o resgate de um guarda-chuva.

fui atrás de um livro do drummond esta tarde.
andei por toda a paulista olhando as pessoas, roupas e a cidade.
cheguei até a livraria, encontrei o que precisava mas esqueci lá dentro o guarda-chuva.

segui pela rua e quando me dei conta da perda, voltei para resgatá-lo.
e o dia estava bom. chuva é sempre bom quando estamos com guarda-chuva.
às vezes também faz bem quando estamos sem.

o fato é que na volta, tive a surpresa de encontrar um amigo querido da faculdade.
ele estava com seu pai vendo uma exposição de carros ali no conjunto nacional, um prédio cheio de cultura da cidade. e foi tão bom vê-lo ali naquele sábado chuvoso –  demos um forte abraço confortante, ele me contou do seu dia, eu falei sobre o meu aniversário que está chegando, ele comentou sobre a roda de violão que aconteceu na sua casa dias atrás e eu sobre a minha procura pelo livro.
após uns 10 minutos, nos despedimos e então fomos embora.

resgatei meu guarda-chuva e segui novamente para casa, contente de ter encontrado o amigo, que há algum tempo não via.
são paulo é grande mas muitas vezes se faz bairrista e transforma essa metrópole numa cidade do interior em que a cada esquina traz a possibilidade de encontrarmos conhecidos e pessoas que diariamente nos trazem saudade. ela é grande mas fornece uma ajudinha quando o assunto é reunir colegas queridos – já que são apenas eles que nos transmitem essa vontade de conversar sem pressa, desejando sempre o bem um para o outro.

porque são paulo é assim.
ela é muito boa, cheia de diversidade e possibilidades – mas sem amigos, não haveria a menor graça em morar aqui, por nenhum dia.

mundo grande.

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

* Essa beleza é do Carlos Drummond de Andrade, e foi tirada do blog do Antonio Prata.  A foto, que eu gostei muito, é daqui.