Para quando estivermos tristes

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“Você faz piruetas com o corpo e com a imaginação para fugir da tristeza. Mas quem disse que é proibido ficar triste? Na verdade, muitas vezes não há nada mais sensato do que ficar triste; todo dia acontece alguma coisa, com os outros ou com a gente, que não tem remédio, ou melhor, só tem esse antigo e único remédio que é sentir tristeza.

Não deixe ninguém receitar alegrias como quem prescreve um tratamento de antibióticos ou colheradas de água do mar de estômago vazio. Se você deixar que tratem sua tristeza como se fosse uma perversão, ou no melhor dos casos como uma doença, estará perdido: além de triste, se sentirá culpado. E você não tem culpa de sua tristeza.
Não é normal você sentir dor quando se corta? Sua pele não arde quando leva uma lambada?

Pois é assim mesmo o mundo, a vaga sucessão dos fatos que acontecem (e dos que não acontecem) vai criando um fundo de melancolia. Como já dizia o poeta Leopardi: Assim como o ar preenche o espaço entre as coisas, a melancolia preenche os intervalos entre uma alegria e outra.

Viva sua tristeza, apalpe-a, desfolhe-a em seus olhos, molhe-a com lágrimas, envolva-a em gritos ou em silêncios, copie-a em cadernos, grave-a em seu corpo, nos poros de sua pele. Pois só se você não se defender é que ela fugirá, aos poucos, para além do centro de sua dor íntima.”

Trecho do livro “Receitas para mulheres tristes” mas que também serve para os homens, para todos. Estava indo dormir quando minha irmã querida me apresentou esse livro. Não consegui pegar no sono sem antes transcrever esse trecho para vocês – afinal, é bom encontrar um autor que sabe explicar (muito bem) que não há problema em a gente chorar com a mesma intensidade que sorri. 

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Um homem e seu tutu.

Um homem vivia feliz com sua esposa até descobrir que ela tinha câncer de mama. A partir daí a luta começou e também a sua vontade de fazê-la sorrir. A vida mostra-se tão frágil e bonita nessas horas, por que não realizar algo completamente inusitado? Foi aí que Bob resolveu fotografar-se em diversas partes do mundo usando um tutu, aquela saia rosa de bailarina. Simples. Fotografar-se para fazê-la rir. O projeto crescer e virou livro, site, camiseta. Com toda a repercussão e ajuda, ele resolveu divulgar suas fotos pelo mundo para arrecadar fundos para organizações de apoio ao câncer de mama.

A primeira vez que eu vi as imagens, achei tudo estranho.
Na segunda vez, me apaixonei – é libertador, corajoso e bonito.

E o quê as fotos querem dizer? Algumas coisas não precisam fazer sentido, servem para sorrir e isso basta. Neste caso, as imagens de Bob conseguem mais. Elas mostram beleza, alegria e dor – sempre a dor. Essa que está na gente, que às vezes aflora e pede para agir. Obrigada, Bob – vida longa ao Tutu Project e às sensações que você nos traz com ele.

Se você gostou das fotos, tem mais aqui no site dele, e a na fan page do facebook.
E se você se animou com esse projeto, pode ser que se interesse por este aqui também.

antes da segunda-feira.

“Uma criança segura uma sombrinha sobre uma jarra transparente, talvez seja limonada. Um velho afugenta moscas de uns bolinhos dourados. O que me intriga é o clima de domingo. Por que a luz do sol tem outra intensidade? Será a ausência do movimento, de barulhos? Essa atmosfera existe no mundo inteiro por onde andei. Sabemos que é domingo ao colocarmos o pé na rua. No entanto, depois das duas da tarde, começa a longa jornada de angústica. Tudo se torna opressivo, estranho”.

Eu nunca li uma descrição tão verídica sobre o domingo como essa. O trecho é do mais novo livro de Ignácio de Loyola Brandão: Acordei em Woodstock.

a melhor coisa do mundo.

EAT from Rick Mereki on Vimeo.

Três amigos viajam pelo mundo captando tudo o que comem, bebem e experimentam. Recebi este link no meio do trabalho e fiquei tão entusiasmada com o vídeo que não o tirei da cabeça o dia todo. Viajar e registrar toda essa vontade de viver e provar em belas imagens. Tem coisa melhor do que isso?

só de assistir eu já quero ir viajar.

vamos?

* Aumentem a tela na hora de assistir, é melhor. A dica foi dada pelo querido amigo Caio Nunes Cardoso. 

adeus, pedrosa.

Cheguei ao fim do livro de Inês. Quando olho o que passou, vejo páginas dobradas, grifadas e marcadas com asteriscos que gritam e se destacam para que nenhuma passagem seja perdida. Para a despedida final separei alguns trechos que merecem ser lidos e lembrados por mim e por vocês:

As nossas vidas seriam muito diferentes, se acordássemos para cada dia como se fosse o único. Quantas vezes repetimos: “Temos tempo”? Quantas horas ocupamos a complicar a vida dos outros, em vez de simplificarmos a nossa?

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– Aprende uma coisa, Pedrinho: nenhuma gaja se mata por causa de um homem. Isso só aconteceu numa peça de teatro do Shakespeare. E mesmo assim, por engano.

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Não consigo deixar de estar ao lado de Filipe. Perdoo-lhe tudo, com a convicção íntima de que o perdão é o maior desprezo que se pode oferecer à alguém.

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Mas estou cada vez mais cansada das palavras e das estruturas repetidas. Só devem ler-se as coisas essenciais, mas para as encontrar temos de percorrer quilómetros de páginas acessórias.

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– que se foda o amor que se foda o amor que se foda o amor que se foda o amor que se foda o amor

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Tinham vinte anos. E depois ele voltou para os Estados Unidos, os telefonemas foram espaçando, nenhum deles tinha e-mail. Júlio pedia-lhe que compreendesse que não gostava de escrever. Bárbara pedia-lhe que compreendesse que não gostava de compreender. 

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É assim a eternidade do amor – indiferente à vida e à morte, capaz de sobreviver à pequena cronologia da vida. Capaz, acima de tudo, de fazer da semivida presunçosa em que tantas vezes nos enredamos, uma vida verdadeira, votada à única coisa que interessa – o amor

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Não me canso dela como sempre me cansava das outras. A tese das almas gêmeas é uma fraude, mas é verdade que há uma pequena percentagem de corpos incompatíveis, uma alta percentagem de corpos compatíveis e uma minoria de corpos feitos um para o outros. Quando se tem a sorte de encontrar esse corpo que se funde no nosso como o mar com o horizonte num dia de Verão, isso é felicidade. 

*livro Os Íntimos, de Inês Pedrosa. Tem mais aqui e aqui. 

Cidades para pessoas

Natália Garcia teve uma ideia genial.

Uma ideia que depende de um punhado de gente para dar certo. Tudo começou quando ela resolveu viver em uma cidade melhor. Apoiada nisso, ela criou o projeto Cidades para pessoas, que a fará viajar por 12 cidades durante um ano, com a finalidade de conhecer projetos urbanos que fizeram com que esses lugares melhorassem a vida das pessoas (e não a dos carros ou das imobiliárias, como ela mesma diz).

Natália vai morar um mês em cada cidade e isso resultará reportagens em texto e em vídeo com o que de melhor esses espaços proporcionaram para seus pedestres. A ideia disso tudo é fazer com que o nosso país aprenda a inserir aqui, os conhecimentos captados pela jornalista.

O viabilização do seu projeto já está acontecendo por meio do Catarse – site que possibilita um financiamento em massa por meio de doações em dinheiro feitas pela internet. Até dia 20 de março, ela espera arrecadar 25 mil reais que correspondem a 30% do necessário para fazer o projeto, de fato, acontecer.

Eu, até então, nunca tinha visto uma iniciativa como essa e torço para que ela tenha muito sucesso na jornada. Se você também gostou e quer ajudar, doe uma quantia para o projeto e espalhe essa beleza de iniciativa para mais pessoas. É só clicar nos links que estão nesse post, que eles te levarão ao lugar certo.

* A foto mostra a rua Stroget, em Conpenhagne, conhecida como a “rua dos pedestres”.