o que acontece quando nos apaixonamos.

Este não é um post sobre o amor. É sobre a paixão. Favor não confundir.

Deveria ser proibido fazer algo sem paixão. Sem aquele sentimento de que, de todo o seu coração, é neste lugar em que você quer estar agora. Deveríamos ser todos presos quando agimos diferente da nossa sinceridade apenas para cumprir tabela, tempo, dinheiro ou tédio.

Vamos tentar mesmo que dê tudo errado. E o que é errado quando nós é que colocamos as regras? Ninguém vai nos punir, oras. A gente é quem decide o rumo da nossa vida. E se tem algo errado é quando falta o nervosismo no estômago, a emoção, a vontade de fazer diferente.

Essa semana, voltando do trabalho, fiquei olhando o céu. Escuro. Era noite. Como pode o universo nos dar a lua. Grande ali, que só aparece quando o sol se vai, e que ilumina mais que os postes da paulista, mais do que a gente se dá a chance de perceber. E essa coisa do dia ser claro e cheio de energia; e a noite serena, para os fortes, perto de se encher de melancolia para no dia seguinte nos tomar de novo com calor e força – isso não pode ser à toa, não pode ser só ciência ou só deus. É uma mistura que nos incita a agir, a todo momento. Porque se for ao contrário, sem a menor graça, fica difícil bicho.

A vida precisa de um pouco mais de beleza e sinceridade. Beleza no que nós fazemos. Tem que bater um aperto no coração, um rasgo no estômago, uma complexidade nos órgãos que nos faça ir. Porque eu me frusto se vou a algum lugar ou faço alguma coisa que não tem a ver com o que eu sinto. E não tem problema nenhum em sermos honestos em relação a isso. Vamos dizer o quê funciona e o quê não. Ninguém está nos pedindo sorrisos eternos. Apenas honestidade. Com nós mesmos.

Vamos trabalhar no que nos faça vibrar. Que nos encha de satisfação, que nos instigue e nos traga mais próximos de nós mesmos.
Vamos encontrar o amor da nossa vida, oras! E isso não piegas. Está todo mundo atrás disso. E se for difícil achar, que a gente continue buscando – e aprendendo e se divertindo.
Vamos criar. Porque a criação nos torna mais espertos, francos e sensíveis ao que gostamos ou não. Vamos nos permitir novas habilidades, novos lugares, mais intuição.

Eu só estou pedindo emoção. Aquela emoção que faz com que você fique até às seis horas em uma festa; aquela que te mostra que sua família são os melhores amigos que você tem; que seus amigos da época da faculdade ou do colégio te dão vida; o entusiasmo que te faz criar um projeto pessoal; que te balança as pernas de tão apaixonado que você está; que te traz calmaria quando está sozinho e que faz respirar quando experimenta algo pela primeira vez. 

É difícil. A vida é uma drama. Dos mais pesados. Tem dias que nos falta expectativa, às vezes meses, às vezes tanto mais tempo. Há momentos em que nos foge tudo. Eu sei.

Mas eu quero sentir mais dessas coisas. Paixão. O tempo todo. Em tudo. Mesmo que, para isso, tenhamos que nos tornar as pessoas mais insistentes do planeta.
Vamos comigo?

Anúncios

apê.ritivos – episódio 4


Qual é a sensação de se fazer algo com um amor incondicional? Que te faz pensar: ” é  isso! sinceramente é isso”. Isso é o que o apê.ritivos faz comigo – é essa sensação, uma história com comidinhas, conversas e música que se transforma em uma poesia visual que nos faz querer vivenciar isso o dia todo.

É uma paz de saber que pessoas estão sendo tocadas, sensibilizadas e que isso será eterno, ficará para sempre como um projeto de dois amigos que começaram isso tudo com a intenção de serem felizes e de fazerem com que outras pessoas sentissem o mesmo.

Sério! Puxa!
Obrigada a vocês que compartilharam esse episódio com os amigos e que não só fizerem isso como deixaram mensagens no facebook, twitter e email dizendo que se sentiram entusiasmados e fazendo parte da nossa história. Obrigada a vocês que mostraram aos seus familiares, namorados, primos, para a pessoa da cadeira ao lado. Que assistiram juntos com os colegas do trabalho no mesmo computador. O apê não teria graça se não fosse o que vocês proporcionam a cada episódio divulgado.

A gente faz daqui, vocês potencializam daí.
É tudo muito emocionante e sou grata por isso, obrigada.

Era o que me faltava

Faz uns dois meses que ir na academia deixou de ser uma atividade prazerosa para se tornar uma obrigação exaustiva. Honestamente, sou adepta à vida saudável, pratico exercícios desde criança e doce é o que menos tem aqui em casa. Mas de coração? Ir na academia ultimamente tem sido um porre – cansei daquele ambiente fechado cheio de gente, abarrotado de fones de ouvido e de mundos que não se misturam. Talvez o horário, 7 da manhã, não ajude. Essa é a hora em que a todos estão ali de passagem, levantando pesos enquanto pensam em todo o restante do dia que está por vir como se aquele momento já não fizesse parte dele.  Para mim, levantar cedo todos os dias para ir até lá é uma batalha – não vejo mais graça, perdi.

E foi então que nesse último sábado aconteceu algo muito surpreendente. Acordei com um sol meio nublado que invadia as frestas da janela e ali, profundamente, tive uma vontade sincera de ir correr no parque. Já não estava tão cedo e nem tão tarde, me troquei e peguei o ônibus que passa aqui na av. paulista e segue direto pra lá. O fato é que eu nunca tinha feito isso antes – não sozinha, não assim com tanta vontade. Mas naquele momento a única coisa com franqueza que eu gostaria de fazer era ir até lá.

E segui. No ônibus, um casal de gringos se enrolava para entender o mecanismo da catraca. Como é difícil se locomover em um país que a gente não conhece. Como estava sendo difícil para eles entrar num transporte público desconhecido e ainda pedir gentilmente à cobradora, que não fala inglês, para avisarem-nos quando qual é o ponto mais próximo Ibirapuera. Fiquei fitando-os de longe, minha vontade era falar com eles, conversar, trazer um pouco de conforto em um situação embaraçosa que a gente também vive quando está lá fora.

Desci no mesmo local que eles e assim que se aproximaram de mim para pedir uma informação, me senti bem. Eles tinham em torno de 50 anos. Ela chamava-se Ma Teresa e ele Enrique. E assim, mesmo meio perdidos, estavam felizes da vida. Fizemos amizade, conversamos sobre o seu país, a Espanha, e sobre a cidade em que eles viviam, perto de Barcelona. Eles me seguiram até o parque e contaram sobre sua filha que estava passando uma temporada aqui na cidade, motivo de suas vindas até à metrópole. Após poucos minutos, deixei-os à vontade para andarem, desejei boa sorte e saí correndo – literalmente nesse caso.

A sensação foi de algo que eu não sentia há muito tempo. Como é diferente correr fora de uma esteira coberta com ar condicionado. No caminho – árvores, cachorros, bicicletas e toda e qualquer expressão de vida e de sol que não são prováveis de se ver em uma sala de musculação.  Puxa, como foi gostoso. É como se universo me agradecesse por eu ter feito algo com tamanha verdade. Corri como há muito tempo não corria. Com um abalo emocional à tona. Vontade mesmo.

Após uns 50 min, trombei novamente com o casal de espanhóis e o reencontro foi como de velhos amigos: oba, vocês aqui novamente! Ele com calça comprida, ela de saltinho baixo, nem se importaram com a falta de vestimenta apropriada, tinham percorrido o parque mesmo assim. Batemos mais um papo, trocamos cartões e seguimos as nossas vidas.

Parei uns metros à frente, tomei água de coco e sentei sem pressa enquanto observava um pai ensinar o seu filho a andar de bicicleta – um momento histórico. Ele caía e levantava, se emburrava, dizia que não ia conseguir. E o pai ali do lado, por vezes farto, por outras incentivador, seguia talvez sem se dando conta de quão eterno seria aquele momento na vida do menino. Os dois ali, com os altos e baixos, se entendiam.

No mesmo espaço passavam umas crianças com síndrome de down também andando em bicicletas, desta vez naquelas duplas, pela primeira vez. Elas riam alto, enchiam todo mundo de emoção. Alguns skatistas dividiam espaços uns com os outros e com o restante das pessoas caminhavam com o intuito apenas de se fazerem contentes por aquela manhã. Havia flores.

Terminei de tomar a água e parti para a minha casa. Desta vez, bastante esclarecida do que me faltava até então – aquele sentimento forte que só nos basta quando estiver em tudo aquilo que vamos fazer. Paixão. Era isso.

* foto linda daqui.