hoje eu não tenho muito a dizer.

só que eu acho bonito essa gente que diz que não se arrepende de nada.
sabe daquelas que abrem a boca e a enchem de saliva e certeza repetindo: faria tudo exatamente igual.

eu me arrependo.
de minúsculas partes de vida e de maiúsculas.
a vida não tem rascunho. não dá pra fazer, voltar e fazer diferente.
o que tá feito se torna infinito. e não pode, por nossa vontade, mudar.

os dias são feitos de partículas de decisões inéditas e eternas.

milan kundera, do ‘a insustentável leveza do ser’ diz: “nunca se pode saber o que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compara-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores”.

e também diz: “uma vez não conta, uma vez é nunca. poder viver apenas uma vida é como não viver nunca”.

é como desenhar numa folha e não ter borracha pra apagar.
só continuo admirando quem tem essa certeza de que foi tudo do jeito que tinha que ser. e que não erramos nem um pouquinho.

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