Stockinger: o artista sem nome


Exposição de arte é o tipo de programa que eu gosto de ir sozinha. Não é como um filme em que você sente as emoções ali na hora e precisa de alguém ao lado para comentar e dividir as reações. Arte exige tempo, silêncio e solidão.

Este final de semana fui ao MASP ver a exposição do Francisco Stockinger, um escritor e artista austríaco naturalizado brasileiro.

Xico, como é conhecido, é famoso pelas obras feitas com ferro fundido. Em um dos pavilhões do museu, há 67 projetos seus, entre xilogravuras, esculturas e desenhos.  Quando eu fui, não haviam muitos visitantes, já que a maioria se ocupava no setor do artista Max Ernst, figura central dos guias e jornais que indicam passeios em São Paulo.

Eu estava mais para o Xico.  Ali, ele mostrava ali figuras gigantes sem rosto que de tão maciças e pesadas, traziam nos ombros, gestos e braços toda a sua expressão. Os traços concretos, com olhos, boca e nariz não faziam falta.

O mais interessante e que me fez ainda mais agraciada pelas suas obras, foi a falta de título na maioria delas. Algumas das esculturas de Stockinger traziam na placa de identificação a seguinte frase: sem título.

Eu gosto. Uma arte sem nome é uma arte livre e por isso, eu posso dar a ela a interpretação que eu quiser.

Olhar uma escultura em que o nome é ” o gato” ou “o trabalhador”, te faz preso a uma nomenclatura, a uma única visão e a um quadrado sem aberturas.

Mas ao criar uma escultura grande de ferro e dizer que ela simplesmente não tem nome, faz de você livre para vislumbrá-la da forma como quiser. Triste, alegre, homem ou mulher.

Stockinger morreu no ano passado e eu pouco sabia da sua história desde então. Visitar os seus trabalhos no museu, no entanto, mesmo sem ter acompanhado a sua carreira, já deixa claro e visível qual era o tamanho da sua sensibilidade ao trazer figuras feitas o coração, sem rótulos e limites.

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Um comentário sobre “Stockinger: o artista sem nome

  1. Você, caro leitor abençoado dos textos dessa menina, diga com sinceridade: alguma vez leu nos jornalões e revistonas da vida a descrição de uma obra de arte como esta que acabou de ler? Leveza, concisão, objetividade e conhecimento. Frases curtas, nenhum jargão nem lugar comum:
    “Os traços concretos, com olhos, boca e nariz não faziam falta.”
    “Uma arte sem nome é uma arte livre e por isso, eu posso dar a ela a interpretação que eu quiser.”
    “Arte exige tempo, silêncio e solidão.”
    Certo. Mas os textos da Clarinha merecem multidão.

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