ser humano ser tão egoísta a ponto de achar que não “é só” isto aqui. Não é bastante mesmo? Esse jeito das flores nascerem, do sol brilhar pelas calçadas, da nossa força nas mãos, pés e braços. Do gosto do vinho, da chuva que traz cheiro para água, da emoção de uma lágrima, de um encontro, de um amor. Dos sorrisos que envolvem uma dança, da alegria de ver um cachorro correndo na areia e dos olhos de um gato se abrindo. Do poder dos ouvidos de trazer pessoas ao escutarmos música. Da leveza da pele de sentir qualquer percepção quente ou gelada que se aproxima, do envelhecimento do corpo, do amadurecimento da cabeça e sensações. Da extraordinária manifestação de vida a cada acordar. Do sabor de um café. De um beijo. De uma sopa em um dia de gripe. De uma viagem a um lugar desconhecido. Como não pode ser o bastante? Me diz como isso tudo é pouco. E pode ainda nos fazer tão cegos a ponto de acharmos que cada morte tem um hora, cada passo tem um destino e que, disso aqui, haverá um livro no final explicando a razão de cada sofrimento.

É tão difícil dizer para alguém que a vida acaba. É tão custoso explicar porque eu sofro com cada morte que não é minha. E para mim é tão certo, triste e natural saber que a vida se vai a cada dia.
Não é falta de fé. Só não consigo viver fingindo. E só pretendo, neste texto, dizer que podemos conviver com essa percepção. Que podemos ser melhores a cada dia que se vai. Menos perfeccionistas em uma vida que nos falta controle. Menos invencíveis. Menos importantes. Nós não somos nada.

Tão fracos quanto uma pedra – que pode quebrar com qualquer batida mais forte. Tão insubstituíveis quanto um grão de areia. A natureza continua. O céu fica. O calor permanece. É mais uma vida que se vai. Somos nós buscando explicações dentro um universo que, só por existir dessa forma, já é maravilhoso.

Outro dia em uma festa de amigos, um deles me perguntou porquê eu achava que aquele encontro não iria se repetir. Não vai. Por isso resolvi ficar um pouco mais. Por isso tomamos mais algumas cervejas. Por isso estendemos as canções.

É muito confortável passar os dias pensando que o que morre é porque Deus leva. Que os motivos não podem ser questionados. Que as horas das pessoas estão cronometradas sejam crianças, velhos ou jovens prestes a se casar.
A percepção doí. Hoje me sinto um pouco mais conformada, acho. Não fico tentando entender. Somos frágeis apenas. Protegidos por nós mesmos e por uma natureza que segue, independente de quem vai ou fica.

As nossas possibilidades valem para o dia de hoje. E é isso o que nos temos.

Obs: foto cheia de beleza, sem tratamento –  tirada na primeira viagem que fiz sozinha, em 2011.