O que você consegue?

As pessoas não são o que querem ser. São como conseguem. E isso é triste. E eu parei para pensar que também não sou o que quero. Sou o que consigo. Somos o melhor que conseguimos ser.

Deborah Secco em entrevista para o Estadão da última sexta-feira (25/02).

*essa foto cheia de gente é da Manu Melo Franco.

O bom jornalismo

Dentre tantas reformas gráficas que os principais jornais já fizeram, a que eu mais gostei foi a do jornal o Estadão. Que reforma gostosa de se ler. O jornal impresso ficou tão (mais) prazeroso que tenho vontade de ligar lá na redação todos os dias para elogiar. As mudanças não foram só no layout como também na forma de dispor e explicar os fatos que constituem uma matéria. O bom jornalismo, tão característico do veículo, ficou ainda mais visível.

Uma última reportagem que li e me chamou bastante a atenção foi sobre a descoberta de um trilho de bonde na zona sul durante uma obra do metrô, em São Paulo. A matéria era muito simples, mas é exatamente neste tipo de trabalho que percebemos como se faz algo bem feito.

O texto que pode ser lido neste link, surpreende por oferecer mais do que esperamos de uma matéria como essa. O conjunto da obra é perfeitamente construído e transmitido para o leitor. O corpo principal da reportagem traz todas as informações necessárias, explica quando e como os operários do metrô acharam barras de ferro em Santo Amaro, que faziam o trajeto de uma antiga linha de bonde no local. Ao lado, uma foto antiga devidamente resgatada do arquivo do jornal, mostrava a linha que entrou em operação em 1913 em uma São Paulo completamente diferente da nossa época.

Um quadro intitulado “Para Lembrar” fornecia mais informações sobre a linha criada 45 anos antes. Abaixo um depoimento de um morador de 92 anos que andou no bonde que passava naquela linha e cobrava 50 centavos de réis pelo trajeto até a Vila Mariana.

Outro bloco de texto traçava um histórico dos bondes que funcionaram em São Paulo. Desde a criação da primeira linha até o seu fim.

E quando você acha que já sabe tudo sobre o assunto, o jornal traz um quadro que conta a história de outra linha de bondes que foi descoberta assim por acaso.

Um assunto que poderia passar despercebido como pauta, foi explorado com muita competência pelos jornalistas Elvis Pereira, Bruno Ribeiro e Marcio Curcio. Dá gosto de ler algo desse tipo, tenho orgulho desse tipo de jornalismo.