jantar a dois

A Ailin é jornalista, talentosa e tem um site muitíssimo bem feito  – o gastrolândia.
O Toscani é fotógrafo, criativo, bem-humorado e compartilha suas experiências de cozinha no culinária tosca.

Resolvi juntar os dois para divulgarem suas visões de como seria um jantar perfeito para um gatinho ou gatinha. Divulgo o vídeo aqui porque gostei muito do resultado, dessa atmosfera vintage e da autenticidade dos dois. Compartilho também porque foi uma beleza de fazer a direção e roteiro em companhia do talentoso cinegrafista Rogério Assis e do assistente Léo Magri.

Aproveitem ;)

ps – no player do vídeo, cliquem no ícone que muda a qualidade para 1080p. 

Um homem e seu tutu.

Um homem vivia feliz com sua esposa até descobrir que ela tinha câncer de mama. A partir daí a luta começou e também a sua vontade de fazê-la sorrir. A vida mostra-se tão frágil e bonita nessas horas, por que não realizar algo completamente inusitado? Foi aí que Bob resolveu fotografar-se em diversas partes do mundo usando um tutu, aquela saia rosa de bailarina. Simples. Fotografar-se para fazê-la rir. O projeto crescer e virou livro, site, camiseta. Com toda a repercussão e ajuda, ele resolveu divulgar suas fotos pelo mundo para arrecadar fundos para organizações de apoio ao câncer de mama.

A primeira vez que eu vi as imagens, achei tudo estranho.
Na segunda vez, me apaixonei – é libertador, corajoso e bonito.

E o quê as fotos querem dizer? Algumas coisas não precisam fazer sentido, servem para sorrir e isso basta. Neste caso, as imagens de Bob conseguem mais. Elas mostram beleza, alegria e dor – sempre a dor. Essa que está na gente, que às vezes aflora e pede para agir. Obrigada, Bob – vida longa ao Tutu Project e às sensações que você nos traz com ele.

Se você gostou das fotos, tem mais aqui no site dele, e a na fan page do facebook.
E se você se animou com esse projeto, pode ser que se interesse por este aqui também.

o nosso casamento com são paulo

Às vezes, vejo pessoas andando do caminho do metrô para o trabalho com um livro na mão – lendo, lendo, sem que o atravessar da rua, as pessoas e o próprio caminhar desviem seus olhares das páginas tão ávidas para serem ouvidas. Eu nunca fiz isso. Nunca até hoje. E isso porque agora eu encontrei um livro que, de fato, me fez querer estar com ele desde a minha casa até o trabalho. E quando digo isso não falo sobre estar sentada no metrô com um livro aberto, porque isso eu sempre gostei de fazer com o jornal diário. Aqui eu me refiro ao andar pela cidade, colocando uma perna em frente a outra, desviando de pessoas, de carros e semáforos com um livro aberto nas mãos.
Caio Fernando Abreu é um jornalista que era desconhecido por mim até mês passado. Esta semana, no entanto, ele me arrancou sorrisos e identificações tão fortes que me deixam assim: apta a movimentar-me apenas com ele, nos braços, cheio de crônicas e palavras que a cada lida me fazem pensar – puxa, a sensação é exatamente essa!

Abaixo, segue um dos trechos do autor no livro Pequenas Epifanias. Quem já morou em São Paulo ou passou um dia que seja aqui na cidade, sabe do que ele está falando:

“Nunca na minha vida casei, mas – imagino – minha relação com São Paulo é igual a um casamento. Atualmente, em crise. Como conheço bem esse laço, sei que apesar das porradas e desacatos, das queixas e frustações, ainda não será desta vez que resultará em separação definitiva. No máximo, posso dormir no sofá ou num hotel no fim de semana, mas acabo voltando. Na segunda-feira, volto brava e masoquistamente, como se volta sempre para um caso de amor desesperado e desesperançado, cheio de fantasias de que amanhã ou depois, quem sabe, possa ter conserto. Este, amargamente, não sei se terá. Por que está demais, querida Sampa. E sempre penso que pode ser este agosto, mês especialmente dado a essas feiúras, sempre penso que pode ser o tempo, tão instável ultimamente, sempre penso que pode ser qualquer coisa de fora, alheia à alma da cidade – para que seja mais fácil perdoar, esquecer, deixar pra lá. Não sei se é. As calçadas e as ruas estão esburacadas demais, o céu anda sujo demais, o trânsito engarrafado demais, os táxis tão hostis a pobres pedestres como eu…Cada vez é mais difícil se mexer pelas ruas da cidade – e mais penoso, mais atordoante e feio.”

*a bonita foto é do rafael fagundes.

para quem gosta do que faz

O melhor de ser jornalista é entrevistar pessoas apaixonadas pelo o que fazem. Apaixonadas é uma boa palavra quando se fala de Rejane Cantoni, Leonardo Crescenti e Marcelo Pontes. Eles colocam ideias fantásticas, quase impossíveis, nas ruas de cidades do mundo todo. E para elas darem certo, eles têm que gostar.


O trabalho ocupa tanto tempo das horas, do esforço e do pensar que para a vida dar certo, você também tem se apaixonar por ele e oferecer o melhor que você puder.

entre cidades.

O senhor acha que alguém pode se apropriar de São Paulo, ela não escapa sempre, com seu gigantismo?

Giles Lapouge: Mesmo sem falar na violência, que agravou o caso do Rio, sempre preferi São Paulo, porque é uma cidade de grande imaginação, de trabalho, de paixões fortes, enquanto o Rio para mim é uma cidade unicamente de sensualidade, de prazeres, de preguiça, de boas tiradas. Eles são engraçados… Tenho a impressão de que o Rio é uma cidade que dorme e adormece as pessoas. Eu me sinto adormecer quando estou no Rio. Evidentemente, há Copacabana, as moças, tudo isso é interessante, mas aquelas moças não me interessam…

* Giles Lapouge é jornalista e escritor, tem 85 anos.
A entrevista com ele foi publicada na revista Carta Capital da última semana e chegou até mim por meio do amigo Moacyr Castro. Obrigada.

Som Brasil e Toquinho

A televisão tem muita coisa boa. O Som do Brasil, da Rede Globo, é uma delas. O horário é ingrato, por volta das 2h da madruga. Para os insones ou apreciadores de música é uma beleza de se ver.

Cada programa homenageia um compositor ou uma banda brasileira.

Assim, cantores diversos reproduzem as músicas do homenageado com arranjos diferentes do original. Na última sexta-feira (27), o aplaudido da vez foi Toquinho. Além do próprio cantando suas músicas, ainda estavam os interpretes Ana Costa, Mallu Magalhães e Glauco Lourenço. Entre uma música e outra, a direção de arte do programa mostra que faz um bom trabalho. Não há cortes, os planos são contínuos e os detalhes de cada instrumento ganham espaço.

Não sou fã da Mallu, mas a interpretação com a banda ficou simpática. Toquinho, acima, dispensa apresentações.

Para quem gostou, aqui tem mais.

Fábrica de ideias

Quem trabalha com reportagens em vídeo sabe que ver o resultado final é sempre difícil. Sempre falta algo ali, outro acolá. Hoje, vou postar um vídeo neste blog que, particularmente, eu gostei muito porque provoca uma tensão muitas vezes difícil de expressar. No caso, a trilha, as imagens e o tema da matéria se gostam e fazem a história se encaixar de forma interessante. Um trabalho em equipe, obrigada.

Stockinger: o artista sem nome


Exposição de arte é o tipo de programa que eu gosto de ir sozinha. Não é como um filme em que você sente as emoções ali na hora e precisa de alguém ao lado para comentar e dividir as reações. Arte exige tempo, silêncio e solidão.

Este final de semana fui ao MASP ver a exposição do Francisco Stockinger, um escritor e artista austríaco naturalizado brasileiro.

Xico, como é conhecido, é famoso pelas obras feitas com ferro fundido. Em um dos pavilhões do museu, há 67 projetos seus, entre xilogravuras, esculturas e desenhos.  Quando eu fui, não haviam muitos visitantes, já que a maioria se ocupava no setor do artista Max Ernst, figura central dos guias e jornais que indicam passeios em São Paulo.

Eu estava mais para o Xico.  Ali, ele mostrava ali figuras gigantes sem rosto que de tão maciças e pesadas, traziam nos ombros, gestos e braços toda a sua expressão. Os traços concretos, com olhos, boca e nariz não faziam falta.

O mais interessante e que me fez ainda mais agraciada pelas suas obras, foi a falta de título na maioria delas. Algumas das esculturas de Stockinger traziam na placa de identificação a seguinte frase: sem título.

Eu gosto. Uma arte sem nome é uma arte livre e por isso, eu posso dar a ela a interpretação que eu quiser.

Olhar uma escultura em que o nome é ” o gato” ou “o trabalhador”, te faz preso a uma nomenclatura, a uma única visão e a um quadrado sem aberturas.

Mas ao criar uma escultura grande de ferro e dizer que ela simplesmente não tem nome, faz de você livre para vislumbrá-la da forma como quiser. Triste, alegre, homem ou mulher.

Stockinger morreu no ano passado e eu pouco sabia da sua história desde então. Visitar os seus trabalhos no museu, no entanto, mesmo sem ter acompanhado a sua carreira, já deixa claro e visível qual era o tamanho da sua sensibilidade ao trazer figuras feitas o coração, sem rótulos e limites.

O jornal do futuro

No último fim de semana recebi o Estadão na porta de casa, como acontece há 4 anos. Peguei o jornal em mãos e fiquei pensando em como estaria a Folha de São Paulo, já que há semanas o veículo dizia que faria uma modificação para se transformar no jornal do futuro.

Eu gosto de jornal impresso. Poderia ficar um dia todo lendo jornal e separando as matérias mais interessantes. Há pouco mais de dois meses o Estadão fez uma reforma que me deixou muito satisfeita. Já gostava muito dele mas passei a gostar ainda mais. Eles mudaram o projeto gráfico e deixaram o projeto editorial ainda melhor. Sem mais confetes, vamos em frente.

Fiquei com o pé atrás quando soube da reforma da Folha. O que poderia ser tão diferente do que o Estadão já tinha feito?

Fui nas bancas comprar a Folha. Mudaram a fonte da capa, dos artigos, das manchetes, abriram espaço para uma discussão maior dos temas e trouxeram um caderno especial para explicar todas as mudanças. Tudo muito legal mas nada que o Estadão já não tivesse feito (e melhor).

A Folha é um ótimo jornal. As pautas fogem do senso comum, são bem apuradas, didáticas e  se destacam. A revista Serafina, que vem com a jornal uma vez por mês é sempre muito boa, aborda assuntos diferentes, trabalha bem com pautas frias e é irresistível para colecionar.

Mas..

Já que estamos falando de reforma, a Folha ficou para trás. O Estadão, como seu principal concorrente, saiu na frente, fez antes as mudanças e trouxe muito mais movimento e repercussão que a Folha (que por semanas anunciava um novo jornal).

Ossos do ofício, acasos do jogo. Mas em um mundo em que pouco se sabe do futuro dos jornais, ou se é de fato o jornal do futuro ou sai na frente com uma excelente reforma. Se não fizer nada disso e apresentar o mesmo de sempre, não surpreende.

O bom jornalismo

Dentre tantas reformas gráficas que os principais jornais já fizeram, a que eu mais gostei foi a do jornal o Estadão. Que reforma gostosa de se ler. O jornal impresso ficou tão (mais) prazeroso que tenho vontade de ligar lá na redação todos os dias para elogiar. As mudanças não foram só no layout como também na forma de dispor e explicar os fatos que constituem uma matéria. O bom jornalismo, tão característico do veículo, ficou ainda mais visível.

Uma última reportagem que li e me chamou bastante a atenção foi sobre a descoberta de um trilho de bonde na zona sul durante uma obra do metrô, em São Paulo. A matéria era muito simples, mas é exatamente neste tipo de trabalho que percebemos como se faz algo bem feito.

O texto que pode ser lido neste link, surpreende por oferecer mais do que esperamos de uma matéria como essa. O conjunto da obra é perfeitamente construído e transmitido para o leitor. O corpo principal da reportagem traz todas as informações necessárias, explica quando e como os operários do metrô acharam barras de ferro em Santo Amaro, que faziam o trajeto de uma antiga linha de bonde no local. Ao lado, uma foto antiga devidamente resgatada do arquivo do jornal, mostrava a linha que entrou em operação em 1913 em uma São Paulo completamente diferente da nossa época.

Um quadro intitulado “Para Lembrar” fornecia mais informações sobre a linha criada 45 anos antes. Abaixo um depoimento de um morador de 92 anos que andou no bonde que passava naquela linha e cobrava 50 centavos de réis pelo trajeto até a Vila Mariana.

Outro bloco de texto traçava um histórico dos bondes que funcionaram em São Paulo. Desde a criação da primeira linha até o seu fim.

E quando você acha que já sabe tudo sobre o assunto, o jornal traz um quadro que conta a história de outra linha de bondes que foi descoberta assim por acaso.

Um assunto que poderia passar despercebido como pauta, foi explorado com muita competência pelos jornalistas Elvis Pereira, Bruno Ribeiro e Marcio Curcio. Dá gosto de ler algo desse tipo, tenho orgulho desse tipo de jornalismo.

Cinema de rua

Esta semana conheci um projeto incrível.

Vocês já ouviram falar do Cinema de Rua?
O Estadão divulgou no Caderno Metrópole de quarta-feira (17), um grupo de cineastas que criou 30 filmes em 30 dias sobre a capital paulistana. Uma obra no melhor estilo Julie & Julia, em que uma blogueira decide fazer todas as receitas de um livro em um ano.

No caso do Cinema de Rua, o resultado é maravilhoso. Uma série de vídeos curtos, cada um com uma temática diferente mas que sempre olha para as histórias maravilhosas de São Paulo que a gente adora ver e sentir. Não é piegas e não chega nem perto da bobagem do rótulo de filmes “alternativos”. É bonito de se ver, imagético, a trilha é corretamente escolhida e a simplicidade ganha espaço.

Perca 15 minutos, navegue pelo site, assista aos vídeos.

Por que John Lennon acabou com os Beatles?

Pretensão, hein? Mas já que se ganha o leitor pelo título, me arrisco nesse e vou em frente.

A biografia do John Lennon foi o livro que mais demorei para ler em toda minha vida (até agora).
Ganhei de aniversário no ano passado e arrastei sua leitura por quase um ano passando livros e contos na frente da obra.

A demora não foi pelo tédio da história, muito bem narrada por Philip Norman que surpreende (em todos os momentos) pela riqueza de detalhes. Dá vontade mesmo de ler um livro só sobre os bastidores desse trabalho impressionante.

O fato é que eu estava ansiosíssima pela chegada da parte em que Lennon inicia a formação dos Beatles e enquanto esse trecho não se iniciava eu não o lia com tanta empolgação.

Nunca ouvi muito Beatles. A minha infância se deu mais por MPB do que por qualquer outra coisa. Meu pai não tinha a coleção do grupo em casa e apesar de conhecer muitas músicas deles, passei a me interessar mais por eles após ler a biografia do cantor e a partir daí gostar de pesquisar tudo sobre o assunto.

O fato é que eu sempre ouvi todo mundo o tempo todo se perguntando porque os Beatles acabaram. A biografia deixa clara que a vontade inicial partiu de Lennon e não acho que Yoko tenha tanto a ver com isso como falam.

O que me pareceu mesmo foi que Lennon se cansou. Um cansaço que parece impossível de acontecer quando se trata da euforia e sucesso que acompanhava os Beatles o tempo todo. Mas um cansaço que acontece com todas as pessoas em algum (ou alguns) momentos da vida.

Sabe a vontade de mudança? Aquela que chega dizendo – o seu tempo acabou!

Aquela que muita gente percebe mas finge que não vê. Ou até enxerga mas não tem para onde correr. Sabe quando a gente quer mudar? De música, de emprego, de casamento, de cidade.

John Lennon se cansou. Da gritaria, da banda, da mesmice. Por mais brilhante e sensacional que fosse para todos, era ele quem estava na história e só ele podia tomar as decisões sobre a sua vida.

A questão não se resume a isso pois Lennon não era um dos sujeitos mais compreensíveis que já existiu. Mas não acho que o fim do Beatles é tão complexa quanto parece. Pode ter sido apenas uma decisão, e só.

Como tirar o MTB?

O MTB não serve para muita coisa. É só um número que provavelmente não será pedido na empresa em que você, jornalista, trabalha. No entanto, em algum momento da profissão, é possível que te cobrem por ele. Principalmente se você for participar de um concurso ou fazer um curso muito específico da área.

Como eu nunca achei um lugar/site/pessoa que soubesse exatamente como tirar o MTB, coloco aqui tudo o que você precisa  para conseguir o registro.

O lugar para tirar o registro profissional é o Ministério do Trabalho.  E não adianta ligar lá para saber quais são os documentos necessários, porque não, eles não vão atender ao seu telefonema. Por isso, esta é a lista:

– cópia do RG e CPF;
– comprovante de residência;
– cópia e original do diploma;
– número do PIS (é só se dirigir a qualquer agência da Caixa Econômica Federal e pedir uma declaração que ela sai na hora, acredite);
– carteira de trabalho e cópia da frente e do verso da folha que tem a sua foto;
– um livro de ação (para você se distrair e não cair no sono enquanto espera)

Se você estiver em São Paulo e se dirigir ao Ministério do Trabalho da Rua Martins Fontes, 109; suba até o 1º andar de escada, porque o elevador nem sempre funciona.

Chegue bem cedo, às 8h, ou então no horário do almoço, às 12h. Pegue uma senha com uma senhora simpática de óculos e sente, se encontrar lugar vago. Abra o seu livro de ação ou então puxe uma conversa com o senhor ao lado que está com a senha 16 em mãos, reclamando muito da demora. Olhe a sua senha 71 e abstraia, a sua hora irá chegar.

Após (pelo menos) 1h30, depois de você coçar os olhos, a cabeça, se cansar e ver os seus mais novos amigos se despedindo felizes depois de serem atendidos, você se levanta aliviado ao ouvir o seu número.

Um moço simpático vai te atender bem (ele sabe que você batalhou para estar ali), e se você não estiver esquecido nenhum documento ele dará entrada no seu MTB.

A alegria e satisfação, no entanto, são interrompidas quando ele traz um protocolo dizendo para você voltar dali a 2 meses. Você pode sair cabisbaixo e pensar que aquela oportunidade que pede o seu registro irá para o espaço.

Mas não desista meu amigo, ainda há saída.

Imprima o regulamento do concurso, ou algum documento da empresa que você vai trabalhar que prove que a exigência do número antes dos 2 meses. Leve junto com os documentos e bingo! Incrivelmente, ele entregará o seu MTB em poucos dias.

Isso é segredo, ninguém pode saber.

Mas se você não tem pressa, volte dali dois meses com o protocolo e a carteira de trabalho nas mãos. Não esqueça da carteira, por favor. Muita gente aparece lá apenas com o protocolo e o resultado é só chororô.

O MTB é uma etiqueta na sua carteira de trabalho. Você a leva para casa, resolve o problema e após algumas horas quase não se lembra mais de tudo o que passou.

Obs: Este é um texto que fornece instruções para quem é formado em jornalismo. Para saber como tirar o MTB sem ser graduado na área, aconselho pedirem informações sobre a documentação, pessoalmente no Ministério do Trabalho. Abaixo, nos comentários, muitas pessoas dividiram suas experiências que podem ser úteis a vocês. Boa sorte! 

De noticiador a notícia

Há um momento na vida do jornalista que em vez de noticiar, ele se torna a própria notícia.

Um amigo repórter está esta semana em Machu Pichu passando maus bocados, por causa das chuvas que alagaram a cidade. Ele não foi lá para trabalhar, foi para descansar após conhecer Buenos Aires, Montevidéo e até o Deserto do Atacama.

Consegui falar rapidamente com ele, já que o seu celular está sendo a única forma de contato com o Brasil e com a Embaixada Brasileira. Enquanto dizem para nós que helicópteros irão resgatar os turistas; para eles, não há previsão de volta. Também não há comida, abrigo e respostas para todos.

O Estadão publicou uma matéria sobre o assunto hoje tendo como fonte o próprio Victor, que é repórter da revista Época. No site da publicação, ele também deu o seu relato.

Não é uma situação fácil para quem está lá, mas para ele é como sentir algo a mais. Ainda mais por estar sendo um dos responsáveis por transmitir todas as notícias de lá para veículos da imprensa.

Em um dos seus textos, ele fala:  “Não sei quando vamos conseguir sair daqui, a prioridade é para os idosos e para as crianças. Imagina tirar duas mil pessoas de helicóptero. O pior aqui é a tortura psicológica. Ninguém fala com clareza quando vamos sair”.

Uma oportunidade inesperada de vivenciar a própria notícia.

Esperamos que ele e os demais brasileiros, voltem logo para a casa.

Vídeos para a web

A todo momento questiona-se o estilo de vídeo para web. Ao mesmo tempo, eu me questiono se esse novo formato existe. Afinal, algo que não pode ser como TV mas que também não pode fugir do estilo de contar uma história com começo, meio e fim, seria o quê?
Até hoje ainda não encontraram o formato da reportagem para a web. O que se sabe até agora é que a duração do vídeo tem que ser curta, afinal, os internautas navegam com dez janelas abertas ao mesmo tempo e um vídeo de 15 minutos não tem espaço na rede.

Esses dias encontrei um que acredito ser muito próximo de um bom formato para a web, o que não impossibilitaria a sua exibição em uma TV.

Descobri o achado no twitter do @riqfreire, turisma profissional que escreve para o Guia do Estadão e revistas de viagens. Ele fez uma série para o site hoteis.com e o resultado é muito interessante. Há um cuidado na sua realização que não se vê em vídeos para a web.

O uso de filtros nas imagens, colocados no próprio programa de edição dão um visual muito atraente. Além disso, a dinâmica do ‘contar a história’ é divertida, tem ritmo e não perde graça em nenhum momento.

Esta não é a única possibilidade para a web, mas é interessante, funciona e cativa.

O desafio do jornalista

O jornalista tem dois desafios assim que decide ser jornalista.
O primeiro é arrumar um bom emprego – daqueles que você sabe que irá fazer exatamente o que você gosta.
Depois que conseguiu, surge o segundo: conseguir boas pautas.

Boas ideias e histórias interessantes.

Algo a mais do que a Dona Ana pesquisando os preços em diversas lojas de material escolar, atrás de cadernos para o novo ano letivo de seu filho.

Fugir dos supermercados que fazem promoção com os panetones que ainda lotam as prateleiras mesmo após as festas de natal.

Também não quero falar do Antônio Carlos parado no trânsito. Nem do frio e chuva de São Paulo que aparecem toda semana.

Cansei de escrever sobre o twitter.
Ou sobre as celebridades que trocaram a Globo pela Record.

Não quero entrevistar pessoas que perderam o emprego após a crise. Nem aquelas que o recuperaram com facilidade.

A troca do papel impresso pelo digital também não me interessa mais.
Assim como insatisfação das pessoas com a política.

Eu quero o novo.
Ele existe?