A história de Luciana, Sabrina e eu



Luciana e eu sentávamos na última fileira. O horário era cedo e ela sempre chegava cheia de histórias do trabalho para contar. Naqueles dias, Luci era a única da nossa turma que já trabalhara em uma grande empresa, e por isso sabia muito bem o que era cumprir metas, horários e ouvir broncas do chefe.

O professor começava a falar sobre o fim do papel impresso e sobre todas as mudanças que a tecnologia traria ao nosso trabalho. Sutilmente, nós abríamos o Estadão e começávamos a balbuciar as notícias do dia e as crônicas do Marcelo Rubens Paiva e do Matthew Shirts. O jornal era mais interessante do que aula. Não que isso tivesse sido sempre assim…. mas nos últimos semestres, a vontade de sair nas ruas e ver de perto quem era esse tal jornalismo, nos deixava inquietas nas cadeiras da faculdade.

Quando algum escândalo político repetido estourava ou um novo filme estreava no Espaço Unibanco, saíamos disfarçadamente para discutir. Ela com os tênis discretos e eu com as minhas botas barulhentas. O nosso destino era o terceiro andar do prédio. A lanchonete. Cappuccino espumoso para mim e para ela, apenas um café.

Dez minutos depois, chegava Sabrina. Livros embaixo do braço, sorrisão no rosto. Ela tomava chá e trazia os livros de antropologia que tentavam explicar o nosso TCC. Sasa falava de Osasco, reclamava das aulas sem sentido e trazia nomes que poderiam inspirar a nossa escrita. Fechava e abria as mãos quando explicava algo complexo e completava as nossas gargalhadas a cada situação espontânea das pessoas naquele pequeno espaço.

O nosso grupo estava formado. Desde fevereiro de 2008 até dezembro do mesmo ano contamos uma história que deu origem a um livro. A nossa vontade era descobrir um mundo novo, completamente exótico e por quê não subjetivo e às vezes até incoerente. Como o mundo de todo mundo.

Descobrimos os freegans a partir de uma reportagem em uma revista. Um grupo cheio de ideologia e com práticas sustentáveis que chegam ao extremo. A partir daí, convivemos e nos ligamos a eles. Na teoria, observação participante. Na prática, amadurecimento pessoal e profissional.

A capa segue no começo deste post.

Depois de seis meses da primeira impressão para os familiares e professores, a busca agora é por uma editora e pela veiculação de muitos mais dele.

Jornalista faz de tudo. Ouve, conversa, segue temas criativos e inspiradores. Mas, diga lá, o melhor de tudo é contar boas histórias. As primeiras de muitas que ainda iremos ouvir foram reunidas nesse projeto. Um livro escrito a seis mãos. As experiências, os bastidores, o estranhamento e os passos de três jornalistas atrás de pessoas e seus estilos de vida estranhos, diferentes e de beleza única.

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