de Moraes.

Eu gosto de pessoas que são boas com as palavras.

Que colocam um significado em cada balbuciar. Que não dizem à toa.
Eu gosto de ouvir o que é bonito e até mesmo o que é feito e fica bonito na boca de quem sabe dizer.

Vinícius era bom com as palavras.
Ele dizia vontades, emoções e em seguida alternava tudo com momentos de sufoco e depressão como se nada fosse uma coisa só.

Quando eu ouço Vinícius, eu me lembro de como é bom falar exatamente o que se quer dizer.
Ser direto, sem repetições ou falsos desejos.

Ele me lembra de como é bom expressar isso que é tão meu e que pode chegar a qualquer pessoa.
E que é muito valioso para ser desperdiçado.

Vinícius me faz querer dizer e ao mesmo tempo diz por mim. Por quê falar o que não vai mudar nada?
E para quê economizar os elogios, o amor? No que é bom e pode ser dito de graça?

Para quê dizer quando o melhor é parar?
Como falar, Vinícius? Diz para mim.

O que uma vez é dito, fica ali registrado para sempre.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

(Vinícius de Moraes)

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