O melhor ofício do mundo

Não há nada mais incrível para um jornalista recém-formado (se é que essa expressão ainda existe), entrevistar profissionais que já estão há um bom tempo no mercado fazendo um trabalho admirável e que funciona.

Ontem conversei com Pedro Dória por telefone. Leio sua coluna no Estadão há uns quatros anos. Além do impresso, ele foi um dos pioneiros na transmissão de conteúdo virtual por blog. Escreve para revistas e sabe tudo de tudo.

Perguntei para ele algo que estou pesquisando há um tempo para um matéria – se existe o jornalista multimídia. E entenda-se por isso, aquele profissional que escreve para impresso mas também filma, edita, posta em um blog e está ligado às redes sociais.

Pedro odeia o Orkut e o Facebook. Acredita que não servem para nada, não agregam ao mundo do jornalista. Quanto ao twitter, ele gosta e usa porque acabou virando um portal de notícias. Para ele, não basta ser multimídia e estar conectado. Tem que ter um sentido.

No final das contas, ele se define como um: multimídia entre aspas. Assim mesmo. Além de saber escrever muito bem, as outras habilidades (filmar,fotografar,editar) foram aprendidas na base do instinto. Porque ele sentia necessidade de aprender. Com o blog foi a mesma coisa. Se você não tem blog para divulgar seu conteúdo, e não está conectado ao mundo virtual, você não está por fora, só está perdendo boas oportunidades.

Para ilustrar, ele contou sobre uma vez que atravessou a Espanha blogando, filmando e fazendo tudo ao mesmo tempo. Foi interessante, mas equivalente a cobertura de uma guerra. Dá um trabalho danado e “você acaba fazendo tudo e não fazendo nada”.

No final, a entrevista acabou virando um bate-papo que rendeu idéias ainda mais legais para completar toda a discussão que eu vinha acompanhando sobre esse assunto até então. E a cada final de conversas como essas eu fico pensando se existe profissão melhor que a de jornalista.

Já dizia Gabriel Gárcia Marques, é o melhor ofício do mundo. Não dá para entender, portanto, como os professores, no começo da faculdade, falam tão mal do jornalismo (que o profissional, ganha mal, trabalha pouco e é desmotivado).

Quando se descobre de fato, o que é o jornalismo e quantas possibilidades são abertas nesse caminho, não tem como se convencer de que pode ser ruim.

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Um comentário sobre “O melhor ofício do mundo

  1. É verdade, Clara, e é muito bom ver uma pessoa recém-formada com esta paixão pela profissão, apesar do que lhe disseram na faculdade. Jornalismo é vocação, como diz Gabo, e só se torna um bom jornalista quem percebe e internaliza isso. Um bom professor de jornalismo precisa ter vocação para o jornalismo, também.

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