o resgate de um guarda-chuva.

fui atrás de um livro do drummond esta tarde.
andei por toda a paulista olhando as pessoas, roupas e a cidade.
cheguei até a livraria, encontrei o que precisava mas esqueci lá dentro o guarda-chuva.

segui pela rua e quando me dei conta da perda, voltei para resgatá-lo.
e o dia estava bom. chuva é sempre bom quando estamos com guarda-chuva.
às vezes também faz bem quando estamos sem.

o fato é que na volta, tive a surpresa de encontrar um amigo querido da faculdade.
ele estava com seu pai vendo uma exposição de carros ali no conjunto nacional, um prédio cheio de cultura da cidade. e foi tão bom vê-lo ali naquele sábado chuvoso –  demos um forte abraço confortante, ele me contou do seu dia, eu falei sobre o meu aniversário que está chegando, ele comentou sobre a roda de violão que aconteceu na sua casa dias atrás e eu sobre a minha procura pelo livro.
após uns 10 minutos, nos despedimos e então fomos embora.

resgatei meu guarda-chuva e segui novamente para casa, contente de ter encontrado o amigo, que há algum tempo não via.
são paulo é grande mas muitas vezes se faz bairrista e transforma essa metrópole numa cidade do interior em que a cada esquina traz a possibilidade de encontrarmos conhecidos e pessoas que diariamente nos trazem saudade. ela é grande mas fornece uma ajudinha quando o assunto é reunir colegas queridos – já que são apenas eles que nos transmitem essa vontade de conversar sem pressa, desejando sempre o bem um para o outro.

porque são paulo é assim.
ela é muito boa, cheia de diversidade e possibilidades – mas sem amigos, não haveria a menor graça em morar aqui, por nenhum dia.

a melhor coisa do mundo.

EAT from Rick Mereki on Vimeo.

Três amigos viajam pelo mundo captando tudo o que comem, bebem e experimentam. Recebi este link no meio do trabalho e fiquei tão entusiasmada com o vídeo que não o tirei da cabeça o dia todo. Viajar e registrar toda essa vontade de viver e provar em belas imagens. Tem coisa melhor do que isso?

só de assistir eu já quero ir viajar.

vamos?

* Aumentem a tela na hora de assistir, é melhor. A dica foi dada pelo querido amigo Caio Nunes Cardoso. 

Tudo por acaso

São Paulo tem uma casualidade que me instiga todos os dias.
Uma ligação entre as pessoas diferente das outras cidades.

Uma amiga me disse uma vez que estava aprendendo a viver sozinha; a não ter companhia a todo momento; a almoçar ouvindo apenas o som da sua mastigação; a saber que nem sempre alguém está disponível; a aprender que às vezes é gostoso ouvir o som dos próprios passos e não da vida alheia.

Por outro lado, São Paulo testa essa habilidade de ficarmos sozinhos a todo momento. Muitas vezes se estou caminhando comigo mesma, posso ligar para um amigo e em poucos segundos sentar na mesa de uma livraria para tomar um café. Ou então, trombar de repente com alguém no mercado e marcar um chopp na sequência.

Aqui, alguém sempre vai topar alguma coisa. E eu gosto disso: desta solidão que se desmonta a qualquer momento.
São Paulo ao mesmo tempo que nos deixa livres para andar, respirar e estar sozinhos; ela também nos traz pessoas diferentes todos os dias. Pessoas antigas, novos amigos. Professores, colegas de infância, queridos do trabalho.

Os encontros são instantâneos. Fala-se de planos, de cortes de cabelos, de peças de teatro. A tarde cai e você se despede sem saber quando encontrará aquela pessoa novamente. No outro dia, um outro amigo te liga e diz que está ali, na região da sua casa. Que tal um suco?

O fato de sair de casa sozinha e não saber com quem irá conversar até o final do dia é umas das virtudes de se morar nesta cidade tão grande. A surpresa é o que me interessa.