irrelevância.

Estou lendo um livro da Inês Pedrosa, então é possível que de vez em quando vocês vejam uns trechos aqui e ali. Ela é ótima em descrever sensações, esta aqui abaixo é uma delícia de ler.

*Os Íntimos. Pensamentos de Afonso, um dos personagens:

Não sei porquê, de repente senti que havia ali um clima. Éramos amigos há anos, e nunca se tinha passado nada. Naquela noite olhei pra ela de outra maneira. Subimos aos nossos respectivos quartos e eu telefonei-lhe, perguntei-lhe se podia ir ter com ela ao quarto. Ela respondeu-me: “Já bebeste demais. Não.” E a coisa teria ficado por ali, se não fosse um pequeno comentário dela, na manhã seguinte, quando nos cruzamos ao pequeno-almoço. Disse-me: “Olha, eu ontem disse-te que não porque de facto tinhas bebido muito. Mas não fiquei zangada contigo”. De modo que, nessa noite, só bebi água. Ao fim da noite fui dizer-lhe isso. E ela disse-me que subisse ao quarto dela. A verdade é que, se não fosse aquela pequena frase, eu nunca mais teria me aproximado dela com intenções sexuais, e a história teria terminado antes de começar. As nossas vidas decidiram-se naquela frase irrelevante. 

E quem é que nunca teve um momento da vida resolvido em uma frase irrelevante?

*Essa foto do Louis Garrel pensativo, que cabe muito bem com o texto, é daqui.

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2 comentários sobre “irrelevância.

  1. Pingback: adeus, pedrosa. | …Às Claras….

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