De Pepy para Ana

Ana,

As coisas não estão muito boas para o nosso lado. O dos homens, eu quero dizer. Esta semana, minha irmã terminou um namoro de poucos meses e jurou a si mesma nunca mais se apaixonar por promessas. A minha prima também não vai mais se relacionar com ninguém e, às vezes, acho que a minha mãe concorda com todas elas.

Veja, eu não moro mais com a minha família, não sei até que ponto os homens faltaram com elas e generalizaram todo o processo, mas o fato é eu precisava escrever que você ainda tem a mim.

Hoje eu fui à academia pela primeira vez,tentar resgatar um pouco mais de força no joelho esquerdo, para te acompanhar na sua nova meta de correr aos finais de semana. Também tentei colocar em prática aquele molho de macarrão que você me ensinou, mas me sinto um bobo perto de um fogão. Sempre falta o sal e o nosso clichê de cozinharmos juntos, com o rádio ligado.

Tem dias que eu nos imagino felizes como são os casais naqueles filmes dos anos 50. Ou então penso em uma cena com você sentada no meu colo com os olhos de Sophia Loren, enquanto eu me divirto mostrando um sorriso de Elvis, no auge da sua juventude.

Eu sei que as mulheres estão decepcionadas mas você precisa saber que se, um dia, eu fizer o mesmo com você, será porque perdi minha capacidade de pensar. Nós homens somos assim mesmo. A gente se deslumbra no primeiro instante mas, depois, ficamos tão seguros do que vocês sentem por nós, que soltamos a taça e deixamos tudo cair.

Me avisa se eu for como todos? Provavelmente nesse dia eu vou estar do avesso, fora de mim, um completo idiota. Será que tem como você me chacoalhar? Balançar a minha cabeça, jogar água na minha cara só para eu não cometer o mesmo erro? Se eu disser ‘não’ para você qualquer hora dessas, promete que não acredita?

Pensei muito em você hoje, como acontece em todos os cinco dias da semana. Às vezes eu quero pedir demissão só para ver se, deixando de trabalhar, o sábado chega mais rápido. E também para saber se eu sentiria falta de todas aquelas pessoas do escritório, como eu sinto de você.

Eu não vou escrever ‘te amo’ aqui no final, porque o ex-namorado da minha irmã sempre dizia isso a ela. E se ele a magoou tanto sentindo amor, eu preciso inventar outra palavra para mostrar o que eu sinto por você.

Nos vemos no fim de semana,

Pepy.

(texto de Clara Vanali)

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8 comentários sobre “De Pepy para Ana

  1. Inteligência emocional é nata ! ñ se aprende nos livros. Poucas pessoas a possuem. O velho ditado da bisa Chiara, vale ainda em nossos dias. ñ adianta jogar pérolas aos porcos eles ñ saberão reconhece.-las…..bjs amore….amamos vcs….

  2. Pingback: esta não é uma história de amor | …Às Claras….

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