quando outubro acabar


 

– Mãe, acho que meu coração parou hoje.
– Parou como?
– Parou por uns 3 segundos e voltou.

Tenho estado ansiosa. Correndo dentro de mim mesma.
Querendo ser apenas uma borboleta. Porque ela voa.

Ela voa com o coração batendo. O meu está correndo.
Latejando como um furacão.
Um órgão cheio de ar, que de tanta vontade de respirar, às vezes para.

Só os conformados passam ilesos pelo fim do ano. Pelo vaivém que preenche a cabeça -avaliando tudo. Pela vontade de mudar os dadinhos, o dominó, o jogo de palitos.

Nunca passo um fim de ano da mesma forma que entrei. Ele sempre me transforma, transtorna, puxa meu coração e o faz parar. Porque eu não me conformo. Eu sinto.

Hoje minha irmã mandou uma foto de uma igreja lá de Catanduva. A cidade dos meus queridos avós. Da minha avó que morreu há quatro anos. E do meu avô que não aguentou sem ela, e morreu na sequência. E uma foto já foi suficiente para eu me lembrar de tudo. Do fim de ano. Do meu desconforto. Da minha saudade. Da minha vontade de voar.

A gente tinha vontade de casar nessa igreja. Numa época em que éramos crianças e católicas. Hoje somos apenas minha avó. E essa vontade de fazer tudo diferente quando novembro começar. E tomar sorvete com ela. E chorar de saudade. Como estou fazendo agora.

E depois de ver essa igreja e essa praça, e a gente ali 10 anos atrás, comprando gibi da mônica na banca, brincando na varanda com brinquedos rabiscados, eu só posso desejar que o nosso coração continue parando a cada fim de ano. Para que eu nunca me esqueça de que preciso continuar fazendo-o bater. De que preciso me manter inconformada, resistente, me lembrando de que o mundo são mais pessoas e menos coisas, mais momentos criativos e menos trabalho burocrático.
De que a gente não precisa seguir o que todo mundo faz.

Assim que outubro acabar, eu quero ser borboleta.

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– Como voltar a respirar?
– Só mais uma coisa
– Ei, vó!
– Antes de dormir

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antes de dormir.

esta é a fase da minha vida é chamada de: dormir pouco.
e hoje eu estou com tanta vontade de deixar as palavras aqui, de conversar, bater um papo. falar de um monte de coisa que tá martelando na minha cabeça.

o sono está tão pesado, meus olhos quase fechando, tô tão cansada nesta noite, me dê só mais alguns minutos, eu vou falar pouco, depois eu volto na luz do dia pra gente prosear um pouco mais.

quero falar da minha vó que sempre aparece nesta época do ano nas minhas caminhadas pela paulista ao redor das luzinhas de natal, tô com uma saudade dela. eu quero comentar sobre 2011, me deixa agradecer, permita-me falar do tempo, de tudo rápido que se passou tão depressa, me dê um pouco de calma e uma cama para eu poder descansar e pela manhã dizer, dizer e dizer.

eu quero escrever e já quase não consigo por ora. eu aprendi tantas coisas esse ano, ajude-me a repassar isso pra frente, a controlar o que eu não consigo,  a ser leve, ainda mais leve. quero falar das músicas que eu tô ouvindo, e também de sonhos, mas tudo o que me resta agora é o sono e esse peso que não se aguenta nas pálpebras. mas anote aí, vou ter mais tempo logo, eu volto, eu volto para contar tudinho para vocês do que se passa aqui dentro.

hoje, eu só preciso dormir.

*essa foto linda, que se mexe e emociona, é de um fotógrafo americano chamado Jamie.