Um homem e seu tutu.

Um homem vivia feliz com sua esposa até descobrir que ela tinha câncer de mama. A partir daí a luta começou e também a sua vontade de fazê-la sorrir. A vida mostra-se tão frágil e bonita nessas horas, por que não realizar algo completamente inusitado? Foi aí que Bob resolveu fotografar-se em diversas partes do mundo usando um tutu, aquela saia rosa de bailarina. Simples. Fotografar-se para fazê-la rir. O projeto crescer e virou livro, site, camiseta. Com toda a repercussão e ajuda, ele resolveu divulgar suas fotos pelo mundo para arrecadar fundos para organizações de apoio ao câncer de mama.

A primeira vez que eu vi as imagens, achei tudo estranho.
Na segunda vez, me apaixonei – é libertador, corajoso e bonito.

E o quê as fotos querem dizer? Algumas coisas não precisam fazer sentido, servem para sorrir e isso basta. Neste caso, as imagens de Bob conseguem mais. Elas mostram beleza, alegria e dor – sempre a dor. Essa que está na gente, que às vezes aflora e pede para agir. Obrigada, Bob – vida longa ao Tutu Project e às sensações que você nos traz com ele.

Se você gostou das fotos, tem mais aqui no site dele, e a na fan page do facebook.
E se você se animou com esse projeto, pode ser que se interesse por este aqui também.

Quando a vida é uma novela


Uma vez durante uma aula na faculdade, a professora mais respeitada do curso de jornalismo confessou que adorava novelas por essas serem umas das melhores formas de entretenimento existentes. A turma ficou surpresa, parecia fora de cogitação uma doutora gostar das novelinhas da Rede Globo.

Eu especialmente gosto das novelas do Manoel Carlos. Concordo sobre a função de entreter cumprida com rigor pelos folhetins, mas o escritor consegue dar uma valor ainda maior a eles.

Muitos estão dizendo que Viver a Vida é lenta, devagar, nada acontece. Outros falam que nela não há vilões nem mocinhos. Tudo é muito indefinido.

Oras, o que é a vida afinal senão uma suavidade de lentidão em que as coisas demoram meses e anos para acontecer? Em que os sonhos aparecem no futuro ou às vezes ficam apenas como projetos?

E onde estão os vilões? Não são eles que atrapalham os nossos dias. Ninguém é declaradamente ruim ou bom, todos somos uma contradição de ambições e vontades que por vezes nos fazem bem e por vezes nos tornam irracionais. A nossa grande vilã é a própria vida.

Manoel Carlos é dentre todos os autores de novela, o que mais se aproxima daquilo que a gente não faz a menor ideia do que é.

E por falar em peças que a vida nos prega, na ficção e no real, aconselho a visitarem uma linda exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, que expõe fotografias de 22 mulheres que enfrentam a batalha contra o câncer de mama.  Chamado de “De Peito Aberto” e realizado pela jornalista Vera Golik e pelo fotógrafo Hugo Lenzio, o projeto mostra imagens em preto e branco de moças que conseguiram vencer ou que ainda lutam contra a doença. O resultado é simples, bonito e mostra que os desafios da vida são sempre inesperados.