a árvore da minha vida.

muitas vezes durante o dia eu penso que gostaria de ficar menos no computador e mais com meus pais.

hoje fui ver a árvore da vida, que todo mundo criticou, não gostou, acharam cansativo. o filme, no entanto, tem coisas boas. especiais. e me emocionou muito porque me fez lembrar da gente lá em casa. eu.pai.mãe e irmãs.

desde quando eu sai de casa, eu nunca mais voltei. Lembro que, aos 17 anos, quando peguei o ônibus para prestar o vestibular – e apenas prestar, eu nem tinha passado ainda, minha mãe chorava muito no rodoviária – porque no fundo ela sabia, que eu já estava indo pra não voltar mais, para não ter mais aquela rotina com eles.

e isso é o que mais dói, na verdade. saber que nunca mais vou ter aquela rotina. acordar cedo, tomar café ouvindo o rádio da diarista tocar, conversar com meu pai enquanto a gente divide o jornal, ficar com a minha mãe na sala assistindo qualquer filme na tv. sem pressa. sem pensar que no domingo eu terei que ir embora, ou que dali a duas semanas minhas férias acabarão e eu precisarei voltar. o prazer de ter um contínuo sem data para acabar.

dias desses, em um almoço do trabalho, uma amiga me disse que morar longe dos pais é uma vantagem, de certa forma. Ela estava certa. é mesmo. a gente fica mais livre, se conhece melhor, não deve lá muitas satisfações, segue a liberdade, as vontades, cresce, faz coisas interessantes que jamais faria se morasse com eles. eu tenho sorte por isso. eles estão longe e com isso eu sei que vivo uma vida de emoção e aprendizado a todo momento. ao mesmo tempo, eles me guiam e se entusiasmam com o que acontece comigo aqui, enviando todo o amor do mundo.todos os dias.

a nossa relação se estreitou desde que vim para cá, a gente se vê melhor quando se vê, se ouve mais, se deixa estar em felicidade. mas o tempo enquanto isso, passa tanto, com tamanha velocidade, que às vezes parece insuficiente para nós. para o quanto a gente se gosta e ainda quer ficar junto.

eu tenho tanta saudade de certas coisas. e até daquela ingenuidade que não é a mesma. daquela época em que a gente acreditava no Deus e então era só rezar e pedir que tudo passava. hoje a gente acredita no quê? no universo talvez, nesta energia do ir e vir, de encontros que embora não sejam diários, nos fazem mais próximos e generosos, para lembrarmos que por mais corrido, exausto e sem sentido que tudo seja, as pessoas são as responsáveis pela nossa grande vontade de viver.

essa emoção de encontrar, de conversar, tomar um café, comer uma pizza lá em casa. eu comprei um vinho novo. meu violão já está afinado. você viu as fotos novas na parede do meu quarto? a semana se foi já, vamos sair, falar, troca essa música, eu já aprendi a receita do pão, adorei seu óculos novo. tá linda, mãe, você sabe que é a mais bonita.

pai, mãe, eu quero tanto vocês. penso exaustivamente na gente. que só de saber desse amor profundo já consigo me levar para longe, muito longe. e vocês – que sabem da minha alegria por morar em são paulo, nesta novidade sem fim que – mesmo com saudades, me ajudam a estar, a ficar e manter o equilíbrio de uma vida que não seria a mesma sem nós.

vocês estão perto eu sei, isso é o melhor que temos.

* Na foto, tempos atrás – papis e eu.amigos até sempre.

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14 comentários sobre “a árvore da minha vida.

  1. Clarinha, lindo texto como sempre! Me identifiquei muito com ele, embora não tenha mudado de cidade, mas apenas saído dessa convivência diária com meus pais. Ontem estive com eles em um parque que frequentei durante minha infância e adolescência. Foi bom lembrar com eles das coisas que a gente fazia, mas foi melancólico também saber que esse tempo não vai voltar mais. Beijos,

  2. Clarinha, eu odeio melação, mas vc é a única que me deixa emocionada lendo blog na frente do computador.
    um beijo

  3. Bom, pelos princípios que cresci, e a ordem certa das coisas, este é o melhor de seus escritos Clara, parabéns e continue assim, meus sentimentos são os mesmos com relação aos meus pais! Abraço.

  4. Chorei ao ler. Agora não sei definir o porquê do meu pranto. Afinal, existem vários “porquês” nele.

    Por eu ter perdido a minha mãe cedo, e por isso não sentir esse afeto maternal há muito tempo.
    Porque eu nunca tive aquilo que poderíamos chamar de ‘amor paternal’. Afinal, eu nunca tive um pai.
    Pela perda recente da minha avó/mãe.
    Por conta da Solidão, que machuca tanto…ou mesmo por conta das belas palavras da crônica em questão, que aquebrantam até corações de pedra.

    ….De qualquer forma, eu espero que as pessoas valorizem seus pais SEMPRE, pois é horrível não tê-los. É Indigno. Doloroso.

    E a minha Dor, o Tempo irá curar. Obscurecer.

    Um forte abraço.

  5. Puxa, Lucas! Que bacana você compartilhar a sua história aqui. A saudade é mesmo dolorosa, com o tempo a gente aprende ou se acostuma com ela. é a vida, sempre ela. Obrigada. abs!

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