O dia em que eu não falei com o Marcelo Rubens Paiva

Ele estava no Spot. Aquele restaurante da Ministro Rocha de Azevedo que tem o melhor penne que eu já comi na vida.

Em uma noite de sexta ou sábado, esperamos pelo menos 1 hora na parte externa para conseguirmos uma mesa lá dentro. Pedimos vinho. Eu e minha irmã. E também um antepasto que serve pouco mas traz aspargos com um azeite irresistível – caro e ainda assim vale os muitos centavos. É um bar um tanto quanto blasé mas convence qualquer um a passar a noite por lá principalmente pela fonte d’água do lugar que muda de cor e faz chuá chuá, o barulho de gotas que transforma qualquer ponta de esquina em um ambiente agradável de ficar.

Marcelo estava nessa área, a espera de uma mesa livre também. De longe, parecia estar sozinho. Cutuquei minha irmã – a lá, a lá, a lá, é ele lá! Eu não gosto de tietagem, nunca pedi um autógrafo e uma única vez que trabalhei em uma revista de celebridade, pedi demissão. Às vezes, no entanto, tenho vontade de seguir os conselhos de uma amiga que diz que quando você tem vontade de dizer, tem que ir lá e falar logo. No caso dela, toda vez em que está numa roda de amigos e apresentam-na um cara muito bonito, ela fala logo de cara: pô, eu preciso dizer, você é bonito pra c*!

No meu caso, eu queria dizer – Marcelo, não vou tomar muito seu tempo, mas eu leio todas as suas crônicas, você escreve pra c*! Obrigada pelos textos, bom jantar, até uma próxima.

Pronto, seria só isso. Não daria nem tempo dele apagar o cigarro.
Esperei chamarem o nosso número para entrar. Pedi o penne que, para quem ficou curioso, é servido com melão e presunto de parma; terminamos o vinho e por vezes observei o marcelo já dentro do restaurante também acompanhado por amigas.

Em um certo momento, ele saiu para fumar. Sozinho. Minha nova chance – sou leitora assídua dos seus textos, tchau. Mas então ele permaneceu um tempo lá fora, voltou e eu continuei a titubear. vô, não vô. Pedimos a conta, recusamos a sobremesa.

– Agora eu vou falar. Passei pela mesa dele que ficava bem na porta, mas já me vi saindo e quase na calçada, lamentei a falta de atitude. ele estava jantando. acompanhado dos amigos. ocupado. relaxado. não deu.

desculpas assim. que a gente se coloca de vez em quando.
uma amiga disse que eu deveria ter ido lá, assim mesmo, na coragem. não fui.

De qualquer forma, se um dia ele ler esse texto: pô Marcelo, sou tua fã! Abraço.

ps – esta foto saiu na entrevista que a revista TPM fez com ele este mês. 
Vale a pena ler a matéria completa. 

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2 comentários sobre “O dia em que eu não falei com o Marcelo Rubens Paiva

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