Dezembro

Eu gosto tanto de fim de ano quase como eu gosto de bossa nova, torta de morango e telefonemas de amigos.

Os dias são leves, as noites decoradas e as preocupações cortadas pela metade.  Esta é a época em que a avenida Paulista vira uma praça. As ruas enchem aos domingos, os cachorros são estrelas de fotos e até pipoca, quem diria, é consumida aos montes.

O fim de ano me deixa mais próxima do começo.
De vontades. De continuar o que é bom e criar o que ainda não faz parte de mim.
Este é o tempo que eu tenho mais tempo para ficar com a família. Ela, que é a minha melhor amiga. Que sorri comigo onde quer que eu esteja. Que me deixa serena, dona de mim.

O fim de ano é nostálgico, o Natal é minha avó. Mas antes  o que era tão difícil de aceitar, se tornou mais…..ah, ainda mais amor. O Natal vai ser sempre seu, vó. Sempre você.

Eu gosto tanto desta época que não poderia me imaginar sem essa sensação. O clima fica mais quente, os afetos mais macios. Os amigos, sempre presentes. Eu gosto do recomeço, do fim de ciclos, de pisca-pisca. Eu gosto da crença do papai-noel, dos presentes e da agitação para brindar no ano novo. Eu gosto dos abraços. Dos e-mails, das boas saudades.

Eu gosto disso tudo. E também gosto que acabe.
Para que o ano que vem eu tenha a mesma sensação.

Quando a vida é uma novela


Uma vez durante uma aula na faculdade, a professora mais respeitada do curso de jornalismo confessou que adorava novelas por essas serem umas das melhores formas de entretenimento existentes. A turma ficou surpresa, parecia fora de cogitação uma doutora gostar das novelinhas da Rede Globo.

Eu especialmente gosto das novelas do Manoel Carlos. Concordo sobre a função de entreter cumprida com rigor pelos folhetins, mas o escritor consegue dar uma valor ainda maior a eles.

Muitos estão dizendo que Viver a Vida é lenta, devagar, nada acontece. Outros falam que nela não há vilões nem mocinhos. Tudo é muito indefinido.

Oras, o que é a vida afinal senão uma suavidade de lentidão em que as coisas demoram meses e anos para acontecer? Em que os sonhos aparecem no futuro ou às vezes ficam apenas como projetos?

E onde estão os vilões? Não são eles que atrapalham os nossos dias. Ninguém é declaradamente ruim ou bom, todos somos uma contradição de ambições e vontades que por vezes nos fazem bem e por vezes nos tornam irracionais. A nossa grande vilã é a própria vida.

Manoel Carlos é dentre todos os autores de novela, o que mais se aproxima daquilo que a gente não faz a menor ideia do que é.

E por falar em peças que a vida nos prega, na ficção e no real, aconselho a visitarem uma linda exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, que expõe fotografias de 22 mulheres que enfrentam a batalha contra o câncer de mama.  Chamado de “De Peito Aberto” e realizado pela jornalista Vera Golik e pelo fotógrafo Hugo Lenzio, o projeto mostra imagens em preto e branco de moças que conseguiram vencer ou que ainda lutam contra a doença. O resultado é simples, bonito e mostra que os desafios da vida são sempre inesperados.