apê.ritivos – episódio 3


apê.ritivos
já está no episódio 3.
esse é o meu preferido, fiquei muito feliz e emocionada com o resultado.

e logo, logo teremos uma novidade muito bacana para contar a vocês.
acompanhem tudinho por aqui, na nossa página do facebook: https://www.facebook.com/programaape.ritivos

obrigada sempre aos amigos, desconhecidos e pessoas queridas que divulgam o link por aí, vocês são demais!

rotina.

escrever e-mail, responder e-mail.

sair da cama.

escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.

almoço.

escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.
escrever e-mail, responder e-mail.

escrever e-mail, responder e-mail.

já é noite.

*a foto é daqui. 

uma vida inteira em retratos


Isso aqui me emocionou profundamente.

Um canadense chamado Jeff Harris decidiu fotografar sua vida desde 1999, todos os meses de cada ano até dezembro de 2011. Até aí, não é algo tão novo se não fossem as mudanças que aconteceram em sua trajetória desde então. Ele registra tudo: desde os amores, pizzas e mergulhos até sua luta contra o câncer e as decorrentes cirurgias.

O vídeo é emocionante. Se você entende inglês ou não, isso não importa. Há fotos muito simples e outras surpreendentes. Assista até o final pois, principalmente aí, é que o coração aperta.

Seria interessante se todos nós fizéssemos algo parecido. Quanta coisa já não aconteceu com a gente?

Todas as fotos, aqui. 

por que as pessoas dizem onde elas estão no facebook?

esses dias eu utilizei o foursquare – um aplicativo que vinculado ao facebook – mostra exatamente o lugar em que você está do país ou do mundo. minutos depois, um amigo comentou: por que as pessoas divulgam nas redes sociais, onde elas estão?

fiquei a pensar sobre isso quando a resposta veio de supetão: ora, pelo mesmo motivo que elas colocam todas as outras coisas!
as fotos do novo corte de cabelo, as férias em família, as primeiras experiências no exterior, as músicas favoritas, as citações de livros, os conselhos recebidos e as frases de efeitos pelos amores frustados e pela esperança de um recomeço.

é de fato de se estranhar por que raios compartilhamos opiniões sobre o futebol, mma, política e polícia, sem ninguém ter perguntado. e é estranho pensar que deixamos à mostra o status do nosso relacionamento como se fôssemos celebridades esquecidas mas que não podem deixar de avisar que, por vezes se fazem solteiras e por outras tantas, enroladas, casadas e numa felicidade sem fim.

ontem – naquele sábado chuvoso – dez pessoas divulgaram na minha linha do tempo, as fotos do arco-íris que apareceu no céu de são paulo. mas se ele era tão bonito, por que sua beleza não foi o bastante apenas para elas?

eu quero entender o motivo pelo qual fazemos tudo isso. e a cada vez que eu penso a respeito o que me vem à cabeça é que a vida e apenas ela, não é suficiente. e esta pode ser uma das razões pela qual dizemos onde estamos, dividimos os pratos das refeições, as festas bonitas, os novos óculos comprados, o talento para tocar violão, a facilidade em conversar em inglês e e o alívio de ter a vida mais realizada que alguém poderia querer.

há!
vivenciar e sentir em profundidade não é suficiente. ir até o canadá, receber uma promoção da chefia, ganhar flores do grande amor. isso tudo tem que estar lá registrado, no instagram, com o efeito preto e branco para que tudo isso pareça ainda mais romântico, excitante e provoque uma invejinha quase sem malícia.

isso tudo somos nós, meus amigos. e quem é que vai dizer que tá errado? que é irônico? o dia a dia não é o bastante. e essa é a forma atual que encontramos para deixar a rotina e as angústias um pouco mais brandas, em fogo baixo, cozinhando como a de todo mundo.

o ser humano não é um tão certinho assim – ele é cheio de defeitos, de chatices e manias. não se dispõe a ouvir com paciência os problemas alheios e não se faz tão contente com o momento presente. ninguém é tão realizado quanto parece. sempre falta. it’s no enough. pelo bem e pelo mal, é assim.

mas se no meio de tantas coisas, nós percebemos que no facebook, existe a possibilidade de nos tornarmos um pouco mais interessantes e interessados. por que não? no final, tudo acaba se tornando uma troca entre pessoas que, embora tenham gostos e hábitos tão diferentes, se identificam em uma mesma ação: a de mostrar, o tempo todo, o que estamos fazendo.

*a foto é daqui. 

sobre vida e morte

Betty Milan entrevistada pela revista LOLA deste mês:

Como lidar com a consciência da morte?
Essa consciência é muito importante. Digo em um de meus romances, O Clarão, que a morte é uma estrela, porque ela impede que a gente perca tempo. Apesar de sabermos, dificilmente aceitamos a morte – negamos e, ao fazer isso, nos desgastamos inultilmente, fazemos coisas que não faríamos se lembrássemos do limite do tempo. A morte é o único grande limite que nós temos.

são paulo, eu te amo.


esta fase da minha vida chama-se: são paulo.
e eu escolhi colocar aí em cima a música whiter shade of pale porque tem uma introdução que eu adoro, que é romântica, piegas e tudo mais que a gente gosta de ouvir. e porque ela faz parte do filme contos de nova york que eu assisti há duas semanas, antes de voltar – após as férias de fim de ano – aqui para a capital. de certa forma, ficou em mim.
é amor mesmo, não tem jeito.

e como é possível amar um lugar tão cinzento e cheio de gente, de carros e prédios? eu não consigo mais me imaginar sem isso aqui. é grave, doutor? às vezes me acho chata por achar chato quem diz que é chato morar aqui.
hoje à tarde andando pelas ruas, atravessei a avenida correndo. e nem era preciso – o sinal estava verde para mim – mas esta cidade é tão bonita do jeito dela que eu quis correr só para ver como era atravessar olhando os carros parados, que estavam em movimento apenas para mim. e o fim do dia ainda tem céu iluminado com luzes de automóveis recém acesas. eu gosto. se voltasse no tempo, teria me mudado exatamente para cá. é paixão das brabas.

se você também se apega como eu, vá viver um pouco do amor que a cidade está, de forma encantadora, oferecendo este mês. vou dar algumas dicas.
primeiro, siga até ao cinema reserva cultural e assista medianeiras – amor na era virtual.


Depois vá até ao teatro folha e veja a peça de teatro eu te amo.

por fim, quando já estiver apaixonado, compre na livraria cultura o dvd hanami- cerejeiras em flor.  você vai chorar bastante, mas ele fará bem a sua alma.


são paulo te oferece amor. e esta é a melhor fase para se apaixonar por ela.

uma lágrima para daniel piza.

Eu tive o meu primeiro contato com o Daniel Piza em um curso de história da arte em 2009. Conhecia o jornalista pelas suas colunas no Estadão, mas pessoalmente mesmo, foi apenas nessa data.

Hoje, o pouco que sei de história de arte eu devo a ele. Na época, fui bem cru até esse curso, levei caderno, caneta e as memórias que eu tinha de algumas exposições por aí. Na sala, uns 12 alunos e lá na frente Daniel – simpático, falante e assustadoramente inteligente.

No total, foram umas cinco ou seis aulas de Piza discursando que a arte é um consolo, uma instabilidade, um conjunto infinito de interpretações. E o que mais impressionava nesse período era a forma como ele não dizia palavras soltas, sem significado. Cada falar era palpável, tinha autonomia. Daniel não era do tipo que enrolava o explicar ou se perdia no raciocínio – ele sabia exatamente o que tava fazendo e isso era fantástico. O professor mais didático que eu já conheci. Ele não gastava  frases e valores, tudo o que era dito carregava um sentido.  Em um mundo verborrágico cheio de declarações vazias, era bom saber que tínhamos Daniel.

E foi na véspera de ano novo que eu fiquei sabendo da notícia da sua morte. mas o quê, como assim, nunca, imagina. Foi chato, chato pra valer. Aquele curso permaneceu em mim nos anos seguintes e até hoje eu tenho aquele como o melhor curso livre que já fiz. Ele abriu um mundo para todos nós que enxergávamos os artistas como serem loucos, parte de algo que não desse mundo. A arte incompreendida ganhou, após Daniel Piza, uma face de bem-vinda.

E meio sem jeito, de repente, deixei as lágrimas escorrerem, rosto abaixo elas se foram. Minha mãe arrumando meu cabelo para a festa, meu pai do lado nos fazendo companhia, um conjunto de amenidades maravilhosas, todos nós ansiosos pela virada. No meio disso tudo, uma morte. E eu sempre acho a morte de alguém que a gente admira nos mata um pouco também, nos deixa mais frágeis, menos crentes, tristes.

E chorei com a mesma naturalidade que por tantas vezes sorri. Chorei por Daniel, chorei pela morte, pela angústia que é a vida.  Pelo jornalista que ele foi, pela sua família, pelos sonhos que ele não vai mais conseguir realizar. Chorei por um quase desconhecido, mas que era assim como nós – cheio de coisas para fazer amanhã, com um monte de ideias na cabeça, com dezenas de pessoas para cuidar e amar.

E eu estava na rede, deitada, com os pés balançando, sentindo a chuva que caía antes de 2012, o vento no rosto, comida na mesa, as minhas irmãs por perto. Chorei porque, agora, ele não poderá mais sentir isso tudo – como acontece com todas as pessoas que morrem. Esticar os dedos das mãos, coçar os olhos, abraçar as pessoas queridas, trocar experiências com a natureza, ouvir uma música e acompanhar cantarolando…por que a morte não nos permite mais nada?

Puxa! Quando as pessoas morrem elas não vão mais enxergar isso tudo. A rua lá fora, o telefone tocando, o cheiro do pão quente no forno, as gargalhadas na mesa de um bar, um filme emocionante no cinema. Eu choro mesmo porque esse troço é difícil de entender, bicho. E a vida vai tocando, ela vai levando e levando muita gente também. É dor. É emoção demais pra gente esquecer assim de repente, para não se abalar e fingir que não é comigo.

No final dos seus artigos do Estadão, Daniel costumava dedicar uma lágrima para alguma personalidade falecida. Hoje, todas as lágrimas são para ele. Meus sinceros sentimentos à família, aos amigos e a nós jornalistas, que ficaremos sem seus cursos, suas sugestões de livros, filmes, pitacos futebolísticos e reportagens espetaculares.

A vida foi breve para Daniel. O nosso consolo é que ele fez dela o que poucos conseguem: completou-a com obras e trabalhos preciosos que não conhecem o finito – irão levar cultura e ensinamentos para todos que quiserem ler e ouvir.

um pouco de natal, sim senhor.

Um dos trabalhos que mais me deixaram satisfeita neste ano, foi a realização de uma série de vídeos sobre Natal, disponíveis neste link aqui. Os vídeos falam sobre decoração mas não apenas isso – eles trazem histórias, memórias e aquele monte de sensação que a gente só sente nesta época quando as luzes dos postes se apagam e entram os piscas, os encontros em família, os presentes entregues com tanto carinho e a alegria de encontrar quem a gente gosta. Durante as gravações, registrei alguma imagens de detalhes e doçuras que trazem refresco e uma satisfação de comemorar isso tudo com ainda mais vontade. O mais bacana disso tudo, foi conhecer pessoas (desde o padeiro que fez os maravilhosos panenotes e roscas até as profissionais que compartilharam suas ideias e emoção para uma festa inesquecível) que viraram fontes, amigos e referências de belos trabalhos. Abaixo, uma pequena mostra de muita coisa que tem por lá. É só se deixar levar.






antes de dormir.

esta é a fase da minha vida é chamada de: dormir pouco.
e hoje eu estou com tanta vontade de deixar as palavras aqui, de conversar, bater um papo. falar de um monte de coisa que tá martelando na minha cabeça.

o sono está tão pesado, meus olhos quase fechando, tô tão cansada nesta noite, me dê só mais alguns minutos, eu vou falar pouco, depois eu volto na luz do dia pra gente prosear um pouco mais.

quero falar da minha vó que sempre aparece nesta época do ano nas minhas caminhadas pela paulista ao redor das luzinhas de natal, tô com uma saudade dela. eu quero comentar sobre 2011, me deixa agradecer, permita-me falar do tempo, de tudo rápido que se passou tão depressa, me dê um pouco de calma e uma cama para eu poder descansar e pela manhã dizer, dizer e dizer.

eu quero escrever e já quase não consigo por ora. eu aprendi tantas coisas esse ano, ajude-me a repassar isso pra frente, a controlar o que eu não consigo,  a ser leve, ainda mais leve. quero falar das músicas que eu tô ouvindo, e também de sonhos, mas tudo o que me resta agora é o sono e esse peso que não se aguenta nas pálpebras. mas anote aí, vou ter mais tempo logo, eu volto, eu volto para contar tudinho para vocês do que se passa aqui dentro.

hoje, eu só preciso dormir.

*essa foto linda, que se mexe e emociona, é de um fotógrafo americano chamado Jamie.

estou emocionada.

Uma amiga querida, Manuela, disse-me esses dias que eu e o Gabriel somos muito corajosos em abrir a casa e o coração para contarmos uma história. esta foi a definição mais bonita que deram ao apê.ritivos, nosso novo projeto.

estou tão emocionada. feliz. Mais de 800 pessoas compartilharam o link do primeiro episódio no facebook e outras tantas mandaram palavras de beleza, conforto e emoção.

obrigada. estamos no comecinho e receber tantos abraços como esses é o mais reconfortante retorno que poderíamos esperar. me sinto cheia de amor com os pitacos, sugestões e com a forma como cada um experimenta o programa e tem vontade de estar ali com a gente.

vocês estão e estarão em todos.

obrigada ao Flávio Rocha e ao Rogério Assis pelas imagens tão lindas. obrigada ao Roman Lindemann por fazer mágica ao ajudar na conversão dos arquivos de vídeo. obrigada a Letícia Pires que, como ninguém, captou a sensibilidade do projeto e criou a arte para o logo e descrição. obrigada a vocês amigos que todos os dias tem repassado o apê.ritivos para os familiares, amigos e tantos outros que replicam a nossa vontade de juntar saudade, conversa, receitas e um apartamento.

estou (profundamente) emocionada. obrigada.

o não acaso de um sábado à tarde

Existe uma porção de eventos na vida que são pura coincidência.
Uma outra parte é tudo que não o acaso. E eu acredito que vivi essa última no sábado que se passou.

Há uns cinco anos eu não ia na Benedito Calixto – aquela feirinha aos sábado que concentram tudo o que é antigo e gostoso de lembrar. Dois amigos queridos, o Eduardo e o Thiago – dos poucos que a gente guarda depois da faculdade – fizeram o convite e, eu, aqui dentro, senti que eu precisava ir para lá a hora que fosse. E a hora foi tarde, às cinco já. quase no final do dia, já com algumas barracas recolhendo aquele acervo de objetos velhos e usados que todas as semanas tentam nos convencer de que podem, em nossa estante, recobrar sua utilidade.

No caminhar daquele monte de gente, do sol gostoso do fim do dia, no meio revistas que não existe mais e lentes cansadas de fotografia, os vendedores que restavam negociavam o passado como novo. Parei num desses sebos embaixo de lona amarela, com livros de papel também amarelo, quando pude ler em uma capa: “Sonata da última cidade – o romance de São Paulo”.

Renato Modernell. Um querido professor que meu deu aula de narrativas de viagem na universidade e o único que tinha sensibilidade para escapar da ignorante objetividade das aulas de jornalismo para nos fazer escrever, escrever e escrever.

O livro é raro, não existe mais nas livrarias. Eu estava a sua procura há um tempo e sabia que seria difícil encontrá-lo. A sugestão de leitura foi dada por uma amiga querida – Marcia Carini – que contou-me ser esse um dos melhores que já lera.

No meio de tantos livros e possibilidades, ele ali olhando pra mim só tinha que ser meu. 20 reais, assim, baratinho. Coloquei na sacola e logo tratei de espalhar essa história feliz para os amigos comigo ali. Até então acaso, mera coincidência de uma jovem e um livro que se trombaram no mesmo lugar.

Não casualidade é a sequência disso tudo. Com o livro em mãos seguindo ainda pela feira, fiquei imaginando quão interessante seria ter o autógrafo do Renato naquela obra tão procurada. Imagine então a minha surpresa, cinco minutos após a compra do livro, visualizar – naquele acúmulo de gente – o próprio Renato Modernell.

Gritei seu nome sem entender como pode uma feira, um livro e um momento tão bom se reunirem num sábado à tarde. Ele atendeu e se mostrou feliz ao reencontrar seus antigos alunos na praça. Mostrei a ele o livro de 1988 que na primeira página trazia seu autógrafo em inglês escrito em 1996 para uma pessoa – “thanks you for all, best wishes”.

Ele olhou, sorriu, perguntou como encontramos aquele livro e tentou lembrar quem era a pessoa da dedicatória. Não lembrou, mas pegou uma caneta e escreveu seu nome com bons votos para mim, na mesma página da antiga dedicatória dedicada àquela anônima, que de seu livro se perdeu.

por alguns minutos, ficamos os 3 conversando com aquele velho professor, que de repente por ali aparecera. repetimos por vezes a palavra coincidência, coincidência, coincidência ao mesmo tempo em que sabíamos que esse encontro era qualquer coisa que não uma coincidência.

Um livro antigo a espera do seu dono para que fosse autografado para um novo dono. são paulo – gigante de tamanho e eventualidades me trouxe esse presente de fim de semana. comecei a ler a obra e e eu – que não acredito muito em destino – começo a achar que existe uma sintonia neste mundão que, de vez em quando, faz questão de juntar pessoas e vontades apenas para mostrar que nem tudo nesta vida acontece sem querer.

as canções


Eduardo Coutinho, muito obrigada.

Eu tenho algumas músicas minhas, feitas por outros cantores, mas que são minhas, apenas minhas. E eu me lembro, respiro, me faço saudosista. Eu posso cantá-las agora, inteiras, e me vou para lá. Para aqueles tantos lugares que me trouxeram dia, noite e tudo o quê você já sabe. o quê todo mundo sabe – onde as canções conseguem nos levar.

Coutinho, obrigada.
Um filme que se chama “as canções” e não traz nenhuma trilha sonora, apenas as vozes, os gaguejos e as histórias de pessoas que choram, amam e apenas amam. como uma música sempre deve ser. de amor. e repetidamente dele.

Obrigada.
essa miudez de cada personagem ao cantarolar e explicar o por que de tanta lembrança em melodias que existem por aí me deixa extasiada. eu gosto tanto disso, como a gente ainda não percebeu que o simples é o que mais coisas pode nos oferecer.

eu vou cantar também. quero dizer. elas me falam tanto, a todo momento. esse desafino dos cantores da vida, uma sinceridade cheia de beleza.
me sinto mais forte. mais frágil. uma canção.

* No vídeo o trailer de “As Canções”, de Eduardo Coutinho, exibido na Mostra Internacional de Cinema. Histórias de amor marcadas por letra, música e detalhes.

suficiente.

este é aquele dia em que você pede uma pizza. quatro pedaços por favor. a individual, massa fina. traz a máquina, visa. 30 minutos de espera.

sua amiga te chama para uma balada. do lado da sua casa.
e seus amigos vão tomar uma cerveja ali na consolação. eu não vou, obrigada. é aqui comigo.

hoje é casa, sala, sofá. e essa calça que eu só uso quando tô sozinha. essa vontade de fazer alguma coisa que ainda não ligou. aproveitem a festa que hoje eu vou ficar aqui na varanda. e pensar um pouco. colocar esse tanto de coisa em ordem. essa quantidade de gente e o monte de sentimentos que eu tenho que lidar, conter e adivinhar.

essa tarde foi tão boa. aquelas bolhas de sabão passando entre a gente, aquele tanto de gente a procura – olhando exaustas, ávidas por terem tudo. isso é tão bonito. tão a gente. e o que é que nos falta? por que estamos sempre procurando tanto se as coisas já foram encontradas, por que parece que temos que chegar no final do jogo e passar pelas fases sem cair no réves? sem se questionar tanto, sem fraqueza, sem cair no passional. vamos ser diferentes, por favor. vamos ser nós mesmo.

vamos falar, menos flores, cadê a nossa honestidade. por que tanta frescura. será que o “sim” e o “não” não podem ser apenas eles mesmos? eu não quero me acostumar.

a pizza está quase chegando. ela virá com tomate e abobrinha assada. acolhedora. hoje eu quero isso mesmo. um pouco de só. de saudade. da gente se falar amanhã. de sentir a tranquilidade de ter encontrado tudo.

tudo o que eu preciso.

apê.ritivos


eu moro em são paulo há sete anos.
o gabriel saiu de pirassununga há quatro.

há poucos meses a gente resolveu se juntar para contar uma história. o nosso capricho é dividir receitas, vivências, ansiedades, energias e saudades que reunimos depois de tanto tempo longe da família e de nossas cidades do interior.

é com muita alegria que divido com vocês o começo desse novo projeto. em breve, vocês vão conhecer o apê.ritivos, gravado no meu apartamento em são paulo.

por ora, dêem uma espiada aqui na nossa comunidade do facebook. curtam, aproveitem e sejam bem-vindos.

o inverso de mais.

eu tenho um sonho da gente ser menos.
sem muito barulho, com um falatório menos arrogante. com a pretensão de menos seguidores. com uma realização que chega sem inveja, de mansinho, com verdade.

menos blá blá blá, por favor. eu quero dançar, quero paz. não me venha como um pavão com suas penas abertas, como se nenhuma chuva fosse te molhar. me dê menos, muito menos. eu posso suportar muitos rabiscos, chiados e telas fora de harmonia. mas esse mais que quer subir sem humildade e carisma, eu não posso.

e o que é tudo isso senão uma vontade de ser feliz sem achar que somos muito, sem o devaneio de que fazemos tanto se o tanto não é nada e nós menos ainda.

vamos conseguir ir longe e lembrar que o perto também é bom, talvez melhor. o mais sereno. e mesmo que tenhamos o mais abarrotado de emoções que ainda sim sejamos menos, baixinhos, em silêncio, sem tanta pompa, sem tantas penas.

o inverso, me dê de presente.

antes da segunda-feira.

“Uma criança segura uma sombrinha sobre uma jarra transparente, talvez seja limonada. Um velho afugenta moscas de uns bolinhos dourados. O que me intriga é o clima de domingo. Por que a luz do sol tem outra intensidade? Será a ausência do movimento, de barulhos? Essa atmosfera existe no mundo inteiro por onde andei. Sabemos que é domingo ao colocarmos o pé na rua. No entanto, depois das duas da tarde, começa a longa jornada de angústica. Tudo se torna opressivo, estranho”.

Eu nunca li uma descrição tão verídica sobre o domingo como essa. O trecho é do mais novo livro de Ignácio de Loyola Brandão: Acordei em Woodstock.

A casa é minha e eu tô chegando.

Faz 4 meses que não volto para Araçatuba. Eu tô com uma saudade e vontade de deitar naquele sofá da sala, assistir as reprises do Jô Soares com meu pai e os filmes repetidos com a minha mãe. As pizzas à noite; os vinhos com as macarronadas; o purê de batata e a couve-flor empanada que só experimento quando estou lá. Ir e voltar dos lugares como num instante; dar uma volta no Pálio preto com a minha carta de motorista enferrujada; abraçar meu gato mal-humorado e receber uma lambida do meu cachorro que é o mais feliz melhor do mundo.

Quero ficar na cozinha com as minhas irmãs planejando o reveillon, o almoço e a roupa da próxima festa. Falar de esmalte, unhas, peso e todas aquelas insignificâncias que fazem o tempo passar rapidinho e nos trazem a vontade de ficar ali e repetir aquele momento de novo…e de novo e de novo. Quero sentir logo aquela alegria misturada com o aperto de saber que eu tenho poucos dias e que por isso eles serão melhores do que quaisquer outros que eu já vivi.

Arnaldo, essa aí você fez para mim. Obrigada.

Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar

Não me falta cama
Só falta você deitar
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar

Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal

Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar

A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio.

* Esse é um dos meus clipes favoritos. Doce Arnaldo Antunes, capta e expressa as emoções como nenhum outro. Separei meus trechos preferidos para colocar na crônica, mas a letra inteira da música vocês encontram aqui.

expressão de vida

Terminei o fantástico livro do Valter Hugo Mãe, hoje.
Deitei na cama, deixei a janela bem aberta com um céu que se preparava para chover. São, de fato, poucos os momentos que sentimos o corpo todo respirar, em silêncio, apenas com o som do sábado lá de fora. Cobri-me com o edredon, estiquei os cabelos de lado para que terminassem de secar após o banho recente. Senti a calmaria. Os meus olhos começaram a lacrimejar e os pingos a cair, para não me deixarem sozinha nesse momento de – simplesmente – chorar. Com o tempo, se aglomeraram, bateram na minha janela, cobriram de água os prédios e o meu travesseiro. E então, nas últimas páginas do livro, deparo-me com isso:

sabes que os peixes têm uma memória de segundos. aqueles peixes bonitos que vês dentro dos aquários pequenos, sabes que têm uma memória de uns segundos, três segundos, assim. é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada três segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada três segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. compreendes. a cada três segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação. 

desoprimida, fechei o livro e adormeci – pensando que não há de haver sentimento mais fabuloso do que o de experimentar tamanha sensação, descrita acima.

* o autor do livro caminha sobre um lago, nessa beleza de foto.
Há mais um post a respeito do livro aqui. 

sábado.

Minha mãe e irmã do meio vieram no últilmo sábado para São Paulo. Assim, rapidinho. Um bate e volta que já terminaria no domingo de manhã. Saímos à tarde, andamos por aí. Curtimos uma São Paulo que, às vezes, se faz ensolarada.

No final do dia, por volta das 19h, chegamos em casa com os pés doloridos mas prontas para partirmos novamente. Um banho, uma troca de roupa e a noite nos acolheu com vinho branco, pão italiano e aperitivos deliciosos de tomate seco, abobrinha, pimentão e mussarela de búfala.

Nós três, apenas, sentadas numa mesa com toda uma vida a discorrer pela frente. Choramos, rimos, falamos sobre o quê acreditamos e sobre tudo o que deixamos de ter fé. Lembramos de vovó já falecida; do meu avô teimoso que também já se foi. De frases do passado que gostaríamos de não ter dito. Pedimos mais uma cesta de pães, mais uma água para acompanhar. O vinho, um ouvinte consolador sem muito poder nas mãos. Tanta coisa se passou, será que tudo acaba aqui? Será que a gente se vê na outra vida? Deus é mesmo esse senhor que as igrejas tanto chamam? Você acredita?

- Essa energia, nós aqui -  deixa pra lá esse monte de dúvidas – vamos pedir azeite para regar este presunto de parma e molhar a casquinha do pão – quero ler um livro sobre budismo – na revista deste mês está falando sobre espíritos – lembro que eu sonhei com a vó pegando no meu braço – hoje não sonho mais com ela – será que vamos nos encontrar – ela está bem – cadê ela.

E eu encosto minha cabeça no ombro da minha mãe, minha irmã mostra o coque que ela aprendeu a fazer no cabelo. O feriado está chegando, logo estarei lá. São Paulo é mais serena com vocês. Naquela época ninguém se questionava sobre nada, mãe. Nós é que não paramos de pensar em tudo, em nós, nesta louca vida que não se decide pelo explicar ou confundir.

Eu já fico sonolenta, mas não quero pedir a conta. Tira uma foto nossa? Ficou bonita. Minha irmã conta uma história de um sobrevivente da queda de um avião, o que ele aprendeu, o que mudou – o amor. sempre. é ele que você deve escolher em todas as situações. ao acordar, quando pensar nas pessoas, imaginar uma vontade e querer alcançar – o amor, ele é a nossa certeza absoluta.

*essa belíssima foto é daqui.

A fantástica chuva de pétalas

Eu já falara em um post anterior sobre a viagem que fiz para Holambra na festa das flores, que acontece 1 vez por ano lá. Hoje venho trazer o vídeo que finalizei ainda agorinha. Emoções, pulos e gritaria na ocasião – que faz chover milhares de pétalas sobre o público. Quem conseguir pegar uma delas antes que caia no chão, tem todos os seus sonhos realizados.

mundo grande.

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

* Essa beleza é do Carlos Drummond de Andrade, e foi tirada do blog do Antonio Prata.  A foto, que eu gostei muito, é daqui. 

O dia em que eu não falei com o Marcelo Rubens Paiva

Ele estava no Spot. Aquele restaurante da Ministro Rocha de Azevedo que tem o melhor penne que eu já comi na vida.

Em uma noite de sexta ou sábado, esperamos pelo menos 1 hora na parte externa para conseguirmos uma mesa lá dentro. Pedimos vinho. Eu e minha irmã. E também um antepasto que serve pouco mas traz aspargos com um azeite irresistível – caro e ainda assim vale os muitos centavos. É um bar um tanto quanto blasé mas convence qualquer um a passar a noite por lá principalmente pela fonte d’água do lugar que muda de cor e faz chuá chuá, o barulho de gotas que transforma qualquer ponta de esquina em um ambiente agradável de ficar.

Marcelo estava nessa área, a espera de uma mesa livre também. De longe, parecia estar sozinho. Cutuquei minha irmã – a lá, a lá, a lá, é ele lá! Eu não gosto de tietagem, nunca pedi um autógrafo e uma única vez que trabalhei em uma revista de celebridade, pedi demissão. Às vezes, no entanto, tenho vontade de seguir os conselhos de uma amiga que diz que quando você tem vontade de dizer, tem que ir lá e falar logo. No caso dela, toda vez em que está numa roda de amigos e apresentam-na um cara muito bonito, ela fala logo de cara: pô, eu preciso dizer, você é bonito pra c*!

No meu caso, eu queria dizer – Marcelo, não vou tomar muito seu tempo, mas eu leio todas as suas crônicas, você escreve pra c*! Obrigada pelos textos, bom jantar, até uma próxima.

Pronto, seria só isso. Não daria nem tempo dele apagar o cigarro.
Esperei chamarem o nosso número para entrar. Pedi o penne que, para quem ficou curioso, é servido com melão e presunto de parma; terminamos o vinho e por vezes observei o marcelo já dentro do restaurante também acompanhado por amigas.

Em um certo momento, ele saiu para fumar. Sozinho. Minha nova chance – sou leitora assídua dos seus textos, tchau. Mas então ele permaneceu um tempo lá fora, voltou e eu continuei a titubear. vô, não vô. Pedimos a conta, recusamos a sobremesa.

- Agora eu vou falar. Passei pela mesa dele que ficava bem na porta, mas já me vi saindo e quase na calçada, lamentei a falta de atitude. ele estava jantando. acompanhado dos amigos. ocupado. relaxado. não deu.

desculpas assim. que a gente se coloca de vez em quando.
uma amiga disse que eu deveria ter ido lá, assim mesmo, na coragem. não fui.

De qualquer forma, se um dia ele ler esse texto: pô Marcelo, sou tua fã! Abraço.

ps – esta foto saiu na entrevista que a revista TPM fez com ele este mês. 
Vale a pena ler a matéria completa. 

manual para a vida

“Quando se identifica o estado mental como o fator primordial para alcançar a felicidade, naturalmente não se está negando que nossas necessidades físicas fundamentais da alimentação, vestuário e moradia não sejam satisfeitas. Entretanto, uma vez atendidas essas necessidades básicas, a mensagem é clara: não precisamos de mais dinheiro, não precisamos de mais sucesso ou fama, não precisamos de corpo perfeito, nem mesmo do parceiro perfeito – agora mesmo, neste momento exato, dispomos da mente, que é todo equipamento básico de que precisamos para alcançar a plena felicidade.”

* Essa é do livro A Arte Da Felicidade - um daqueles de cabeceira que sempre nos fazem lembrar de coisas que a gente teima em esquecer. O ensinamento foi dado pelo Dalai Lama a um psiquiatra, que visitava a Índia.