Quando a vida é uma novela


Uma vez durante uma aula na faculdade, a professora mais respeitada do curso de jornalismo confessou que adorava novelas por essas serem umas das melhores formas de entretenimento existentes. A turma ficou surpresa, parecia fora de cogitação uma doutora gostar das novelinhas da Rede Globo.

Eu especialmente gosto das novelas do Manoel Carlos. Concordo sobre a função de entreter cumprida com rigor pelos folhetins, mas o escritor consegue dar uma valor ainda maior a eles.

Muitos estão dizendo que Viver a Vida é lenta, devagar, nada acontece. Outros falam que nela não há vilões nem mocinhos. Tudo é muito indefinido.

Oras, o que é a vida afinal senão uma suavidade de lentidão em que as coisas demoram meses e anos para acontecer? Em que os sonhos aparecem no futuro ou às vezes ficam apenas como projetos?

E onde estão os vilões? Não são eles que atrapalham os nossos dias. Ninguém é declaradamente ruim ou bom, todos somos uma contradição de ambições e vontades que por vezes nos fazem bem e por vezes nos tornam irracionais. A nossa grande vilã é a própria vida.

Manoel Carlos é dentre todos os autores de novela, o que mais se aproxima daquilo que a gente não faz a menor ideia do que é.

E por falar em peças que a vida nos prega, na ficção e no real, aconselho a visitarem uma linda exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, que expõe fotografias de 22 mulheres que enfrentam a batalha contra o câncer de mama.  Chamado de “De Peito Aberto” e realizado pela jornalista Vera Golik e pelo fotógrafo Hugo Lenzio, o projeto mostra imagens em preto e branco de moças que conseguiram vencer ou que ainda lutam contra a doença. O resultado é simples, bonito e mostra que os desafios da vida são sempre inesperados.