Poema do jornalista

Eu não quero definições exageradas.

Falar, dizer e me explicar como se eu fosse a própria resposta.
Não vou perguntar apenas para aparecer antes dos outros, que ali também perguntam.

E balbuciar como se conhecesse.
E estar da forma como todos já estiveram, na mesma posição.

Prefiro o silêncio ao excesso. Eu quero ouvir.
Quero muito te ouvir.

E já que escolhi ser jornalista, deixe-me ver você.
O cabelo, a forma como sorri.
A bochecha enrrugada, as mãos que não se aguentam esticadas.

Me faz calar. Conta a sua história, sem pressa, pode ir.
Mostra as fotos, aquelas que ninguém vê, nem você.

Faz um café pra gente. Eu quero ver se você prefere o forte ou o descafeinado.
Durante a preparação da bebida, eu vou torcer para o seu telefone tocar.
Quero saber como você fala com a sua família. Se tem carinho pela filha ou sente falta do cachorro.

Prepare as torradas, estou curiosa para ver se você coloca queijo em cima delas.

Não deixe-me distrair pela TV, pelos clichês e por aquilo que eu não quero ser.
Me faça ser mais, corrija-me se eu te ofender.

Eu não vou te interromper ou tentar entender o que é autoexplicativo.
Prefiro perder a discussão a falar para te conduzir.

Permita-me sentir à vontade para ficar.
E para perguntar quando suas explicações exclamarem por uma voz.

Se você é o meu entrevistado, eu serei apenas eu.
Da melhor forma que consigo ser.

*a foto acima é de leonália.

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