Eu ainda gosto dele


Salon – Sr. Anderson, vamos falar sobre o futuro do jornalismo.

Anderson: Esta será uma entrevista muito tediosa. Eu não uso a palavra jornalismo.

Salon – Tudo bem, e quanto aos jornais? Eles estão em maus lençóis tanto nos Estados Unidos como no resto do mundo.
Anderson: Desculpe, eu não uso a palavra mídia. Não uso a palavra notícia. Não acho que essas palavras signifiquem alguma coisa hoje. Elas definem o mundo editorial do século 20. Hoje, são uma barreira. Elas estão bloqueando nosso caminho, como uma carruagem sem cavalos.

Salon – O jornal do lugar onde você mora, o San Francisco Chronicle, está lutando pela sobrevivência. Se ele desaparecesse amanhã…
Anderson:
… Eu não perceberia. Eu não saberia nem mesmo o que estaria perdendo.

Salon – Então como você se mantém informado?
Anderson:
A informação surge de muitas formas: pelo Twitter, aparece no meu inbox, na minha base de RSS, através de conversas. Eu não saio procurando por ela.

Salon –
Você simplesmente não se preocupa.
Anderson:
Não, eu me preocupo. Você sabe, eu escolho minhas fontes, e eu confio nas minhas fontes.

Salon – Assim como milhões de pessoas confiavam na mídia tradicional.
Anderson:
Se aconteceu alguma coisa importante no mundo, eu vou ficar sabendo. Fico sabendo dos protestos no Irã antes de eles aparecerem nos jornais porque as pessoas que eu acompanho no Twitter se preocupam com essas coisas.

Anderson é editor-chefe da revista Wired, uma das mais conceituadas publicações de tecnologia e cultura no mundo. Nessa entrevista traduzida para o site Salon.com, ele discute o desafio da Internet em relação à imprensa tradicional. Ao ler o bate-papo na íntegra, você vai perceber que ele prefere muito mais o twitter ao jornal impresso.

Eu gosto da internet, do twitter, deste blog e de receber informações e links no meu e-mail. Mas se me perguntassem:

Você sentira falta caso o seu jornal impresso deixasse de existir?
Sim e não pergunte de novo.

Eu sentiria uma falta profunda do meu jornal. A gente não briga, ele não me irrita e sempre traz novidades de lugares novos e programas culturais em São Paulo. Ele me fala da chuva. Ele me explica a gripe. Ele não me deixa enganar pelo Sarney. Já completamos 4 anos juntos e eu não quero me separar tão cedo. Só se ele quiser.

Quando se acostuma com o papel, não é tão fácil trocá-lo pelo twitter. Prefiro somar, não substituir. Ele é desajeitado, grandão e sujo. Incomoda ao ser aberto no ônibus e faz um barulho chato quando dobrado. Mas ele é meu. Me espera na porta, faz companhia ao meu café preto e não reclama quando eu separo todas as suas partes e levo para o trabalho, apenas as minhas favoritas.

Eu me preocupo. Ligo quando não chega, mas me chateio quando, já no dia seguinte, tenho que jogar no lixo suas notícias velhas e reproduzidas centenas de vezes na internet.

Mesmo assim, eu gosto dele. Ainda gosto. Muito.
E não me faça mais essa pergunta.

Anúncios

Um comentário sobre “Eu ainda gosto dele

  1. Concordo plenamente! Ler um jornal não é a mesma coisa que ler a notícia na internet. Não sei explicar porquê, mas não é. :P

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s