Abri meus rascunhos


Este blog chega muito próximo das coisas que eu sinto. Hoje mexendo ali no fundo, descobri 64 rascunhos ao longo desses anos escrevendo crônicas. Coisas que comecei e não terminei, frases soltas, trechos de coisas que escrevi, desisti e guardei. Selecionei alguns deles e deixei aqui embaixo. A música acima também foi uma que ficou de rascunho, mas ela é tão boa que deveria ter sido publicada há muito tempo. Fico boba de reler coisas que não consigo me lembrar do contexto (por que eu precisava da ajuda do ferreira gullar?) e ao mesmo tempo acho maravilhoso abrir essa caixa de papéis virtuais que ficaram guardadas com pedaços sem fim, sem meio e apenas na essência. Seguem abaixo, cada parágrafo é um rascunho diferente, todos de anos atrás:

*Vontade de pedir ajuda para o Ferreira Gullar.
ele saberia o que dizer em uma hora como esta.

*Já é quase maio e me sinto repetitiva ao dizer que o ano está por demais passando rápido. Tá um friozinho gostoso sob o sol aqui na rua. Dá pra sair de moletom. Dá pra fazer da rua um lugar diferente. E às vezes me faço passando por ela como se fosse a primeira vez. Como é a sensação de se estar em um lugar pela primeira vez? De fazer algo pela primeira vez?

*Sabe quando a gente não sabe o que fazer? É porque no fundo a gente sabe. A gente sabe de tudo.

*Então é essa a sensação. Hoje de manhã, ainda na cama, abri os olhos e comecei a olhar meu quarto inteiro. A planta de natal na janela, as fotos de nova york coladas na parede, os livros misturados na prateleira e o meu lençol no chão. Então é assim que a gente se sente quando algo vai acontecer. Quando o ano vai virar. Quando a gente precisa ter força e coragem para fazer certas coisas. E foi ali, ainda deitada e desperta, que me senti bem. Tranquila. E fiquei pensando que o nosso corpo deveria ter sempre essa sensação. De paz.

*E como os pais nos aguentam? A gente vive querendo viajar. Chora, reclama, acha que tudo pode ser diferente. Me conta. Como?

*”O senhor sabe o que é o silêncio? É a gente mesmo, demais.”

*Durante uma entrevista com um paisagista, ele falou sobre o verde no meio do cinza de São Paulo.

*Hoje às nove e meia da manhã na Dr. Arnaldo.

*”Aqueles que estão certos do resultado podem se permitir esperar, e sem ansiedade, portanto, eu tenho todo o tempo que preciso e estou certo do resultado, desse modo permitirei que ele apareça no tempo devido”.

*No fundo, eu escrevo. O tempo todo. As pessoas me dizem coisas eu fico imaginando que aquilo é uma história, um sofrimento, podia ser um livro, uma crônica. A minha cabeça fica contado letras e imaginando como rimam, soam, viram coisas mais interessantes que a realidade.

*Ana voltara cedo pra casa nesse dia. Ela sentia muita coisa dentro de si.

o quê era e não é mais.

Faça uma lista de grandes amigos,
Quem você mais via há dez anos atrás.
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?

Faça uma lista dos sonhos que tinha,
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre,
Quantos você conseguiu preservar?

Onde você ainda se reconhece?
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora?

Quantos mistérios que você sondava…
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava,
Hoje são bobos ninguém quer saber?

Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?

Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

(A Lista, sábia música de Oswaldo Montenegro)
Essa doçura de foto é daqui.

o jovem Chico


Eu ainda não ouvi as novas músicas do Chico Buarque, mas estou orgulhosa dele. O compositor, amparado pela equipe ou mesmo por conta própria, percebeu que lançar um CD como havia feito em todas as vezes anteriores não causaria ansiedade e repercussão como da forma que, de fato, resolveu fazer. Com a prévia lançada no www.chicobastidores.com.br, ele tem mantido o novo trabalho fervilhando na mídia ao liberar o arquivo de algumas músicas – antes mesmo do lançamento oficial do disco – para quem comprar seu CD antecipadamente.

Li críticas ruins de sua primeira música, Querido Diário, disponibilizada em seu site. Depois, alguns muitos elogios com as últimas divulgadas, como Tipo Baião e Sem Você 2. Composições boas ou médias, ainda assim Chico acertou. O cantor nasceu em outra época, fez sucesso com vinis e hoje tira o melhor proveito que um artista poderia ter da internet. Com isso, repercurte ainda mais seu trabalho e faz dele assunto na boca do povo, por mais tempo.

A mensagem é a mesma, o que muda é o meio. Além de mais virtual, Chico também está mais feliz, mais humor, muito bom humor, vide vídeo acima.

ps : este blog, vocês devem ter percebido, está reformando sua casa. Aos poucos, os tijolos vão sendo assentados. 

Vamos jantar arte!

Eu gosto tanto de São Paulo que às vezes penso que deveria ter me mudado antes para cá. Há algumas semanas, Bruno Lucatelli me convidou para fazer parte do seu projeto que se arriscaria em uma primeira edição, o Jantartes. Com a proposta de misturar poesia, música e dança em um só lugar e ao mesmo tempo, ele agregou amigos poetas, cantores e artistas para mostrarem o que melhor sabem fazer: arte. Tudo isso em um bar durante um domingo à noite, em São Paulo.

O encontro foi inesquecível. Para quem não foi, reuni algumas imagens em 1 minuto do que rolou por lá:
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