são paulo, eu te amo.


esta fase da minha vida chama-se: são paulo.
e eu escolhi colocar aí em cima a música whiter shade of pale porque tem uma introdução que eu adoro, que é romântica, piegas e tudo mais que a gente gosta de ouvir. e porque ela faz parte do filme contos de nova york que eu assisti há duas semanas, antes de voltar – após as férias de fim de ano – aqui para a capital. de certa forma, ficou em mim.
é amor mesmo, não tem jeito.

e como é possível amar um lugar tão cinzento e cheio de gente, de carros e prédios? eu não consigo mais me imaginar sem isso aqui. é grave, doutor? às vezes me acho chata por achar chato quem diz que é chato morar aqui.
hoje à tarde andando pelas ruas, atravessei a avenida correndo. e nem era preciso – o sinal estava verde para mim – mas esta cidade é tão bonita do jeito dela que eu quis correr só para ver como era atravessar olhando os carros parados, que estavam em movimento apenas para mim. e o fim do dia ainda tem céu iluminado com luzes de automóveis recém acesas. eu gosto. se voltasse no tempo, teria me mudado exatamente para cá. é paixão das brabas.

se você também se apega como eu, vá viver um pouco do amor que a cidade está, de forma encantadora, oferecendo este mês. vou dar algumas dicas.
primeiro, siga até ao cinema reserva cultural e assista medianeiras – amor na era virtual.


Depois vá até ao teatro folha e veja a peça de teatro eu te amo.

por fim, quando já estiver apaixonado, compre na livraria cultura o dvd hanami- cerejeiras em flor.  você vai chorar bastante, mas ele fará bem a sua alma.


são paulo te oferece amor. e esta é a melhor fase para se apaixonar por ela.

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O quê você faz pelo amor?

Alice e Jonas. Amigos de longa data.
Trabalho, mulheres, homens e cerveja. Tudo era assunto na mesa de bar.

– Ei Jonas, tava aqui pensando…

– No quê?

– Quando você está desempregado…. você vai atrás de um emprego, não vai?

– Ué, lógico. E tu não lembra daquela vez que fiquei 2 meses mandando currículo para empresas, igual a um maluco? Não sosseguei enquanto não me apareceu um trabalho.

– Hum…

– E?

– Pois é. As pessoas se esforçam para conseguir um emprego, certo? Como você disse, mandam currículo, pedem indicações, alopram e enlouquecem enquanto não arrumam algo pra fazer…

– E daí, Alice?

– Por quê a gente se esforça tanto no lado profissional e não despende do mesmo esforço no lado pessoal?

– No lado amoroso, você quer dizer?

– Isso. Porque a gente sempre batalha para conseguir um trabalho e não luta o suficiente para conhecer um amor satisfatório?

– Hum….mas e as tantas baladas que eu já fui? Bebedeiras e noitadas até de madrugada à procura de uma mulher que me ame?

– Ah, Jonas, para. Pensa comigo, vai. O lado profissional tá sempre em primeiro plano.  No fundo, todo mundo sempre diz a mesma coisa quando se trata de amor: “melhor deixar as coisas acontecerem….”.

– E qual é o problema?

– Você por acaso “deixa as coisas acontecerem” quando está desempregado?

– Hum…não.

– Viu?!

– É…… verdade. As pessoas nunca colocam a o êxito da vida amorosa como um objetivo a ser alcançado. Encontrar alguém bacana é sempre uma ação que acaba sendo guiada pelo destino.

– Exato. Mas se o trabalho não é conduzido pelo destino, por que o amor haveria de ser?

– E o que você sugere? Enviarmos currículo para o cupido?

– Jonas! Eu não sei o que fazer. Só sei que a vida amorosa é importante também, poxa. Igualmente importante? Mais importante? Pode ser que sim. Então por que a gente, simplesmente, a deixa tão ao léu? Ao desejo dos óraculos, anjos e céus?

– Tá bem, Alice. Entendi. Então cancela essa cerveja que a gente vai tomar um vinho. Já está mesmo na hora de deixarmos de ser bons amigos. Eu sempre te achei bem bonita.

*Essa ilustração linda é da Anna Cunha.

O que acontece quando o coração apenas para?

Eu já tinha falado do Glen Hansard em um antigo post, e nunca me canso dele.
Esses dias um amigo me disse que, um dia, ele ainda ficará sem voz de tanta entrega ao cantar, e pela tamanha emoção que coloca nos seus gritos desesperados.
E ainda me perguntam porque ele é meu cantor favorito, invencível. O fato é que esse irlandês sabe dizer exatamente o que acontece, quando o coração simplesmente se esgota.

E então, o que acontece quando o coração apenas para?
Para de se importar com qualquer pessoa,
O buraco em seu peito se seca,
E você para de acreditar.

E então, o que acontece quando o coração desiste?
Mas o corpo continua vivo,
O sangue começa a correr devagar até parar,
E então corre de novo.

De Pepy para Ana

Ana,

As coisas não estão muito boas para o nosso lado. O dos homens, eu quero dizer. Esta semana, minha irmã terminou um namoro de poucos meses e jurou a si mesma nunca mais se apaixonar por promessas. A minha prima também não vai mais se relacionar com ninguém e, às vezes, acho que a minha mãe concorda com todas elas.

Veja, eu não moro mais com a minha família, não sei até que ponto os homens faltaram com elas e generalizaram todo o processo, mas o fato é eu precisava escrever que você ainda tem a mim.

Hoje eu fui à academia pela primeira vez,tentar resgatar um pouco mais de força no joelho esquerdo, para te acompanhar na sua nova meta de correr aos finais de semana. Também tentei colocar em prática aquele molho de macarrão que você me ensinou, mas me sinto um bobo perto de um fogão. Sempre falta o sal e o nosso clichê de cozinharmos juntos, com o rádio ligado.

Tem dias que eu nos imagino felizes como são os casais naqueles filmes dos anos 50. Ou então penso em uma cena com você sentada no meu colo com os olhos de Sophia Loren, enquanto eu me divirto mostrando um sorriso de Elvis, no auge da sua juventude.

Eu sei que as mulheres estão decepcionadas mas você precisa saber que se, um dia, eu fizer o mesmo com você, será porque perdi minha capacidade de pensar. Nós homens somos assim mesmo. A gente se deslumbra no primeiro instante mas, depois, ficamos tão seguros do que vocês sentem por nós, que soltamos a taça e deixamos tudo cair.

Me avisa se eu for como todos? Provavelmente nesse dia eu vou estar do avesso, fora de mim, um completo idiota. Será que tem como você me chacoalhar? Balançar a minha cabeça, jogar água na minha cara só para eu não cometer o mesmo erro? Se eu disser ‘não’ para você qualquer hora dessas, promete que não acredita?

Pensei muito em você hoje, como acontece em todos os cinco dias da semana. Às vezes eu quero pedir demissão só para ver se, deixando de trabalhar, o sábado chega mais rápido. E também para saber se eu sentiria falta de todas aquelas pessoas do escritório, como eu sinto de você.

Eu não vou escrever ‘te amo’ aqui no final, porque o ex-namorado da minha irmã sempre dizia isso a ela. E se ele a magoou tanto sentindo amor, eu preciso inventar outra palavra para mostrar o que eu sinto por você.

Nos vemos no fim de semana,

Pepy.

(texto de Clara Vanali)

O amor dele

Ela costumava usar um par de sapatos azul com duas borboletas em cima. E passar a mão nos cabelos com os esmaltes descascados.Não usava anéis, vestia tiara. E também um laço amarelo no pescoço que deixava o seu colo vistoso, solitário de tanta beleza.

As unhas compridas faziam trec trec no vidro fechado do carro. A voz rouca saía para cantarolar antigas de rock e cair no mesmo The Police. O dia passava e ela nada entendia de tédio ou chateações.

Estava sempre tudo bem.

Perto da primavera, ela trocava a cor do lenço, a marca do vinho chileno e se esbaldava. Ria alto, desafiava palavrões e se exibia doce, mostrando que tudo era pura ingenuidade.

Ela não repetia a camiseta, tirava música no violão de cabeça. O seu francês era torto mas a expressão mais falada o deixava sempre estupefato de exclamação: Vous perdez tout près de moi.

Tudo tão certo, ela gostava. Não brigava, queria sair.
Ele chato, reclamão. Até quando cegaria?

Ela pediu água no bar.
Roeu as unhas até acabar. E não chorou.

Que sorte a dele se tivera aproveitado tudo o que dela alcançou.
A palavra, o gosto por café preto, os filmes velhos na tv e a imperfeição.

A vida nos surpreende, mas ela não dá tanta voltas assim.
E por aí ele soube que ela não apareceria mais.

A foto deste post é de babileta.