Um Natal de criança

Sempre que fico muito tempo em São Paulo, um, dois meses sem voltar para Araçatuba, sinto uma certa nostalgia quando chego na minha terra natal.

Não dura muito. Alguns dias. São momentos que lembro de quando morava aqui ainda.

Depois passa.

Dessa vez juntou com o Natal.

Ontem, com o ano novo, comecei a lembrar de como foram minhas comemorações quando nessas datas, eu era criança.

As pessoas costumam sentir tristeza nessa época. Não sinto. Tenho saudades de sensações antigas dessa data, mas não com vontade de que voltem, com vontade de lembrá-las.

Catanduva.Avós maternos.

A árvore de Natal nunca mudava. Pequena e com o melhor pisca-pisca que já vi na minha vida. Anos e anos de festa. Nunca, uma única lâmpada queimada. Era colorido, com formato de flores pontiagudas, que piscavam sem pressa, como se soubessem que teriam que aguentar até o ano seguinte.

A mesa da sala se enchia de castanhas, amendoins, frutas, um tender com abacaxi, cerveja para os mais velhos, refrigerante para mim e minhas irmãs.

E a festa era só com a gente mesmo. Pais, avós e irmãs. Às vezes aparecia alguém na casa da minha avó para desejar boas festas, mas gostávamos quando todo mundo ia embora, e só sobrávamos nós.

A maior atração da casa da minha avó é uma janela bem grande que fica de frente para a rua. Sendo assim, a bagunça era desejar feliz natal para todo mundo que passsava pela calçada, e quem retribuia, recebia tchauzinhos e sorrisos.

A hora dos presentes era a mais esperada. Não há época melhor que o Natal quando se é criança.

Uma vez ganhei um teclado vermelho com um microfone amarelo.
Um teclado pequeno, nada profissional.
Foi o melhor presente do mundo.

Minha avó andando pela casa brigando com o meu avô. Isso acontece até hoje. E eu ainda acho que nenhum consegue viver sem o outro.

Colocava o meu vestido mais bonito e arriscava um batom vermelho na boca. Nada de sapatos. Em casa, desde sempre, fico descalça.

A ceia, um pai-nosso, e muitos abraços. A música era da tv e os fogos, da rua.

A hora do brinde, era o único momento que tomava bebida de gente grande. Champagne. Não gostava do sabor, amarrava na boca, mas tomava com o maior gosto. Era noite de Natal.
Anúncios

3 comentários sobre “

  1. Clarinhamigaaaa!!!!Senti-me nesse cenário colorido. Quantas cores! Quanta vida! Daí: tanta simplicidade.Simplicidade — é seu sinal de grandeza!Beijo

  2. Lembrei dos meus… sempre com muita gente, casa lotada, família grande é assim… passávamos meses sem se ver, mas família é família, qnd chegava o natal era sempre a mesma coisa, aquela intimidade até com o novos agregados. Mas o meu natal preferido é sempre o último. Muito carinho pra vc minha ternura!Bjaooo

  3. Que recordações lindas…me vi na casa Paterna…ha muito tempo atrás. meus Natais eram os mais perfeitos possíveis.com realidade pura d. um anjo.Deitavamos cedo porque o Menino Jesus iria chegar.meus irmãos mais velhos colocavam alfafa nos degrais da escada.milho, e depois com uma caneca formavam pisadas na grama, como se um burrinho estive-se passado por ali.Um grande abraço…muita Luz pra vc anjinha.bejos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s