eu escrevo sensações. e elas vêm com música.

Captura de tela 2013-04-28 às 14.49.28

Gosto do fato de que me escreveres quanto tem saudade. Gosto da sorte. Da confusão dos acasos. De não gostar da rotina. E de sentir saudade de gente por perto.
De ficar quieta. Da falta de tempo. E do que não mais me falta.

Acordamos com sol hoje. Com a vontade de falar contigo. E fui-me para a varanda, tirei as folhas amarelas da capuchinha, torci pelo manjericão. Outono é assim mesmo, o verde dá um intervalo, descansa, logo há de voltar. Encontrei um cantor novo, Luiz Rocha. Estou baixando o CD, depois eu te conto.

Coloquei as almofadas em ordem. Tirei a blusa amassada da mochila. São Paulo é bem mais bonita desse jeito, mais do que todas as outras. Até os prédios pegam cor. Até as bicicletas andam em segurança. Até a corrida fica mais leve. É tudo o que a cidade tem para me dar. Sol. Eu fiz um café preto. E haveria de ter outro café que não preto?

Puxei a cadeira pra sentar. Comi pão de queijo, acredita? Com geleia de amora. Arrastei a xícara até o jornal, li apenas o caderno de cultura. Hoje não quero saber da economia. Vem me ver? Eu vejo você.
Comecei a gostar do domingo. Por acordar descalça e sentir que tudo isso é muito bom. Observar as cortinas, o calor úmido da cidade, e o cheiro do molho de tomate lá no forno. Aqui foi polenta hoje. Quente. Que parece um curau de milho, que relaxa os músculos, a cabeça e o estômago. O esôfago. Que prepara o corpo para todas essas sensações que irá sentir em poucos segundos. Me sinto assim.

Vá lá e ouça o Caê Rolfsen. Ele entende de descanso e ansiedade. Eu não entendo de nada. Apenas desta beleza de hoje. De querer sentir mais e mais vezes o acordar e o caminhar dos passos, telefonemas, buscas, relações e reações. Um frio na barriga. O amor pelas escolhas. Eu escolho que isso não acabe. Eu desejo ser serena.

Minha mãe chega na terça, eu chego com ela. Eu quero dançar e que, de repente, todo mundo entenda, que só temos o hoje. Este fim de tarde, aquele vinho da dispensa, esse gelado da água no rosto, o shampoo escorrendo pela nuca, o tempo que passa. Os pés estalando todos os dedos.
Eu vou. Sem pressa de entender.

Antes de você terminar o texto não se esqueça do Renato Godá. Eu também vou partindo porque já deixei aqui o que há alguns meses eu queria escrever. E porque a escrita é como o verde, às vezes descansa, repensa, precisa de ordem pra voltar ao seu lugar. Vou indo para envelhecer um bocadinho, trabalhar um pouco, deitar mais tarde na cabeceira do sofá. Tenho gostado de perceber tudo novo.

Foto que eu gosto daqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s