Uma época que eu não vivi
“Eu era jovem. Uma namorada que eu gostava muito, mas muito mesmo, tinha acabado de terminar comigo. Nunca gostei tanto de alguém como aquela moça. Como menino tem mania de fazer pirraça, fui sair com outra garota no mesmo dia. Era um baile e eu a levei para dançar. Estávamos lá abraçados, dançando, quando de repente começou a tocar ‘ você foi o maior dos meus casos, de todos os abraços o que eu nunca esqueci / você foi dos amores que eu tive, o mais complicado e o mais simples pra mim…”. Eu não aguentei, comecei a chorar compulsivamente, soluçava, e derramava toda a minha dor. A menina com a qual eu dançava, era uma garota muito legal, sabia da minha história, e entendeu porque eu chorava tanto. Cheguei a molhar o vestido dela de tanto chorar. E ela sabia, que o meu choro….era pela menina que tinha me deixado.”
Essa história que eu acabei de contar aí em cima, foi uma das mais bonitas e sinceras que eu já ouvi na minha vida.

Sexta-feira a tarde.
Faço produção para um programa da Tv Mackenzie. Se quiser assistir um dia, querido leitor, é o Programa Interferência, Canal 11 da Net e 71 da TVA.
Nesse dia, antes de começarmos a gravar, sentamos eu e os quatro professores que apresentam
o programa. O tema era especial sobre o Roberto Carlos, já que na semana que vem completa 66 anos. Falamos sobre discos, cds e a biografia dele não autorizada.

Eu levei em minha mente, algumas músicas que eu lembrava e eles …. boas histórias.
Entre tantas, uma delas foi essa que eu relatei logo acima.
Cada um deles tinha uma música do Roberto e da Jovem Guarda que marcava um período da sua vida. E lá, contando, eles poderiam ficar dias…meses….falando de cada música de roberto e das suas histórias…..
Até um deles, que não gosta de Roberto, disse que quando ele ouvia um de suas canções, lembrava de um momento da sua vida.
Nessa hora, tive saudades de uma época que eu não vivi.
Comecei a pensar no próprio Roberto. Em quantas histórias, de cada música, ele deve ter. Devem ser infinitas. E em como deve ser viver sempre do passado.
Nessa mesma conversa com os professores, eles diziam que Roberto não é como antes. Ele vive do que ele já foi. O famoso Roberto, era aquele, da década de 70.

E voltei a pensar sobre. A jovem guarda, hoje, é assim. Erasmo, Wanderleia. Eles devem dizer: Bons tempos aqueles hein?!Guardam discos, fotos, recortes de jornais antigos. Dos shows, das festas, do programa na rede Record.

Do antes, do que aconteceu.
Fiquei com isso na cabeça.

No fim do programa, levei o material para o meu amigo que edita o programa. Colocamos uns cds para ouvir quais músicas se encaixariam de fundo musical. E eu disse tudo isso ele. Que eu achava triste e estranho o Roberto Carlos viver de passado. Em como deve ser isso. E Então, ele falou:
– “Mas Clara, o presente deles, é o passado”.
E, tanto eu, como ele, paramos para pensar depois que ele disse isso. Porque faz todo o sentido. Não é necessariamente triste, nem exatamente tão estranho. A questão é que o presente ou pelo menos, grande parte do presente dessas pessoas é o passado.

Uma época de auge que elas viveram, que de tão boa, mas tão boa, tornou-se um presente eterno.
Hoje, eu acredito fielmente que seja impossível acontecer o que aconteceu com o Roberto Carlos e a Jovem Guarda. Eles se firmaram como ícones da música popular brasileira, e acima de tudo, conservaram-se como um mito. A época desse pessoal, não se compara nunca com a época de hoje. Não estou falando em melhor, nem em pior. Estou falando em diferença. O impacto naquele tempo foi tão grande, que é impossível para eles, esquecê-lo nos dias de hoje.
E embora Roberto, seja o único deles que até hoje faça grandes shows e sucesso, ele continua vivendo do passado. Porque esse, é o seu presente.

Você, querido leitor, deve estar pensando que eu sou fã número 1 do rei. Na verdade não é uma questão de gostar ou não. É uma reflexão.

Eu só entendi o que é Roberto Carlos, quando fui em um show dele. Meu pai queria muito e então topei. Até então, eu nunca tinha pensado sobre o cantor. E assim, quando ele entrou no palco, a emoção tomou conta. A emoção de algo que nunca vivi na vida. A saudade de algo que não aconteceu comigo. De histórias que não se passaram na minha vida. E dava para sentir isso na platéia inteira. Fosse jovem ou velho, a mesma sensação.

Brega? Não sei.
Dizem que algumas coisas na vida não são feitas para serem entendidas. Pode ser que essa seja mais uma – sentir saudade de algo que não se viveu.

Roberto Carlos inspirou Clara duas vezes para escrever no blog, em um curto período de tempo. Ela ganhou um cd do rei de um dos professores no dia da gravação e ouviu o cd inteiro enquanto escrevia esse texto.

Anúncios

6 comentários sobre “

  1. “Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!”E eu tô mudando meus conceitos sobre o Roberto Carlos, e sobre mtas outras coisas que a gente tem conversado!!!…Tô virando sua fã nº 1 hein??? heheheheBjinho e bom domingo!!!

  2. Oi, amor!! hahahaha…Interessante vc tocar nessa questão da saudade de coisas que não se viveu. Às vezes, tenho a mesma sensação e sinto saudade daquilo que não se passou comigo.É muito complexo isso, mas penso q talvez a gente tenha a capacidade de alcançar o tempo de certos momentos e compreender o q eles representaram, no caso, a Jovem Guarda; ao entender a intensidade deles, a gente se identifica. Isso cria um vínculo forte e a gente sente falta pq sabe q não vai acontecer novamente. A grosso modo, é o q eu penso.Quanto a discussão sobre fãs, se a Ju é a sua fã n°1, eu venho antes e sou o seu fã n°0!!Bjos!!

  3. Clarinha,Independente da qualidade musical da Jovem Guarda, que não gosto muito, se há alguém que sabe traduzir o romantismo em letras de música simples e fáceis de lembrar, é Roberto Carlos. Ainda não assisti ao Interferência, mas acho que está cheio nostalgia quarentona.Com relação ao tempo, temos mania de eternizar nossas paixões, pois não nos conformamos em termos relacionamentos apenas normais. Por isso, valorirzamos, com o passar do tempo, as grandes casos amorosos, os grandes encontros entre amigos, os filhos, os pais… Até o chato do cunhado a gente dá um desconto. Parece que temos uma cegueira para percebermos a “gradiosidade” do momento presente e só o passar do tempo nos revelará a “grande verdade”, como uma mágica.Penso que fantasiar é bom e o Roberto Carlos manteve o padrão de composição até hoje o que nos dá essa sensação de um pé no passado e outro no presente. Parabéns Clarinha e Roberto. Mas sem “festa de arromba”, tá?Beijos

  4. Oi Clarinha! nussa q matéria linda..realmente eu tbm gosto muito do rei…pq as letras das músicas dele ‘são realmente lindas..Parabéns viu lindinha! bjuxx

  5. Que lindaaaaaaaaaaa!Roberto é sempre o rei, mesmo eu não gostando de TUDO dele. Reconheço – e mto! – tudo oq ele construiu com o próprio talento e achei mto bacana o seu post, florzinha!Beijosss…*

  6. Clarinha, você demonstrou muita sensibilidade para interpretar a importância do Rei na nossa música.Goste-se ou não dele, o certo é que ele não passa despercebido de ninguém.Muitas de suas canções são pobres, tanto nas letras como na melodia. Mas quando ele acerta a mão (o que aconteceu com freqüência nos anos 70, época em que você nem tinha nascido), o resultado é assombroso. Ele é o nosso Frank Sinatra.Beijocas. Até.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s