Depois de um Rio


A poltrona era 22E.
Queria janela, mas meu o lugar era o do meio – entre uma moça arrumada e um senhor de gravata.
Ao sentar, duas semanas desmoronaram dos meus ombros.
Coloquei os cintos, e abaixei a poltrona. Pouco.
Inclinações de poltronas de avião não podem ser levadas à sério.

Fechei os olhos e com o pescoço inclinado, procurei um travesseiro.
Olhei pro lado e vi a asa do avião. Poucos minutos para decolar. Não gosto dessa parte.

Um moço sentado a minha frente ansiava uma conversa. Ele sinalizava expressões de indiferença, mas o seu rosto dizia que a primeira pessoa que sentasse ao seu lado, iria ouvir suas opiniões sobre o clima, companhia aérea e serviço de bordo.

Em pouco minutos, uma mulher loira sentou ao seu lado e comentou sobre o forte ar condicionado da aeronave.

Pronto. Ele fez uma boa viagem.

Por poucos minutos, cochilei. Não ouvi bagageiros se abrindo ou comissários pedindo para que eu apertasse o cinto, até que o avião começou a andar.

Caminhou por toda a pista, exercitou a partida.
O aeroporto Santos Dummont era a minha última vista do Rio de Janeiro.

As turbinas começaram a girar. Barulho.

A nave decolou e tudo ficou pra trás, lá embaixo. O albergue dos travesseiros de espuma, o hotel com banheiro azul, o supermecado com águas a 29 centavos, a banca de jornal que não vende Estadão.

O senhor da gravata, ao meu lado, dormia. A moça, se concentrava em mais uma camada de rímel. O seu noivo a esperava em São Paulo.

Há um mês daquele vôo, comprei novos pijamas e tirei as havaianas do armário. Carreguei as pilhas da câmera fotográfica e dobrei uma blusa de frio pra garantir.

Agora, uma mala de 15 dias estava a caminho de ser desfeita.

Quando minha mãe soube que eu passaria tantos dias no Rio, ficou apreensiva.Quando eu soube que passaria tantos dias no rio, sabia que ela ficaria. Minha irmã só dizia que quando ela menos esperasse, eu já estaria de volta.

A tão cidade maravilhosa estava lá, no lugar dela. Eu que sairia do meu.

Um canal, um curso, uma proposta diferente. Fui.

Trinta e cinco pessoas e muitas histórias.
Manaus, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo – eu.
Pela primeira vez eu não era de Araçatuba.

Por tantos dias no Rio de Janeiro tive medo de lá. Da violência ou pelo menos da violência do jeito que eu acreditava que existia. E isso no começo parecia ser um empecilho, até que decidi desligar o jornal naquelas semanas, e me sustentar não em notícias que tinha ouvido, mas nos momentos que eu passaria por lá.

E esses momentos só foram bons porque estive com pessoas que transformaram qualquer insegurança ou estranhamento em sorvetes, gargalhadas e caminhadas na praia. Quando se está em lugar que não é a sua cidade o apego às pessoas que tenham características iguais a sua ou algumas que você gostaria de ter, é ainda maior.

E tudo o que parecia diferente, vira rotina e acalma.

Já depois de tudo terminado, era um fim de semana a volta na poltrona 22E, trouxe tudo o que tinha acontecido naquela viagem e todo o carinho que eu criei por aqueles amigos que ficaram nas minhas fotos e pequenas filmagens. E a palavra “amizade” eu posso dizer. Porque não importa a quantidade de vezes que os verei e se os verei, pois naqueles momentos…. nós fomos amigos.

Ao chegar em São Paulo, meus pais vieram do interior para comemorar mais uma boa viagem no meu ainda começo de estrada. Disse a eles, que não gostava de despedidas, que dar tchau sem saber quando será a próximo encontro, é meio nostálgico. E quem é que gosta?

Meu pai, respondeu tranquilo: “Elas acontecem a todo momento, não há porque se preocupar”.

Eles ficaram dois dias em São Paulo, e eu já estava me acostumando a ficar puxando a orelha do meu pai e a mexer no cabelo da minha mãe. Mas no domingo, eles também precisavam ir embora.

Quando eu percebi, já estava me despedindo novamente. E me chateando por outra vez.

Mas as despedidas não são vazias ou egoístas a ponto de só aparecem para tirar a nossa graça.

Elas, só podem ser tristes, se é esse mesmo o nome correto, quando os momentos que as antecederam foram de alegria pura, de afinidade mútua – aquela tão boa de se encontrar, de desligamento da realidade, de despreocupação por horas e horas….

Pensando bem….que venham mais delas.

Anúncios

9 comentários sobre “

  1. Vale um comentário! ^^Retirá-lo no meu blog! ASIUDHIASHDIASmuito bom o texto, pra variar neh? AUSDIAUSd;***

  2. O teu último parágrafo me fez pensar bastante. É isso mesmo – se a despedida é inevitável que os momentos que a antecedem sejam sempre assim meio trash, meio underground, mas que valha a pena!E, eu sou otimista, você sabe. Ainda terá muitos textos desses por aqui porque nos encontraremos algumas milhares de vezes.

  3. AhHhHLer este post me fez lembras das caminhadas…dos sorvetes…enfim..do Rio que eu..e mais 30 e lá tantas pessoas curtiram com vc…Obrigado Ternurinha pelos momentos…que vão ficar no coração de todos nós..Bjooo!

  4. Q texto ternuroco Clarinha….Vc é uma das pessoas que lá no rio era sinônimo de amizade. E por mim ela vai durar por mto mais tempo…Bjos

  5. Que coisa mais linda de ler….. até tive vontade de chorar, sabia???Viva, a ternurinha é nossa!!!! heheheAmo vc!!Bjinho

  6. O ter, qnd q vc vai escrever e eu não vou me emocionar? Já virou rotina isso!Fico mto feliz em saber q essas duas semanas longe de mim trouxeram mtas coisas boas. Vc merece!!!Bjaoo

  7. Nossa menina… Você escreve bem demais… O ambiente do avião me fez acreditar q estava na poltrona do seu lado..hahaha… e os pensamentos então?! Muuuito bom mesmo… Voltarei mais vezes ok?! bjo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s