a primeira vez dos 28.

amanhã vou pra casa.

e em 10 anos ainda é sempre a primeira vez.
a primeira vez eu que volto. a primeira vez que entro naquele ônibus. a primeira vez que eu abraço.
ainda é a primeira vez que sinto falta. que me emociono. que não entendo um monte de coisa.

voltar pra casa é se segurar por dentro.
é pedir pra deus voltar a existir para que os dias durem mais um pouquinho.
é parar de envelhecer. e ver que todo mundo ficou velho.

é querer colocar tudo numa caixa para olhar de novo quando der vontade.
é me lembrar que os 28 vieram para eu sentir com todas as forças.
porque eu defini, a partir de hoje, que dos 28 aos 37 seremos os melhores. sentiremos tudo.
não precisaremos mais falar das mesmas coisas. e nem irmos aos lugares que não queremos.
fazer 28 é não ser obrigatório em lugar nenhum. só onde eu quiser.

e por isso volto só onde tiver vontade. choro com quem tiver perto.
bebo com os melhores. perco o tempo com o que me faz maior.
celebro todos os dias. e paro de falar com quem não quer ouvir.

paro de falar. e começo a ouvir.
e a assistir. pra não perder os espaços, os goles, e os novos.
os novos dias. as novas expectativas. os novos velhos sentimentos.
que arrebentam, se jogam, e festejam – porque não temos nada.
só os meus 28. que poderão ser do meu jeito, de qualquer jeito, de importâncias que eu definir.

pensa bem. de que adianta esse tanto de preocupação.
se a vida vai levando. e a gente vai sendo levado junto.
eu não quero assuntos desperdiçados.
vamos apenas tocar para frente, e nos tornarmos imediatistas.
eu não vou esperar mais nada.

quero que tudo aconteça hoje.
para que os momentos sejam sempre frescos e agora.
e para que eu só volte para onde eu quiser.

por isso amanhã,
eu vou para casa.

——-

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O que não me contaram

o escafandro

Escafandro e a borboleta

Não sei baixar filmes na internet. Não gosto de comprar dvds piratas.
Sou das antigas. Quando passa na tv eu gravo. E assisto assim que posso.
Agradeço ao mais novo recurso da NET que disponibiliza um sistema que permite pausar, voltar e gravar os programas. Como fazíamos com as fitas VHS no passado. Só sei ver filmes assim. Não me peça pra baixar nada. Eu não sou desse tempo.

Gravei o Escafandro e a Borboleta. O filme ficou 1 mês no sistema. Eu achava que seria pesado demais para aquela tarde. Para as noites. Para o fim de semana.
Agora em dezembro, de férias, gravei de novo no sistema aqui da tv da minha casa do interior. E então eu tinha dois Escafandros. Um em São Paulo. Outro em Araçatuba.

Coloquei um pedaço pra ver hoje cedo. E segui até o final.
Acidente cardiovascular.
Escafandro é um filme que eu gostaria de ter feito. Nunca fiz cinema. Mas queria Escafandro.
Bonito. Bonito de doer. De chorar. De assistir a vida toda.

Jean Bauby só mexe o olho. Mas fala o tempo todo, em pensamento. E vai lembrando…de quando fazia essas coisas gostosas que a gente faz todo dia…andar, comer, beber, fazer a barba, dirigir, espirrar, pentear os cabelos.
E eu que mexo os olhos, as mãos, os dedos, os cílios, as pernas, os pés ….estou perdendo alguma coisa?

Não acredito em céu, amigos. Não vejo vida após a morte.
Acho a vida maravilhosa e triste todos os dias. Nos vejo festejando todos os dias. Gosto de festejar todos os dias. De amar todos os dias. E achar essa árvore de natal aqui do meu lado bonita, mesmo com o fim do natal. Se pudesse tirar uma foto mental, seria da janela da sala aqui de casa com o meu gato passando sobre ela. Sinto falta de todas essas coisas que ainda tenho. Acredito mais em acasos fabulosos do que em destino. Sou otimista nesta vida e pessimista pós-morte. Vejo o ser humano como um mestre do ilusionismo por criar uma casa de bonecas todos os dias. Trabalhamos. Pagamos conta. Criamos problemas. Resolvemos problemas. Vamos à manicure. Cortamos o cabelo. Fazemos compras. Arranjamos dramas. Engraxamos o sapato. Passeamos com o cachorro. Vivemos sem fim. Somos ilusionistas lúdicos. Burros inconformados. Criamos Deus. Mantemos a mente ocupada. Combatemos o tédio. Brincamos de casinha. Estamos sempre nos distraindo. Eu sei. Morrer é mesmo uma pena.

Um dia, não vamos todos nos encontrar. Os mortos, com os pré-mortos, os vivos, com os pré-nascidos. Não. Não vamos. Talvez semana que vem se marcarmos um café. Digo, vivos com vivos.
O fim da vida é tão doloroso que só nos resta deixá-la bonita. Comemorarmos o réveillon. Torcermos por mais dias. Desejarmos que os aviões não caiam. Que os carros não corram. Que a gente viva mais um pouco. Que não tenhamos um acidente cardiovascular. Um derrame. Que dê tempo de fazer mais um monte de coisas não importantes. De curtimos mais esse vento que entra aqui na sala. E de eu treinar mais um pouco meu breve repertório no violão.

Escafandro é tão bonito que corta. É um filme que abraça nossa dor escondida e abre caminho neste monte de distrações.
Acabei o filme e voltei pra vida. Pra janela onde passa o meu gato. Para as balas de café em cima da mesa. Para eventos desimportantes. Para os instantes pequenos. Para esse monte de beleza e para esses dias descompromissados no interior, cheios de tempo. Eu tenho vontade de chorar várias vezes. Sinto emoções instantâneas. Daquelas que aparecem nos momentos bonitos e me trazem saudade imediata.
Tem sido dias tão bons.
Que a vida não os leve de uma vez.

dezembros festivos

Amigdalite aguda.
E qual é a causa doutor?

Dezembros festivos. Felicidade pós-novembros. Coração que voa.

(Não. Ele não disse isso. Mas deveria.)

Foi chuva, com sol, frio e corres. E vírus. E bactérias. E a falta de guarda-chuva no último domingo.
Cefadrolixa. Tome um comprimido a cada 12 horas.

Eu acordei ruim. Mas acordar ruim em dezembro ainda te faz acreditar em própolis, mel, reza, cachaça e antiflamatórios. Dormi ruim. E acordei com um fecho no pescoço. Eram duas facas na garganta cortando cada saliva, água e vento que cruzava. Eu precisava de uma receita. Eu precisava de um antibiótico. E este é o momento em que você reprime quem inventou o antibiótico com receita. E reprime ainda mais quem inventou o antibiótico com receita em são paulo. E se desfaz de quem inventou o antibiótico com receita em são paulo em dezembro. E não acredita que alguém possa ter inventado o antibiótico com receita em são paulo em dezembro, quando os médicos não tem mais horários, e quando o que você mais quer – é tomar depressa o antibiótico e voltar a festejar.

Quando se tem dor de garganta os espaços se fecham.
Some mais do que a voz. Desaparece o ritmo. Os olhos choram. É dor que chega arrastando sofás, horas e ânimos.
Consegui marcar com um Dr. Mitri. Para chegar até à sala do seu consultório era preciso pegar um elevador com ar condicionado. Por que colocam ar condicionado em um elevador que te leva ao otorrinolaringologista? Ninguém com nariz, ouvido ou garganta em chamas vai gostar de um ar condicionado nesse momento. Me deixe no calor, Dr. Mitri. Desative essa caixa gelada.

Já tem cadastro?
Não – balancei a cabeça. (E também não quero fazer)

(Eu não disse isso. Mas queria.)
Porque soletrar seu nome, CEP e endereço quando se está rasgando por dentro, é de arrebentar, bicho.

Me deixe apenas sentadinha aqui. E avise ao Dr. Mitre que eu só preciso de uma receita.
– 300 reais.

Tem certeza?
Ele nem precisa me olhar. São os dezembros festivos. Diga a ele.

Esperei na típica sala de consultório.
Revistas velhas, plantas de plásticos e vale a pena ver de novo na tv.

E ele veio.
Dr. Mitri é um gordinho simpático. E cobra caro pelos seus 15 minutos.
– O que está acontecendo?

Preciso de um antibiótico, Doutor. Estou morrendo.
– Deixa eu ver isso.

Amidaglite Aguda.
Cefadrolixa vai te ajudar. E nimesulida pra dor.

Ótimo. te amo.
pra sempre.

Mas eu nunca tive isso.
– É o estresse pós-trabalho e esse tempo seco. É São Paulo que não ajuda.
Ajuda sim, doutor. Estou festejando por dentro. Só preciso de uma receita.

Tchau.
Tchau.

Descobri que quando se está com amigdalite aguda, sente-se fome quando não se consegue comer.
Na frente do consultório tinha uma padaria – repleta daqueles mini panetones de fabricação própria, com a uva passa caseira e a massa grossa que rui a garganta mas abraça o estômago. E este, aprendi, é o verdadeiro espírito gordo. É aquele que vai à padaria antes da farmácia.

Segurei a receita de um lado e o panetone de outro. Andei mais um bocado, entrei na farmácia e flutuei. Entrar numa farmácia com uma receita de antibiótico quando se está a ferver a faringe, é como encontrar um mc donald’s no meio da estrada – voltando da praia.

Já tem cadastro?
Sim. Sou cadastrada no mundo. E tenho receita.

(não disse isso. mas.
enfim. não quero o cartão da loja)

Consegui os remédios. E me vi voltando pra casa tentando comer o panetone de um jeito que ele não precisasse passar pela garganta. Arrumei uma forma que foi mastigá-lo 52 vezes e engolir a pasta de olhos fechados para que a dor sofresse sozinha. É péssimo comer quando não se pode comer. Como é bom aproveitar uma massa e um vinho quando se tem garganta. Neste momento, eu só tinha um panetone seco e um estômago faminto.
Pelo menos agora já estava alimentada e só precisava chegar em casa para mergulhar num copo d’água.

No caminho, um homem estranho ficou olhando minha sacola da farmácia. Ele andava e virava pra trás. Andava mais um bocado, e tornava a olhar.
– Quer panetone, amigo? Que hoje tu não leva essa sacola.

Cheguei no meu prédio e o porteiro pediu para eu esperar.
– tem uma encomenda pra você. espera?
eu não posso, não. eu não posso mais não.

corri.
abri a caixa do remédio. comprimidos laranjas.
o primeiro antibiótico da minha vida. o melhor presente de natal naquele momento.

tomei uma cápsula e vi estrelas.
porque quando se toma um antibiótico com amigdalite aguda, meus amigos, a vida é maravilhosa.

dezembros festivos.
me esperem.

angústia ortográfica

Eu me transformei naquela pessoa adulta que quando me via, dizia – como ela cresceu. como o tempo passa.
Eu tô achando tudo grande. Tudo breve.
Com o Natal já aqui, eu só desejo – fique. espere um pouquinho. eu ainda tô correndo. eu ainda tô fazendo as coisas. fica.
que eu quero curtir direitinho. quero sentar na praça e ficar olhando as luzes. e esse tanto de decoração que deixa os dias mais bonitos.

Sofro de ansiedade crônica. De inconformismo saudosista. De saudade absurda.
Natal me deixa feliz. E triste. Quero estar em mais lugares. Quero pular os dias e ao mesmo tempo deixá-los aqui. Viver mais a noite como se não precisasse dormir.
Quero voltar a ser criança para abraçar minha vó em Catanduva – e pedir para que ela não morra. Quero um teletransporte para ajudar minha irmã a enfeitar a árvore em Araçatuba. E um avião para Londres, para saber como é o Natal de lá.

Sinto angústia ortográfica. É uma angústia que só diminui quando escrevo. E que acabei de inventar.
Sinto muito pelo tempo passar. Pelas pessoas passarem. Por eu quase não vê-lo.
Sinto por eu andar tão rápido por aqui.

Preciso abrir mais vinhos, juntar mais gente. Ficar ao redor de barulhos bons. Não terei outra vida, nem outra reencarnação, então eu vou atrás de mais.
Quero fazer dos dias mais longos. Olhar no relógio e ainda ser 9h da manhã. Deitar sem lembrar que o tempo vai passar – e que um dia vou me olhar e dizer – mas como você cresceu. como o tempo passou.

Já são 23h e amanhã será 6h. Vou dormir porque devo e não porque quero.
Por mim, escreveria mais um pouco. Angústia ortográfica não some. Ela só dorme um pouquinho.

e depois acorda.

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o que não me contaram.

Das coisas amargas.
Ninguém nos avisou que após os 17 anos não voltaríamos mais para casa.
E que entre fazer uma coisa e outra, estaríamos em frente ao computador.

Que mais cabelos brancos vão aparecendo com o tempo.
E que muitos cafés são marcados apenas na imaginação.

Que após os 26 anos o amor da sua vida já encontrou o amor da vida dele.
E que quanto mais idade adquirirmos, mais impostos teremos que pagar.

Que a saudade da minha avó não iria passar.

Das coisas doces.
Ninguém nunca nos contou que vinho tinto gelado é mais gostoso.
E que substituir o óregano por manjericão no tunapasta, deixa a massa mais saborosa.

Que viajar nos reconecta com o nosso lugar de origem.
E que viajar com pessoas amadas nos torna humanos melhores.

Que amigos nos fazem esquecer da dureza das rotinas.
E que o trabalho tem que ser parte de um círculo de boas energias que nos trazem o bem.

Que relacionamento não é para todos, mas o amor sim.
E que nada é tão importante quanto parece.

Que quem lembra da morte, vive melhor.
Quem vive melhor, não se importa tanto em morrer.

(e para vocês? o que não contaram?)

Vai devagar que o ano acabou.


Eu não tenho fôlego para festas que começam à meia-noite. Mas me esforço. Coloco uma roupa de festa e me convenço que, pela fluidez da vida, pode ser interessante se abrir para alegrias que só acontecem de madrugada.
Pegamos o táxi à 1h da manhã e emendamos conversas de amigas que não se vêem há 3 meses – e o escritório? e o joão? e o mestrado?

Na Estados Unidos, quase com a Rebouças, já há uma casa coberta por pisca-piscas. Me perdi no raciocínio da conversa do carro pensando – por que é que essa casa tem se adiantado tanto na decoração? Entre colombas pascais e panetones vivemos quantos meses? Vai devagar seu taxista, o ano acabou.

Os amigos já fecharam a viagem de Reveillon, o Fantástico está fazendo concurso de marchinhas e entre rápidos romances, cafés pretos, dores de estômago, troca de cor de cabelo e eleições, já teve até copa.
Foi de tudo tanto que eu não consigo me lembrar. E não quero aqui fazer retrospectiva antecipada, já basta aquela casinha precipitada do Jardins, mas é que acho muito estranho essa sensação voadora de vida. E eu fico com medo de ter perdido alguma coisa,  de ter me envolvido nos dias e me dado conta de repente de que é Natal. Não se pode ter tudo – diria minha irmã. É assim com todo mundo. O tempo passa e as coisas em todos os lugares do mundo vão acontecendo. Se eu envelheço, envelhece todo mundo comigo.

Semana passada passei uns dias no interior e em uma das tardes fiquei observando minha mãe molhando as plantas enquanto o gato se esparramava na terra e comia trevos que nascem desordenadamente pelo chão. Fique ali à toa com a única preocupação de manter meus pés úmidos na poça d’água que refrescava o quintal. E mesmo assim, sem um computador na frente, os dias no interior também passam rápido demais. Moro longe há 10 anos e ainda tenho saudades de dias como esse, mas como é que pode. E eu que achava que depois de 5 anos a saudade zerava.  A verdade é que quanto mais perto dos 30 eu chego, mas amolecida se faz a saudade dentro de mim. E estava um vento bom, diferente, os coqueiros faziam aqueles barulhinhos de folhas que não se ouve por aqui. Minha mãe me abraçou e eu pensei – eu não quero morrer.

Eu não quero perder.

Espera aí, seu moço. Calma.
Desacelera esse táxi que a gente ainda tem a noite toda.
E foi uma noite feliz. De cerveja, risadas, música e sentimentos genuínos.
Aproveitamos tanto que não vi passar.

Como o ano todo.

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Das coisas que eu gosto

clara vanali

Das coisas que eu mais gosto de fazer na vida, uma delas é ir tomar café no fim da tarde ali no cinema Reserva Cultural, da avenida Paulista, aos domingos. E isso quando está frio. Aquele frio de outono e inverno que pede um cachecol, um sapato quentinho e uma companhia essencial.
Para mim aquele é um dos melhores lugares de São Paulo porque tem cinema e café no mesmo local. E porque há pessoas que não conseguem imaginar encerrar o domingo em outro lugar que não seja ali. O pensamento se esvazia. É apenas uma tarde fria com um pouco de garoa que espera a sua presença na próxima sessão de um filme choroso e ensolarado. Gosto do espaço pequeno que reúne velhos e casais em uma atmosfera genuína que faz a gente se esquecer de que logo a segunda-feira vem.

Trouxe sementes da Itália, há quase dois anos já. E uma das coisas de que mais gostava em Roma era dos cachos imensos que caiam sobre as janelas revelando flores roxas, rosas e brancas. No começo deste ano resolvi plantá-las em um vasinho aqui da varanda, e elas demoraram exatos 3 meses para florescerem. A primeira apareceu bonita de miolo branco no dia do meu aniversário. Eu festejei, tirei foto e publiquei. Mas no final da tarde, ela murchou, fechou e não apareceu mais. Achei que o problema pudesse ser apenas com essa, ou que por conta da grande ventania do dia não tivesse aguentado. Mas nos dias seguintes novas nasceram e novamente morreram ao final do dia – e isso tem se repetido até hoje. Na janela do meu quarto ao amanhecer, de três a quatro flores crescem bonitas para se despedirem em menos de 24 horas. Sim, elas morrem rápido. Tão rápido que durante o tempo em que estão vivas se dedicam apenas a serem o melhor que puderem. Gentis. Bonitas.

Às vezes me pego no meio do trabalho pensando em como isso tudo tem sido especial. Essa oportunidade de conhecer pessoas novas todos os dias, de provar sabores inéditos, de ver a chuva da janela, de pentear o cabelo molhado, de chorar de rir e de saber que às vezes é só chorar. De um beijo novo, quente e doce. De um almoço de mãe, de amigos que não mudam com o tempo. De se emocionar com o pouco. De saber ficar sozinha quando cabe. De abrir um garrafa de vinho quando preciso.

Das coisas que eu gosto:  de gente que sabe que um dia a morte chega e que por isso a vida tem que ser repleta todos os dias.
Uma coisa que é eu gosto é de gente grata.
Grata pelo pequeno detalhe de suspirar e vivenciar tanta coisa boa – que a gente nem percebe. É tudo tão bobo que passa. Tão simples que desaparece. Tão bonito que confunde. Que a gente tenha coerência para perceber que isso tudo é suficiente.

obs: foto da flor da minha janela – aquela que vive rápido e bem.