Sobre fazer as nossas vontades ou festa à fantasia

Hoje eu cheguei às seis da manhã em casa. E quando isso acontecia na época da faculdade era porque provavelmente eu não arrumara carona para voltar mais cedo.

Mas hoje não. Eu entrei na sala com o dia amanhecendo. E mesmo sem sol,  o céu estava tão bonito, azul e com chuva. É difícil ver o céu bonito quando está garoando, mas hoje, puxa, aquele vento entrando pela porta da sacada – que eu esqueci de fechar – estava me chamando para chegar, me entregar ao cansaço depois de uma festa que há muito tempo não vivia. Eu, completamente exausta, fechei a porta devagarinho, tirei os sapatos e me deitei para curtir a noite de sono que já era domingo. Apaguei.

Ao acordar, fiquei pensando como o nosso corpo é frágil. Dormir de 6 a 8 horas por noite é tempo pra caramba, mas mesmo assim não parece suficiente. Os pés doem, os olhos ainda estão inchados, a respiração permanece lenta. É interessante pensar que para todos os nossos atos, pensamentos e energias gastas durante a luz do sol, precisamos nos deitar em uma posição vertical e ficarmos imóveis por horas e horas até que tudo volte ao lugar, ou quase.

E a festa ontem foi realmente boa. Talvez porque eu não goste mais de baladas aleatórias. Acho que nunca gostei. Ficar dançando e sorrindo a noite esperando que algo surpreendente aconteça é frustrante. Mas eu gosto de festas. E festas que eu digo é quando há um desejo sincero e até genuíno de aproveitar todas aquelas músicas com amigos, bebendo pelo prazer de beber, cantando e dançando com pessoas que você sabe que poderia passar o resto da vida juntos.

E foi assim ontem porque, de coração, eu realmente queria estar lá. Coisa que por muito tempo não aconteceu. Quando somos mais jovens (digo até uns 20), participamos de muitas coisas pelo desejo alheio e não pelo próprio – como sair em uma sexta-feira esgotada apenas porque seus amigos estão dizendo que você é careta e que se ficar em casa, envelhecerá mais rapidamente. Ou então deixar de ir em um lugar que você realmente gostaria de ir porque é aniversário de alguém em outro que – se você faltar – vai parecer que não se importa.

E o quê importa mesmo? Onde profundamente gostaríamos de estar. E se são 4 da manhã e eu não estou mais me sentindo bem, eu peço um táxi e me vou. Hoje vai ser filme, amanhã trabalho. E quem sabe na terça uma batata frita com os amigos ou um café na livraria. E se por acaso na quarta eu preferir fazer um macarrão lá em casa, é possível que seja isso mesmo. E não é individualismo. Tem coisas que a gente faz pelos outros mesmo e isso é saudável, é ter carinho com o próximo. A gente vive fazendo isso o tempo todo. Mas com o passar dos anos é mais fácil perceber que só nós podemos saber sobre o que temos vontade e ninguém mais. E se não fizermos o que de fato queremos, quem o fará por nós?

Foi por isso que ontem voltei às seis. Porque eu estava feliz e queria voltar tarde. Porque mesmo sabendo que o domingo faria do meu corpo um cúmplice da agitação da noite passada, tudo aquilo valeria a pena. Aquelas luzinhas espalhadas pela casa, o nosso reencontro de gatos pingados que nos mantém conectados depois de 3 anos de formados, as pessoas fantasiadas de personagens que por uma noite, seriam elas – livres, extravagantes e talvez até decadentes.

E estávamos todos lá pela nossa vontade. Tem algo mais sincero do que isso?
Uma amiga, horas antes da festa, me mandou uma mensagem dizendo que não iria, estava cansada, ficaria pra próxima. E tudo bem, está sempre tudo bem. Ela foi feliz na decisão dela porque é assim que tem que ser. Respeitar o corpo da gente e os anseios sem que os sábados à noite sejam pressionados por programas nos aguardando ansiosamente.

O domingo de hoje foi de nostalgia, de saudades de uma noite que acabou com o dia. A festa física, eu digo. Porque festas boas duram muitos dias, nas fotos, memórias e histórias que se estendem no espalhar das rotinas. Agora são 23h e eu ainda carrego a noite passada, com os olhos ardendo, ávidos por um travesseiro. Mas nada me faria dormir sem escrever esse texto contando todas essas sensações para vocês. Porque, com toda a franqueza, escrever neste blog é a única coisa que eu quero fazer neste momento.

Boa noite.
ou bom dia para você que está amanhecendo.
até a próxima festa.

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3 comentários sobre “Sobre fazer as nossas vontades ou festa à fantasia

  1. Clara, bom dia
    Nossa você agora me fez rebobinar um filmezinho em minhas memórias e voltar na minha juventude boa para caramba… que curtir para carambas com gelegas que hoje fazem parte desse time que eu também adoraria passar o resto da minha vida.
    Adorei o seu post.
    Bjs e uma ótima semana
    Debby :)

  2. Pingback: o que acontece quando nos apaixonamos. | …Às Claras….

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