uma vida inteira em retratos


Isso aqui me emocionou profundamente.

Um canadense chamado Jeff Harris decidiu fotografar sua vida desde 1999, todos os meses de cada ano até dezembro de 2011. Até aí, não é algo tão novo se não fossem as mudanças que aconteceram em sua trajetória desde então. Ele registra tudo: desde os amores, pizzas e mergulhos até sua luta contra o câncer e as decorrentes cirurgias.

O vídeo é emocionante. Se você entende inglês ou não, isso não importa. Há fotos muito simples e outras surpreendentes. Assista até o final pois, principalmente aí, é que o coração aperta.

Seria interessante se todos nós fizéssemos algo parecido. Quanta coisa já não aconteceu com a gente?

Todas as fotos, aqui. 

por que as pessoas dizem onde elas estão no facebook?

esses dias eu utilizei o foursquare – um aplicativo que vinculado ao facebook – mostra exatamente o lugar em que você está do país ou do mundo. minutos depois, um amigo comentou: por que as pessoas divulgam nas redes sociais, onde elas estão?

fiquei a pensar sobre isso quando a resposta veio de supetão: ora, pelo mesmo motivo que elas colocam todas as outras coisas!
as fotos do novo corte de cabelo, as férias em família, as primeiras experiências no exterior, as músicas favoritas, as citações de livros, os conselhos recebidos e as frases de efeitos pelos amores frustados e pela esperança de um recomeço.

é de fato de se estranhar por que raios compartilhamos opiniões sobre o futebol, mma, política e polícia, sem ninguém ter perguntado. e é estranho pensar que deixamos à mostra o status do nosso relacionamento como se fôssemos celebridades esquecidas mas que não podem deixar de avisar que, por vezes se fazem solteiras e por outras tantas, enroladas, casadas e numa felicidade sem fim.

ontem – naquele sábado chuvoso – dez pessoas divulgaram na minha linha do tempo, as fotos do arco-íris que apareceu no céu de são paulo. mas se ele era tão bonito, por que sua beleza não foi o bastante apenas para elas?

eu quero entender o motivo pelo qual fazemos tudo isso. e a cada vez que eu penso a respeito o que me vem à cabeça é que a vida e apenas ela, não é suficiente. e esta pode ser uma das razões pela qual dizemos onde estamos, dividimos os pratos das refeições, as festas bonitas, os novos óculos comprados, o talento para tocar violão, a facilidade em conversar em inglês e e o alívio de ter a vida mais realizada que alguém poderia querer.

há!
vivenciar e sentir em profundidade não é suficiente. ir até o canadá, receber uma promoção da chefia, ganhar flores do grande amor. isso tudo tem que estar lá registrado, no instagram, com o efeito preto e branco para que tudo isso pareça ainda mais romântico, excitante e provoque uma invejinha quase sem malícia.

isso tudo somos nós, meus amigos. e quem é que vai dizer que tá errado? que é irônico? o dia a dia não é o bastante. e essa é a forma atual que encontramos para deixar a rotina e as angústias um pouco mais brandas, em fogo baixo, cozinhando como a de todo mundo.

o ser humano não é um tão certinho assim – ele é cheio de defeitos, de chatices e manias. não se dispõe a ouvir com paciência os problemas alheios e não se faz tão contente com o momento presente. ninguém é tão realizado quanto parece. sempre falta. it’s no enough. pelo bem e pelo mal, é assim.

mas se no meio de tantas coisas, nós percebemos que no facebook, existe a possibilidade de nos tornarmos um pouco mais interessantes e interessados. por que não? no final, tudo acaba se tornando uma troca entre pessoas que, embora tenham gostos e hábitos tão diferentes, se identificam em uma mesma ação: a de mostrar, o tempo todo, o que estamos fazendo.

*a foto é daqui. 

sobre vida e morte

Betty Milan entrevistada pela revista LOLA deste mês:

Como lidar com a consciência da morte?
Essa consciência é muito importante. Digo em um de meus romances, O Clarão, que a morte é uma estrela, porque ela impede que a gente perca tempo. Apesar de sabermos, dificilmente aceitamos a morte – negamos e, ao fazer isso, nos desgastamos inultilmente, fazemos coisas que não faríamos se lembrássemos do limite do tempo. A morte é o único grande limite que nós temos.

são paulo, eu te amo.


esta fase da minha vida chama-se: são paulo.
e eu escolhi colocar aí em cima a música whiter shade of pale porque tem uma introdução que eu adoro, que é romântica, piegas e tudo mais que a gente gosta de ouvir. e porque ela faz parte do filme contos de nova york que eu assisti há duas semanas, antes de voltar – após as férias de fim de ano – aqui para a capital. de certa forma, ficou em mim.
é amor mesmo, não tem jeito.

e como é possível amar um lugar tão cinzento e cheio de gente, de carros e prédios? eu não consigo mais me imaginar sem isso aqui. é grave, doutor? às vezes me acho chata por achar chato quem diz que é chato morar aqui.
hoje à tarde andando pelas ruas, atravessei a avenida correndo. e nem era preciso – o sinal estava verde para mim – mas esta cidade é tão bonita do jeito dela que eu quis correr só para ver como era atravessar olhando os carros parados, que estavam em movimento apenas para mim. e o fim do dia ainda tem céu iluminado com luzes de automóveis recém acesas. eu gosto. se voltasse no tempo, teria me mudado exatamente para cá. é paixão das brabas.

se você também se apega como eu, vá viver um pouco do amor que a cidade está, de forma encantadora, oferecendo este mês. vou dar algumas dicas.
primeiro, siga até ao cinema reserva cultural e assista medianeiras – amor na era virtual.


Depois vá até ao teatro folha e veja a peça de teatro eu te amo.

por fim, quando já estiver apaixonado, compre na livraria cultura o dvd hanami- cerejeiras em flor.  você vai chorar bastante, mas ele fará bem a sua alma.


são paulo te oferece amor. e esta é a melhor fase para se apaixonar por ela.

uma lágrima para daniel piza.

Eu tive o meu primeiro contato com o Daniel Piza em um curso de história da arte em 2009. Conhecia o jornalista pelas suas colunas no Estadão, mas pessoalmente mesmo, foi apenas nessa data.

Hoje, o pouco que sei de história de arte eu devo a ele. Na época, fui bem cru até esse curso, levei caderno, caneta e as memórias que eu tinha de algumas exposições por aí. Na sala, uns 12 alunos e lá na frente Daniel – simpático, falante e assustadoramente inteligente.

No total, foram umas cinco ou seis aulas de Piza discursando que a arte é um consolo, uma instabilidade, um conjunto infinito de interpretações. E o que mais impressionava nesse período era a forma como ele não dizia palavras soltas, sem significado. Cada falar era palpável, tinha autonomia. Daniel não era do tipo que enrolava o explicar ou se perdia no raciocínio – ele sabia exatamente o que tava fazendo e isso era fantástico. O professor mais didático que eu já conheci. Ele não gastava  frases e valores, tudo o que era dito carregava um sentido.  Em um mundo verborrágico cheio de declarações vazias, era bom saber que tínhamos Daniel.

E foi na véspera de ano novo que eu fiquei sabendo da notícia da sua morte. mas o quê, como assim, nunca, imagina. Foi chato, chato pra valer. Aquele curso permaneceu em mim nos anos seguintes e até hoje eu tenho aquele como o melhor curso livre que já fiz. Ele abriu um mundo para todos nós que enxergávamos os artistas como serem loucos, parte de algo que não desse mundo. A arte incompreendida ganhou, após Daniel Piza, uma face de bem-vinda.

E meio sem jeito, de repente, deixei as lágrimas escorrerem, rosto abaixo elas se foram. Minha mãe arrumando meu cabelo para a festa, meu pai do lado nos fazendo companhia, um conjunto de amenidades maravilhosas, todos nós ansiosos pela virada. No meio disso tudo, uma morte. E eu sempre acho a morte de alguém que a gente admira nos mata um pouco também, nos deixa mais frágeis, menos crentes, tristes.

E chorei com a mesma naturalidade que por tantas vezes sorri. Chorei por Daniel, chorei pela morte, pela angústia que é a vida.  Pelo jornalista que ele foi, pela sua família, pelos sonhos que ele não vai mais conseguir realizar. Chorei por um quase desconhecido, mas que era assim como nós – cheio de coisas para fazer amanhã, com um monte de ideias na cabeça, com dezenas de pessoas para cuidar e amar.

E eu estava na rede, deitada, com os pés balançando, sentindo a chuva que caía antes de 2012, o vento no rosto, comida na mesa, as minhas irmãs por perto. Chorei porque, agora, ele não poderá mais sentir isso tudo – como acontece com todas as pessoas que morrem. Esticar os dedos das mãos, coçar os olhos, abraçar as pessoas queridas, trocar experiências com a natureza, ouvir uma música e acompanhar cantarolando…por que a morte não nos permite mais nada?

Puxa! Quando as pessoas morrem elas não vão mais enxergar isso tudo. A rua lá fora, o telefone tocando, o cheiro do pão quente no forno, as gargalhadas na mesa de um bar, um filme emocionante no cinema. Eu choro mesmo porque esse troço é difícil de entender, bicho. E a vida vai tocando, ela vai levando e levando muita gente também. É dor. É emoção demais pra gente esquecer assim de repente, para não se abalar e fingir que não é comigo.

No final dos seus artigos do Estadão, Daniel costumava dedicar uma lágrima para alguma personalidade falecida. Hoje, todas as lágrimas são para ele. Meus sinceros sentimentos à família, aos amigos e a nós jornalistas, que ficaremos sem seus cursos, suas sugestões de livros, filmes, pitacos futebolísticos e reportagens espetaculares.

A vida foi breve para Daniel. O nosso consolo é que ele fez dela o que poucos conseguem: completou-a com obras e trabalhos preciosos que não conhecem o finito – irão levar cultura e ensinamentos para todos que quiserem ler e ouvir.

um pouco de natal, sim senhor.

Um dos trabalhos que mais me deixaram satisfeita neste ano, foi a realização de uma série de vídeos sobre Natal, disponíveis neste link aqui. Os vídeos falam sobre decoração mas não apenas isso – eles trazem histórias, memórias e aquele monte de sensação que a gente só sente nesta época quando as luzes dos postes se apagam e entram os piscas, os encontros em família, os presentes entregues com tanto carinho e a alegria de encontrar quem a gente gosta. Durante as gravações, registrei alguma imagens de detalhes e doçuras que trazem refresco e uma satisfação de comemorar isso tudo com ainda mais vontade. O mais bacana disso tudo, foi conhecer pessoas (desde o padeiro que fez os maravilhosos panenotes e roscas até as profissionais que compartilharam suas ideias e emoção para uma festa inesquecível) que viraram fontes, amigos e referências de belos trabalhos. Abaixo, uma pequena mostra de muita coisa que tem por lá. É só se deixar levar.






antes de dormir.

esta é a fase da minha vida é chamada de: dormir pouco.
e hoje eu estou com tanta vontade de deixar as palavras aqui, de conversar, bater um papo. falar de um monte de coisa que tá martelando na minha cabeça.

o sono está tão pesado, meus olhos quase fechando, tô tão cansada nesta noite, me dê só mais alguns minutos, eu vou falar pouco, depois eu volto na luz do dia pra gente prosear um pouco mais.

quero falar da minha vó que sempre aparece nesta época do ano nas minhas caminhadas pela paulista ao redor das luzinhas de natal, tô com uma saudade dela. eu quero comentar sobre 2011, me deixa agradecer, permita-me falar do tempo, de tudo rápido que se passou tão depressa, me dê um pouco de calma e uma cama para eu poder descansar e pela manhã dizer, dizer e dizer.

eu quero escrever e já quase não consigo por ora. eu aprendi tantas coisas esse ano, ajude-me a repassar isso pra frente, a controlar o que eu não consigo,  a ser leve, ainda mais leve. quero falar das músicas que eu tô ouvindo, e também de sonhos, mas tudo o que me resta agora é o sono e esse peso que não se aguenta nas pálpebras. mas anote aí, vou ter mais tempo logo, eu volto, eu volto para contar tudinho para vocês do que se passa aqui dentro.

hoje, eu só preciso dormir.

*essa foto linda, que se mexe e emociona, é de um fotógrafo americano chamado Jamie.