sábado.

Minha mãe e irmã do meio vieram no últilmo sábado para São Paulo. Assim, rapidinho. Um bate e volta que já terminaria no domingo de manhã. Saímos à tarde, andamos por aí. Curtimos uma São Paulo que, às vezes, se faz ensolarada.

No final do dia, por volta das 19h, chegamos em casa com os pés doloridos mas prontas para partirmos novamente. Um banho, uma troca de roupa e a noite nos acolheu com vinho branco, pão italiano e aperitivos deliciosos de tomate seco, abobrinha, pimentão e mussarela de búfala.

Nós três, apenas, sentadas numa mesa com toda uma vida a discorrer pela frente. Choramos, rimos, falamos sobre o quê acreditamos e sobre tudo o que deixamos de ter fé. Lembramos de vovó já falecida; do meu avô teimoso que também já se foi. De frases do passado que gostaríamos de não ter dito. Pedimos mais uma cesta de pães, mais uma água para acompanhar. O vinho, um ouvinte consolador sem muito poder nas mãos. Tanta coisa se passou, será que tudo acaba aqui? Será que a gente se vê na outra vida? Deus é mesmo esse senhor que as igrejas tanto chamam? Você acredita?

– Essa energia, nós aqui –  deixa pra lá esse monte de dúvidas – vamos pedir azeite para regar este presunto de parma e molhar a casquinha do pão – quero ler um livro sobre budismo – na revista deste mês está falando sobre espíritos – lembro que eu sonhei com a vó pegando no meu braço – hoje não sonho mais com ela – será que vamos nos encontrar – ela está bem – cadê ela.

E eu encosto minha cabeça no ombro da minha mãe, minha irmã mostra o coque que ela aprendeu a fazer no cabelo. O feriado está chegando, logo estarei lá. São Paulo é mais serena com vocês. Naquela época ninguém se questionava sobre nada, mãe. Nós é que não paramos de pensar em tudo, em nós, nesta louca vida que não se decide pelo explicar ou confundir.

Eu já fico sonolenta, mas não quero pedir a conta. Tira uma foto nossa? Ficou bonita. Minha irmã conta uma história de um sobrevivente da queda de um avião, o que ele aprendeu, o que mudou – o amor. sempre. é ele que você deve escolher em todas as situações. ao acordar, quando pensar nas pessoas, imaginar uma vontade e querer alcançar – o amor, ele é a nossa certeza absoluta.

*essa belíssima foto é daqui.

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3 comentários sobre “sábado.

  1. Clarinha, sobre a caixa em que escrevo agora está escrito: Deixar uma Resposta. Para a vida, no entanto, não há respostas… A vida é ela, por si só. Eu li a revista que fala de espíritos e estou lendo o livro de budismo. E tenho questionado a finitude. Mas também questiono o eterno. Acho que depois é o nada. Mas, em compensação, agora é o TUDO. E quando regado a azeite, vinho e gente bacana, não acho que seja necessário mais do que isso. O tudo já é bem suficiente. Muitos beijos para você, sua mãe, seu pai e suas irmãs.

  2. Na vida nós possuímos vários amores, mas nenhum amor é mais importante que o da família.

    Quem possui esse Amor deve valorizar sem questionamentos. Amor maior que o da família neste Mundo, apenas o Amor de Deus.

    FELIZ DE QUEM O TEM. E quem não o tem, um dia terá.

    Abraços!

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