Eu fiz 25 anos.

E saí na rua ouvindo Arnaldo Antunes.
O dia ensolarado trazia aquele vento paulistano gelado que passava pelo vestido e deixava o cabelo mais solto, assim como todo mundo na rua. E sempre que as coisas estão bonitas desse jeito eu me pergunto por quê será que estamos fazendo esse monte de coisa por aqui, neste mundo.

Comecei a andar com a lembrança da noite passada. Daquele monte de gente querida ao redor do bolo, dos abraços fortes que se repetiam com o passar das horas, das nossas mãos dadas, daquela dancinha curta que fizemos, do carinho e cuidado de tantos amigos que deixaram suas casas para irem lá – fazerem do meu aniversário mais cheio de amor.

Naquela manhã eu estava tão feliz que fiz o sinal da cruz ao sair de casa, assim, meio sem querer – passei os dedos pela testa, depois pelo peito seguindo pelos ombros esquerdo e direito. No final, dei um leve beijo no dedo indicador e disse “obrigada”.
Logo eu, que há tempos não fazia um sinal da cruz com sinceridade e que de uns anos pra cá tenho tido minha fé nas religiões tão abalada. Mas eu o fiz, livre. Para Deus, para alguém, para quem quer que seja ele, ou para mim mesma. Foi tão natural como sorrir ou me permitir a qualquer outra coisa.

Segui. Fui comer um lanche, tomar um suco, ler alguns guias de viagem. Escolhi os favoritos e ao passar no caixa, uma atendente muito querida disse que lia minhas crônicas e que gostava muito desse blog. E isso foi como um presente de aniversário. Ela comentou esses detalhes com tamanha alegria que posso dizer que falou por mim e por ela ao mesmo tempo. Fiquei muda, feliz e muda. Tão surpresa que não soube o que dizer. E o quê pode ser melhor para um escritor que ouvir que seus textos são histórias que saem por aí e criam enredos e emoção na vida de outras pessoas? É para machucar os corações, bicho. Isso deixou-me absolutamente sensibilizada. Como pode um mundo complexo nos cobrir de momentos tão surpreendentes como esse?

Felicidade é uma palavra tão grande, mas a vida é muito maior do que ela. Minha mãe sempre diz que devemos viver momentos felizes, sem nos preocuparmos com a busca da felicidade – como se esta fosse uma condição eterna que, ao alcançarmos, não nos escapará jamais. Não. A gente sabe que isso nunca vai acontecer. O que existe mesmo é isso –  uma festa em um bar, uma surpresa em uma livraria, um sol que ilumina até a noite chegar. É uma fé que aparece de repente e traz instantes absolutamente suficientes para nos fazer bem. São os 25 anos.

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so fresh

Um brinde pela vida de agora.
Não pelo o que houve e nem por aquele dia de um futuro ano, em que tudo irá acontecer.

As melhores pessoas, a sutileza no alcançar, essa preocupação que logo passa.
Esse jeito de falar que acalma o coração.

Um champagne doce e gelado pela fase atual.
Por aquela ajuda sempre à disposição, pelos que estão tão perto, pelos os meus pensamentos de todos os dias.

Um carinho cheio de abraço por nós. Por tudo isso que estamos passando, essa alegria, esse permitir que só tem ida. Pela minha leveza, pelo melhor que sou com vocês. Pela saudade que sentiremos de tudo isso, o nosso melhor momento.

Um barulho de copos por valorizarmos tanto as ações de hoje.
O almoço que está uma delícia e este café preto que não tem igual.
E o nosso tão particular que eu nem quero pensar se vai acabar. Não há tempo para isso.

Pela felicidade desta manhã e deste caminhar que eu ainda ouço o bater do calcanhar.

Por você e por mim, que estamos tão bem hoje, cheers!
A melhor rodada não é a próxima, é sempre esta.

Essa Marilyn assustada, mas cheia de vida é daqui