A fila

Fui no Banco do Brasil hoje, lá é tudo complicado.
Duas horas para ser atendida e desbloquear a minha senha.
Tirei uma revista da bolsa e experimentei uma bala azul da mesa ao lado.
Cruzei as pernas, mexi no cabelo. Terminei a revista e guardei.
Observei o velhinho pedindo ajuda no caixa e percebi o tempo escuro pela janela.
Fixei atentamente as senhas piscando. Elas não piscavam.
A minha de número 333.
Na tela, 321. E disso não mais saiu.
Suspirei e reclamei baixinho.
Olhei brava pra o atendente quando ele parou para tomar um café.
Olhei no baleiro e as balas tinham acabado.
Desejei que alguém me ligasse.
Queria comprar outra revista.
Quase fui embora. Esperei.
333. Meu número.

– Vim desbloquear a minha senha.
– Ok. Seu RG, por favor.
– Aqui está.
– Pronto, tenha um bom dia.

Em menos de cinco minutos, saí agradecida e mais feliz que qualquer pessoa daquele banco. Olhei no relógio e vi que tinha ficado exatamente duas horas na espera.
Com a senha desbloqueada, isso não parecia mais importar. Dei bom dia para o segurança, guardei o cartão no bolso e sorri.

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