que tolos fomos nós.

Captura de Tela 2013-12-15 às 23.38.11Antigamente a gente dizia que o cara que você gostava não estava com você porque ele era um tremendo de um bon vivant – queria curtir de buenas a vida solteiro. Uma outra possibilidade era ele ser muito jovem ainda para compromisso. Tímido. Ocupado demais. E também porque ele não queria te magoar caso não rolasse algo mais sério.

A gente costumava pensar que ele não tomava iniciativa porque a ex ainda ficava no pé. Porque ainda morava com pais. Porque não tinha carro para te levar aos restaurantes. Ou então pelas muitas opções do mercado – ele poderia ter a mulher que quisesse e por isso não te enxergava no meio do bolo.

Um outro motivo era a grande amizade de vocês – e qualquer aproximação poderia tornar isso tudo um caos. Ou pelo fato de vocês realizarem muitos trabalhos juntos – ele é muito profissional para esse tipo de coisa. Faltavam oportunidades também. Correria. Sem contar o fato de ele não saber, claramente, que você era afim dele.

Mas isso tudo foi antigamente. Imagina.
Hoje a gente sabe exatamente o porquê de você estar aí pensando em alguém que não está com você. É que, por mais simples que possa parecer, ele não gosta de você. Apenas. E se por algum motivo você voltar a pensar como em épocas passadas…volte aqui, releia esse texto. Isso vai te ajudar a lembrar do porquê.

Esse é o tipo de cara que quando está longe, você nem se preocupa, se ocupa com outras coisas. Porém, toda vez que encontrá-lo – em uma situação casual que seja – vai bater aquela coisa: você vai se lembrar que gosta dele e que ele ainda…não gosta de você.

Ps: João Gilberto diz em uma de suas músicas: “Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar nas coisas do amor”.

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– Covardiamos

felicidade em rede social

Medianeiras é filme obrigatório. E feito para ser revisto todos os anos.
Passeando por blogs, caí em um deles que publicou um texto de uma escritora chamada Carla Heitgen – falando justamente sobre a película. O texto dela é bacana, mas esta parte destacada abaixo é ótima:

Criamos um perfil e uma persona que dificilmente sobreviveria a um primeiro encontro. 529 imagens de festas, 325 fotos de viagens, 27 de pratos de comida, uma abundância de sorrisos e pontos de exclamação  e nenhum registro de você sozinho, de pijama, sábado à noite, devorando um pote de sorvete. Aceite, seu perfil é bem mais legal que você.

Falando com uma amiga sobre isso, ela me disse: sabe que eu tenho medo disso – de ser mais interessante nas redes sociais do que na vida real. Bingo. Somos assim mesmo. Muito mais interessantes no facebook do que no caminho vazio de volta pra casa; do que no sofá tomando sopa quente para curar um resfriado; do que um pijama velho vestido num sábado à noite. Rede social é feita de beleza, praia e sorrisos. A maquiagem lá não borra. Tô linda na foto do meu perfil. Nem parece a pessoa que ficou o dia todo espirrando por causa de uma dor de garganta adquirida no fim de semana. Eu tô sempre cheia de amigos lá também, meu álbum de fotos é animado. Festas e viagem. Vida social sem furos, sem foras, tudo perfeito. Somos assim, amigos. Sociáveis.

Só que a vida mesma, esta de hoje, é em muitas das vezes, sofá, tv, sopa e solidão.

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O dia e a noite do metrô de são paulo

Hoje meu bilhete único estava sem carga. Mas eu só soube disso quando fui passá-lo na catraca do metrô e máquina avisou que o saldo estava esgotado. Droga. Minha carteira ficara no trabalho no dia anterior. Nem me lembro porquê, vaivém diário, coisas de São Paulo.

E o quê a gente sente quando estamos dentro de uma estação de metrô, longe de casa, sem um real no bolso? Nem recarregar meu bilhete eu podia porque as máquinas de regarga não aceitam cartão de crédito. E como eu iria para o trabalho?
Resolvi sair da estação. Subi uma leva de escada rolante e quando cheguei até à calçada tinha um banco bem na frente com vários caixas eletrônicos dentro. É por isso que eu gosto de São Paulo – pensei. Pela vantagem de se encontrar um banco ao lado de uma estação qualquer de metrô que me permite tirar o dinheiro e seguir a vida normalmente. Tirei o dinheiro, recarreguei o bilhete e segui. Feliz.

Esta cidade tem dessas. Dessas de oferecer facilidades mesmo quando nada parece dar certo. E não é só isso. É essa variedade de coisas que apaixonam, esses cinemas com filmes que a gente não consegue assistir em qualquer cidade, são as feiras livres nas ruas, os museus que eu ainda nem conheço, as comidas exóticas, as bebidas que aproximam os amigos que eu vejo todos os dias e aqueles que não vejo há um tempão.

Mas São Paulo também sabe oprimir e com a mesma carga de energia que consegue nos fazer feliz. E sabe qual é a parte opressiva de morar em São Paulo? Voltar para casa ao final do dia. Eu não sei explicar bem como, mas esse lugar tem uma capacidade sufocante de fazer uma reviravolta no nosso dia após às seis da tarde. Ela escurece e some. Traz apenas o caminho escuro, cheio de sombras até o metrô. E mais um monte de gente seguindo o mesmo caminho, com os rostos cansados, jornais lidos pela metade embaixo do braço, notícias velhas, sonhos velhos, um cansaço que quer apenas nos levar para casa. Logo.

A mesma catraca do metrô que nos enche de força e potência na parte da manhã é a que se fecha cheia de angústia desejando que você volte, se conseguir, no dia seguinte. É interessante comparar os rostos que seguem às dez da manhã com aqueles que voltam às oito da noite. De dia as bochechas estão coradas, o rímel no lugar, os perfumes ainda cheirosos no pescoço. À noite, a constatação de que o dia foi apenas rotina. Nada de mais. Nada de menos. O mesmo.

E o que pega mesmo é a solidão. Essa que o meu tão querido dicionário de sinônimos também chama de isolamento. É conviver com milhares de pessoas que passam ao nosso lado nas ruas, é dar risadas no trabalho, entrevistar pessoas interessante, dar e receber elogios, distribuir bom dia, compartilhar projetos e voltar para casa em um desconsolo que não há quem aguente. Apenas nós. A gente sempre aguenta. Às vezes, sentada em uma das cadeiras do metrô, tenho vontade de cutucar a senhora do lado apenas pra dizer – o seu dia foi cansativo, né? uma droga? então pode falar que foi, diga aí, grite no meio do metrô, não tem problema – nem sempre precisamos mostrar que somos as pessoas mais felizes do mundo. Diga, senhora, a todos eles, que a volta para a casa é bem sufocante, que esse horário é foda e que tudo parece longe, tão longe.

É a noite, é o caminho de volta. É o ciclo que abaixa as nossas energias para que a gente retome a condição de frágeis, sonhadores, soldados de um ir e vir que e é igual para todo mundo. São passos, um atrás do outros, que nos fazem reviver aquele dia inteiro em nossas cabeça – com ideias rodando, nos fazendo pensar que devemos diminuir a coleção de livros não lidos, que o jantar tem que ser melhor que um sucrilhos no prato e que estamos quase encontrando o amor de nossas vidas. Ou que estamos bem longe disso. É a lua que não está cheia, é aquele dia sem compromisso, sem aniversário e sem bar marcado que nos faz apenas seguir andando e andando até o metrô, sozinhos, como somos na maior parte do tempo.

É a noite voltando para o metrô de São Paulo.

Tudo por acaso

São Paulo tem uma casualidade que me instiga todos os dias.
Uma ligação entre as pessoas diferente das outras cidades.

Uma amiga me disse uma vez que estava aprendendo a viver sozinha; a não ter companhia a todo momento; a almoçar ouvindo apenas o som da sua mastigação; a saber que nem sempre alguém está disponível; a aprender que às vezes é gostoso ouvir o som dos próprios passos e não da vida alheia.

Por outro lado, São Paulo testa essa habilidade de ficarmos sozinhos a todo momento. Muitas vezes se estou caminhando comigo mesma, posso ligar para um amigo e em poucos segundos sentar na mesa de uma livraria para tomar um café. Ou então, trombar de repente com alguém no mercado e marcar um chopp na sequência.

Aqui, alguém sempre vai topar alguma coisa. E eu gosto disso: desta solidão que se desmonta a qualquer momento.
São Paulo ao mesmo tempo que nos deixa livres para andar, respirar e estar sozinhos; ela também nos traz pessoas diferentes todos os dias. Pessoas antigas, novos amigos. Professores, colegas de infância, queridos do trabalho.

Os encontros são instantâneos. Fala-se de planos, de cortes de cabelos, de peças de teatro. A tarde cai e você se despede sem saber quando encontrará aquela pessoa novamente. No outro dia, um outro amigo te liga e diz que está ali, na região da sua casa. Que tal um suco?

O fato de sair de casa sozinha e não saber com quem irá conversar até o final do dia é umas das virtudes de se morar nesta cidade tão grande. A surpresa é o que me interessa.