Comer Rezar Amar

Há muito tempo um filme não causava tanto alvoroço na vida amorosa de mulheres e homens.

É curioso a quantidade de mulher que entra na sala para ver o filme sozinha. E pensa e vive sua própria história. Curioso também é ver como os homens dessa mesma sala se assustam e se aborrecem da metade para o fim.

Poucos filmes me trouxeram uma sensação tão boa quanto esse.

“Filme de mulherzinha que não sabe o que fazer e sai viajando pelo mundo para gastar todo o seu dinheiro” – é o que dizem.

A mensagem do filme não é essa.
A viagem que a personagem de Julia Roberts faz pela Itália, Índia e Bali não foi o que mais me comoveu.

Ali ela fala do amor, do seu casamento perdido, dos seus namoros mal-resolvidos mas mais do que isso. Ela fala do sentimento que está dentro dela e que move tudo o que ela faz.
Da incerteza do comodismo e da falta de paz com ela mesma.

Este não é um filme destruidor de relacionamentos. É um filme de amor. e amor em todos os sentidos. Amor pelo o que fazemos e vivemos, pelo o que construímos todos os dias – com as pessoas, atitudes e vontades sinceras.

– Eu te amo.
(então me ame)

– Mas eu tenho saudades.
(então tenha saudades, me dê o sol, a chuva e mande tudo o que sentir de bom por mim pelo seu pensamento e energia)

A moça do filme não é exemplo de mulher bem-resolvida porque ninguém sana todas as dúvidas.
Afinal a vida só traz perguntas, as respostas nós é que inventamos.

Mas a personagem caminha, arrisca, fala. Ela tem vontade de ser feliz.
E a sensação de ter felicidade ou estar muito próximo dela, ninguém precisa nos mostrar.
A gente consegue sentir.

(e fazer o que é preciso)

Atravessiamo.