Quando a dor acontece

E de repente acabou.

Hoje, a mãe de uma querida amiga faleceu. Um atropelamento, uma fatalidade. E assim as coisas saíram do rumo.
Algumas notícias parecem que nos lembram que a vida não merece tanta tela de computador.

É nessas horas que você deseja força, fé e coragem para ela, que perdeu alguém tão essencial. No fundo, a sua racionalidade está em pedaços e você já nem sabe mais no que acreditar. É também nesse momento que você pensa se está fazendo certo, se ligou para quem você queria essa semana, se ouviu o que sua irmã te disse ontem sobre o gato que encontrou na rua e se permitiu a si mesmo não se entregar tanto a uma regra que não dá a vida por você.

Uma dor que passa do limite do suportável revela que a preocupação com o trabalho intenso a que você se dedica todos os dias não vai te trazer saudades no futuro. Ela também mostra que aquela corrida cega e determinada para conseguir um espaço naquele cargo, naquela empresa, com com um bom salário, não vão preencher sua satisfação. E que a reclamação sobre tantas coisas, tantos erros, tantas faltas, vai se perder…no exato momento em que forem exclamadas.

Um corte na alma como esse mostra que de tudo, de cada hora do seu dia, só uma coisa será lembrada por você com vontade e carinho de viver novamente: as pessoas. Do que você pensar de manhã, dos livros que ler, das reuniões que participar e dos cafés programados, só algo fará questão de fazer parte da sua memória: quem participou desses momentos.  O resto é distração, assunto, preenchimento de espaço.

Em um instante, a estrada muda. Ela leva as pessoas, os maiores amores da sua vida. E independente se, nesse momento, você irá acreditar em destino, sorte ou azar, há apenas uma coisa que poderá superar essa dor: a segurança de que, durante toda a sua vida, você se esforçou para se lembrar de quem você não podia esquecer.

* a foto é de Joe Coleman.

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4 comentários sobre “Quando a dor acontece

  1. Os egípcios diriam que seu texto é a alma em cuneiformes; Guttemberg, a alma impressa; Bil Gates, digitalizada.
    Texto eterno.

  2. Clarinha, eu não sei se vc sabe, mas eu tbm perdi minha mãe. Já faz 10 anos. Na época, eu tinha 15.
    Eu era tão pequena, tão ingênua, tão feliz. Estava naquele momento da vida em que você ainda não sabe o que será pra sempre. Qdo aconteceu, eu senti medo de os anos se passarem e eu me esquecer do rosto da minha mãe. Mas, o tempo me mostrou que não é necessário esforço algum… ela é, sem sombra de dúvidas, a pessoa que nunca vou esquecer. É nela que eu penso quando acordo, quando durmo, qdo dou risada e qdo choro.

    Texto sábio, doce e cheio de sentimento.

    Obrigada, querida! ♥

  3. Que linda você, Mari! Obrigada por compartilhar isso comigo! E eu não tenho dúvidas de que sua mãe está sempre com você…em todos os momentos ♥

    obrigada,
    um beijo grande! :)

  4. Pingback: o magrão morreu ou porquê você precisa se lembrar da morte | …Às Claras….

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