o jovem Chico


Eu ainda não ouvi as novas músicas do Chico Buarque, mas estou orgulhosa dele. O compositor, amparado pela equipe ou mesmo por conta própria, percebeu que lançar um CD como havia feito em todas as vezes anteriores não causaria ansiedade e repercussão como da forma que, de fato, resolveu fazer. Com a prévia lançada no www.chicobastidores.com.br, ele tem mantido o novo trabalho fervilhando na mídia ao liberar o arquivo de algumas músicas – antes mesmo do lançamento oficial do disco – para quem comprar seu CD antecipadamente.

Li críticas ruins de sua primeira música, Querido Diário, disponibilizada em seu site. Depois, alguns muitos elogios com as últimas divulgadas, como Tipo Baião e Sem Você 2. Composições boas ou médias, ainda assim Chico acertou. O cantor nasceu em outra época, fez sucesso com vinis e hoje tira o melhor proveito que um artista poderia ter da internet. Com isso, repercurte ainda mais seu trabalho e faz dele assunto na boca do povo, por mais tempo.

A mensagem é a mesma, o que muda é o meio. Além de mais virtual, Chico também está mais feliz, mais humor, muito bom humor, vide vídeo acima.

ps : este blog, vocês devem ter percebido, está reformando sua casa. Aos poucos, os tijolos vão sendo assentados. 

Anúncios

Marcelo Jeneci

Fui apresentada a esse moço pela querida amiga Luciana Barradas. Durante uma conversa sobre  o que estamos ouvindo, ela me indicou o compositor abaixo que, após tocar com Chico Buarque e compor para Arnaldo Antunes e Vanessa da Mata, aparece com canções próprias que são uma maravilha de ouvir.

Largo tudo se a gente se casar domingo; na praia, no sol, no mar; ou num navio a navegar, num avião a decolar, indo sem data pra voltar.

Eu gosto também de Felicidade e Copo d’água.

de Moraes.

Eu gosto de pessoas que são boas com as palavras.

Que colocam um significado em cada balbuciar. Que não dizem à toa.
Eu gosto de ouvir o que é bonito e até mesmo o que é feito e fica bonito na boca de quem sabe dizer.

Vinícius era bom com as palavras.
Ele dizia vontades, emoções e em seguida alternava tudo com momentos de sufoco e depressão como se nada fosse uma coisa só.

Quando eu ouço Vinícius, eu me lembro de como é bom falar exatamente o que se quer dizer.
Ser direto, sem repetições ou falsos desejos.

Ele me lembra de como é bom expressar isso que é tão meu e que pode chegar a qualquer pessoa.
E que é muito valioso para ser desperdiçado.

Vinícius me faz querer dizer e ao mesmo tempo diz por mim. Por quê falar o que não vai mudar nada?
E para quê economizar os elogios, o amor? No que é bom e pode ser dito de graça?

Para quê dizer quando o melhor é parar?
Como falar, Vinícius? Diz para mim.

O que uma vez é dito, fica ali registrado para sempre.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

(Vinícius de Moraes)