de volta ao bar.

sentei num bar em que íamos em 2003.
e o bar de 2003, quando você volta em 2015, te recebe tirando sarro da tua cara – “o que você tá fazendo aqui?”

a banda começou a tocar cpm22, detonautas, skank e todas aquelas músicas que a banda do colégio tocava, que o garoto que você gostava cantava, e que abraçaram toda a sua adolescência no interior. eram, na época, as melhores músicas. hoje, são portões que abrem os seus 16 anos te trazendo aquela sensação estranha de que o tempo leva os dias sem perguntar.
sentada, vi uma amiga do colégio com um namorado numa mesa distante. ela não me viu, eu não a vi. eu a vi, ela me viu. a gente não se cumprimentou. porque o tempo passa, e os cumprimentos passam também. eu não sei bem porquê.

– “quer mesmo ficar aqui?”

e o bar, me punindo por aquela visita tardia, embalou músicas e lembranças que a cada canção te cutuca dizendo que não há mais nada para você ali.
eu com quase 30. vi um garoto com quase 18. e ele parecia muito um dos meninos que machucava os nossos corações nos anos pré-vestibular. só que eu sabia cantar as músicas do bar. ele não.
cadê os novos rocks? as novas melodias?
não.
o bar só tocava o que eu conhecia.

foram 3 horas que me esqueci que estamos em 2015.
fiquei ali num sofrimento particular, vivendo os meus 15, pensando que há 12 anos a gente nem imaginava que crescer e trabalhar era deixar de falar com as pessoas e olhar para o computador.
a gente foi crescendo, mas não ter celular era tão mais interessante. eu conhecia as pessoas. elas me conheciam. a gente se encontrava e quando não se encontrava, falava por horas no telefone. eu era muito mais conectada sem iphone do que agora.
e lá vem o bar de novo me surrar com a percepção que a tecnologia só facilitou a busca de receitas no google.
o resto é solidão.

voltar ao bar da adolescência é levar uma porrada.
– “você envelheceu, não é?
só que a gente vai deixar tudo aqui, desse jeitinho, pra você se lembrar do que perdeu”.

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